Introdução: A elevada prevalência de excesso de peso, os hábitos alimentares inadequados e os baixos níveis de atividade física entre os adolescentes levantam preocupações. A avaliação e a atuação precoce são fundamentais para potenciar a saúde.

Objetivos: Caraterizar o estado nutricional dos adolescentes de 3.º ciclo do ensino básico e estudar a associação com caraterísticas sociodemográficas, adesão à dieta mediterrânica, regimes alimentares, nível de atividade física e autoperceção da imagem corporal e estado de saúde.

Metodologia: Estudo transversal que incluiu avaliação antropométrica, categorização do estado nutricional pelo Z-score de índice de massa corporal para a idade e aplicação dos questionários KIDMED (adesão à dieta mediterrânica), IAN-AF (nível de atividade física) e da autoperceção das silhuetas de Stunkard et ala uma amostra de conveniência de 262 alunos do 3.º ciclo do ensino básico de duas escolas do Município de Gondomar.

Resultados: A maioria da amostra (48,9%) evidenciou adesão moderada à dieta mediterrânica. Foi identificado um baixo consumo de hortofrutícolas e de pescado e um elevado consumo de alimentos ultraprocessados. Da amostra estudada, 35,4% tinha excesso de peso e a silhueta com que se autopercecionam foi coincidente com o seu estado ponderal. Por outro lado, a frequência semanal de realização de atividade física vigorosa foi elevada. A maioria dos inquiridos teve uma autoperceção do estado de saúde “Boa” (48,1%).

Conclusões: Apesar das ações e medidas implementadas a nível nacional, existe ainda uma vasta janela de ação, assumindo-se as escolas e os municípios como pilares essenciais na identificação e na intervenção precoce para potenciar a saúde nutricional dos adolescentes através de uma abordagem multidisciplinar.

Introdução: Avaliar o estilo de vida das crianças é fundamental para o desenvolvimento de políticas que previnam o surgimento das doenças não transmissíveis.

Objetivos: Desenvolver um índice reduzido de estilo de vida para crianças em idade escolar (6 aos 9 anos de idade) e caraterizar o seu estilo de vida.

Metodologia: O índice foi desenvolvido com base nos dados da avaliação aos 7 anos da coorte de nascimento Geração XXI (n=4336 crianças), agrupados em quatro domínios: frequência do consumo alimentar, comportamentos alimentares, atividade física (incluindo comportamentos sedentários) e duração do sono. O coeficiente alfa de Cronbach foi obtido para avaliar a consistência interna do índice. As associações entre as caraterísticas sociodemográficas, o ambiente físico da casa e a pontuação do índice foram avaliadas através de modelos de regressão linear, com a obtenção dos coeficientes β e respetivos intervalos de confiança de 95% (IC95%).

Resultados: O índice final incluiu apenas dois domínios (consumo alimentar e atividade física) com um alfa de Cronbach de 0,52 e pontuação média de 3,6±2,8 (intervalo: -5 a 10). A idade materna (β=1,066; IC95%=1,045-1,087), a escolaridade materna (β=1,216; IC95%=1,186-1,246), ter uma casa com jardim (β=1,630; IC95%=1,304-2.037), acesso à internet (β=1,524; IC95%=1,086-2,139) e ter bicicleta (β=1,710; IC95%=1,086-2,694) associaram-se positivamente a