Introdução: O confinamento devido à pandemia por COVID-19 acarretou modificações nos estilos de vida, nomeadamente nos hábitos alimentares e atividade física das crianças.

Objetivos: Avaliar as alterações do estilo de vida de estudantes do 3.º ano do ensino básico dos Agrupamentos de Escolas do concelho do Marco de Canaveses no segundo confinamento, comparativamente ao período de aulas presenciais.

Metodologia: Estudo observacional descritivo transversal aplicado a uma amostra de conveniência de 210 estudantes com idade média de 8 anos (dp 0,51), através do autopreenchimento de um questionário online pelos Encarregados de Educação, entre 29 de abril e 18 de junho. O questionário era constituído por sete grupos: 1) questões sociodemográficas, 2) questões gerais sobre os hábitos alimentares, estado nutricional e atividade física; 3) preocupação do encarregado de educação sobre o estilo de vida da criança; 4) alterações emocionais; 5) frequência do consumo alimentar; 6) ocorrência de episódios de ingestão emocional; 7) prática de atividade física.

Resultados: Segundo o reportado pelos Encarregados de Educação, 36,7% das crianças aumentaram a ingestão alimentar, 56,2% petiscaram mais alimentos, 58,6% diminuíram a atividade física e 32,4% aumentaram de peso no segundo confinamento. Os estudantes que aumentaram de peso apresentaram um aumento da ingestão alimentar e da frequência do ato de petiscar e uma diminuição da prática de atividade física. Os educandos, cujos pais se sentem capazes de transmitir hábitos alimentares saudáveis, aumentaram o consumo de hortícolas e diminuíram o consumo de arroz/massa/batata e doces. Valores superiores de sobreingestão emocional, associaram-se a maior ingestão alimentar, maior frequência do ato de petiscar e aumento de peso.

Conclusões: Cerca de metade das crianças alterou negativamente o estilo de vida em termos de alimentação e atividade física, e cerca de um terço aumentou de peso. O incentivo e adoção de estilos de vida saudáveis pelos encarregados de educação influenciaram a ingestão alimentar das crianças.

 

A quarentena, voluntária ou obrigatória, suscita transformações inevitáveis no estilo de vida. A presente revisão narrativa da literatura visa estudar os hábitos alimentares adotados durante pandemias e epidemias com repercussões mundiais. Enquanto antigamente as doenças infeciosas eram predominantes em indivíduos desnutridos por escassez de alimento, hoje afetam desnutridos devido a hábitos alimentares excessivos e desequilibrados. A Gripe Espanhola originou grande escassez de alimento e insegurança alimentar. A Gripe das Aves e a Gripe A não afetaram hábitos no consumo da carne e ovos, apesar do impacto no setor alimentar. Tanto a Gripe A como a COVID-19 foram exacerbadas pela elevada prevalência de doenças crónicas, nomeadamente a obesidade. A atuação do nutricionista em contexto pandémico ou epidémico, é crucial por promover, junto da população, a adoção de um estilo de vida saudável, principalmente hábitos alimentares, como medida preventiva.

Introdução: Estudo desenvolvido pela Universidade do Algarve, inserido no âmbito do Projeto 0290_MEDITA_5_P – “Dieta Mediterrânica Promove Saúde”, financiado pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) através do Programa Operacional (POCTEP).

Objetivos: Caracterizar os hábitos alimentares, de saúde e a adesão ao padrão alimentar mediterrânico dos jovens do ensino secundário da região do Algarve.

Metodologia: Estudo descritivo transversal onde se inquiriu, em ambiente escolar, uma amostra de jovens, do 10.º ano de escolaridade, dos cursos científico-humanísticos e cursos profissionais de oito escolas secundárias da região do Algarve. Recolheu-se informação através de um questionário de autopreenchimento com cinco secções: 1) hábitos alimentares; 2) adesão ao padrão alimentar mediterrânico (Índice KIDMED); 3) prática de atividade física; 4) higiene do sono e oral; 5) características sociodemográficas. Registou-se o peso, altura, perímetro da cintura e da anca, e a pressão arterial, obtidos através de metodologias de referência.

Resultados: A amostra final incluiu 325 participantes, 47% (n=153) do sexo masculino e 53% (n=172) do sexo feminino, com idades entre 15 e 19 anos (M=16,4 anos; DP=0,89 anos). Analisou-se o percentil Índice de Massa Corporal/Idade de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde e registou-se uma prevalência de sobrecarga ponderal de 19,7%. Os resultados do Índice KIDMED (M= 6,9 pontos; DP=2,46) indicam uma baixa adesão ao padrão alimentar mediterrânico em 9,0% dos participantes, adesão intermédia em 45,5% e adesão alta em 45,5%.

Conclusões: Os resultados indicam que devem ser delineadas estratégias de educação alimentar e de promoção da saúde dirigidas à população juvenil, tendo por base a Dieta Mediterrânica.

Introdução: Os hábitos alimentares inadequados são responsáveis pelo aumento de doenças crónicas em todo o Mundo. O diagnóstico do estado nutricional e a recolha de informação do consumo alimentar são fundamentais na definição de estratégias de promoção de uma alimentação mais saudável.

Objetivos: Caracterizar o estado nutricional da população adulta (18-65 anos) da Região Autónoma da Madeira; e comparar o consumo alimentar com as recomendações da Roda dos Alimentos Portuguesa.

Metodologia: Estudo transversal com 933 adultos, realizado entre 2012-2015. Dados sobre a ingestão alimentar obtidos através do questionário das 24 horas anteriores e recolhidos dados de Peso, Estatura, Perímetro da Cintura, Massa Gorda e Massa Isenta de Gordura. A análise estatística descritiva incluiu frequências, mediana, percentis 25 e 75, média e desvio-padrão. O teste do Qui-quadrado foi usado para comparar variáveis categóricas. Os testes t de Student e ANOVA foram realizados para comparar diferenças entre as médias, e os testes de Mann-Whitney e Kruskal-Wallis quando os pressupostos da normalidade não se verificaram. Foi usado um nível de significância de 5%.

Resultados: O valor médio de Índice de Massa Corporal para o total da população adulta da Região Autónoma da Madeira foi de 26,6 Kg/m2 (±5,4), sem diferença significativa entre sexos (p>0,05). O valor médio do Perímetro da Cintura foi de 89,2 cm (±13,8) para as mulheres e de 93,6 cm (±13,0) para os homens (p<0,05). O grupo etário acima dos 49 anos foi o que apresentou valores mais elevados de Peso, Índice de Massa Corporal, Massa Gorda e Perímetro da Cintura, enquanto os mais novos apresentaram os valores médios mais baixos (p<0,05). Comparativamente com as recomendações, a população adulta da Região Autónoma da Madeira consumiu, proporcionalmente, mais 7% de alimentos do grupo “Carne, pescado e ovos”, e menos “Hortícolas” (-12%), “Cereais” (-7%) e “Fruta” (-5%).

Conclusões: A população adulta da Região Autónoma da Madeira apresentou um consumo inadequado para quase todos os grupos de alimentos e mais de metade tinha excesso de peso.

Introdução: A insatisfação com a imagem corporal pode associar-se à adoção de diferentes práticas alimentares, no entanto, a evidência é escassa e foca-se em grupos específicos de indivíduos, tais como estudantes universitários, mulheres e adolescentes.

OBJETIVOS: Avaliar a associação entre a (in)satisfação com a imagem corporal e o consumo alimentar e nutricional de adultos jovens. METODOLOGIA: Participaram neste estudo 111 adultos (18-35 anos, 67,6% mulheres), selecionados por conveniência. A perceção da imagem corporal foi avaliada através da Escala de Silhuetas de Stunkard et al. e categorizada em satisfação, insatisfação por défice (diferença negativa entre a imagem corporal real e a desejada) e insatisfação por excesso (diferença positiva entre a imagem corporal real e a desejada). O consumo alimentar foi avaliado através da administração direta de um Questionário de Frequência Alimentar validado para a população adulta Portuguesa. As associações foram avaliadas por regressão linear (coeficientes β̂ e respetivos intervalos de confiança a 95% – IC95%), após ajuste para idade, escolaridade e exercício físico e após estratificação por sexo.

RESULTADOS: As mulheres mostraram-se mais insatisfeitas com a sua imagem corporal por excesso (57,3% vs. 30,6%, p=0,009), enquanto a insatisfação por défice foi mais reportada pelos homens (27,8% vs. 9,3%, p=0,009). Os homens insatisfeitos por défice (desejo de aumentar o tamanho corporal) apresentaram consumos mais elevados de pescado (β̂=181,0, IC95%:38,3;323,6), ovos (β̂=23,1, IC95%:2,9;43,2), fruta (β̂=191,3, IC95%:90,0;292,5) e hortícolas (β̂=221,6, IC95%:99,7;343,4), o que se traduziu em ingestões significativamente superiores de energia, proteínas (em contributo percentual para o valor energético total), fibra alimentar, vitamina B12, vitamina C, cálcio, magnésio, potássio e sódio, quando comparados com os satisfeitos com a sua imagem corporal. Nas mulheres, não foram encontradas diferenças significativas.

CONCLUSÕES: A maioria dos adultos jovens encontra-se insatisfeito com a sua imagem corporal, sendo que quase 30% dos homens manifestou o desejo de aumentar o seu tamanho corporal. Esta insatisfação da imagem corporal por excesso associou-se a consumos mais elevados de pescado e ovos, bem como fruta e hortícolas, o que se traduziu, do ponto de vista nutricional, em ingestões superiores de energia, proteína (em função do valor energético total), fibra alimentar, vitamina B12, vitamina C, cálcio, magnésio, potássio e sódio.

Introdução: A prevalência de obesidade e excesso de peso em Portugal tem vindo a aumentar. Assim, é fundamental avaliar a eficácia da consulta de nutrição, promovendo uma intervenção eficaz.

Objetivos: Estudar o efeito da intervenção alimentar na evolução da composição corporal e na adoção de hábitos alimentares saudáveis em utentes com excesso de peso ou obesidade.

Metodologia: Estudo epidemiológico observacional, descritivo e prospetivo, numa amostra de conveniência de doentes adultos com excesso de peso ou obesidade de ambos os géneros que foram acompanhados mensalmente durante 3 meses nas consultas externas de nutrição na Unidade de Portimão do Centro Hospitalar Universitário do Algarve. A informação referente a hábitos alimentares foi obtida através do inquérito alimentar às 24 horas anteriores. Procedeu-se também à avaliação da composição corporal pela técnica de bioimpedância.

Resultados: Foram incluídos 38 utentes (22 do sexo feminino e 16 do sexo masculino), os quais apresentaram uma idade média de 57,8 ± 12,7 anos. Encontrou-se uma diferença estatisticamente significativa entre os valores antropométricos antes e após a intervenção alimentar individualizada (p < 0,01). Verificou-se, uma diminuição das médias de peso (92,8 ± 15,0 versus 91,1 ± 14,2 Kg) e Índice de Massa Corporal (35,3 ± 6,3 versus 34,6 ± 6,0 Kg/m2) entre a primeira e a terceira consultas de nutrição, correspondendo a um estado de obesidade classe 2 e obesidade classe 1, respetivamente. Adicionalmente, observou-se que 55,3% dos doentes perderam massa gorda. Verificou-se, ainda, um aumento estatisticamente significativo do número diário de refeições (p < 0,01) e do consumo de hortofrutícolas (p < 0,05). A prática de atividade física e o aumento do número diário de refeições, do consumo de hortofrutícolas e da ingestão hídrica não revelaram associação estatisticamente significativa com a diminuição da percentagem de massa gorda.

Conclusões: A intervenção alimentar direcionada foi essencial na promoção de hábitos alimentares saudáveis.

Vários estudos têm demonstrado uma correlação positiva entre o sucesso competitivo e o perfil antropométrico em remadores.

Este trabalho teve como objetivo avaliar os hábitos alimentares e perfil antropométrico de atletas de remo do escalão de juvenis.

Foram avaliados 163 atletas maioritariamente do sexo masculino e com idades entre os 15 e 16 anos. Os hábitos alimentares foram avaliados através de um questionário de aplicação indireta desenvolvido para o efeito e recolhidas as medidas antropométricas: peso, estatura, altura sentado, envergadura e pregas cutâneas.

A maioria dos atletas era normoponderal e foi observada uma maior percentagem de gordura corporal nas atletas do sexo feminino (p<0,001) e nos atletas mais velhos (p<0,001).

Cerca de 67% dos atletas referiram realizar 5 ou mais refeições por dia e os que, habitualmente, tomam o pequeno-almoço (p=0,001), meio da manhã (p=0,026) e ceia (p=0,005) apresentam uma menor percentagem de gordura corporal do que os restantes. Apenas 23,3% dos atletas ingerem fruta fresca mais do que duas vezes por dia, 27,0% sopa e 33,1% hortícolas duas vezes por dia. Aproximadamente 10% dos jovens não consomem qualquer alimento ou bebida antes do treino e mais de 10% referiram ingerir suplementos alimentares com regularidade. Verificou-se uma associação entre a ingestão de água diária e um melhor resultado desportivo (p=0,029).

Introdução: O excesso de peso e a obesidade infantil são uma preocupação mundial. Os principais fatores associados ao excesso de peso em idade pré-escolar são o padrão alimentar e a atividade física. O Centro de Apoio Social de Mozelos é um jardim de infância onde os hábitos alimentares são supervisionados por um Nutricionista e a atividade física é oferecida gratuitamente a todas as crianças dos 2 aos 6 anos.

Objetivos: Este estudo visou investigar a prevalência de excesso de peso e obesidade em crianças com idades compreendidas entre os 2 e os 6 anos.

Metodologia: Estudou-se uma amostra de 129 crianças do Centro de Apoio Social de Mozelos (3,7±1,2 anos). Realizaram-se avaliações antropométricas às crianças e aos seus progenitores. Um questionário para caracterização da amostra foi realizado aos pais. Excesso de peso e obesidade foram definidos utilizando os critérios da Organização Mundial da Saúde.

Resultados: A prevalência global de excesso de peso e obesidade nas crianças foi de 11,7% (7,8% de excesso de peso e 3,9% de obesidade). A prevalência de excesso de peso e obesidade nos pais foi de 57,8% (40,5% de excesso de peso e 17,3% de obesidade).

Conclusões: A prevalência de excesso de peso e obesidade nos pais parece ser similar à população geral portuguesa. No entanto, os resultados encontrados nas crianças parecem estar abaixo do expectável comparando com estudos similares. São necessários mais estudos longitudinais que demonstrem claramente os benefícios da abordagem conjunta da atividade física e do padrão alimentar em jardins de infância como o Centro de Apoio Social de Mozelos na prevenção/redução do excesso de peso e obesidade em crianças com idade pré-escolar.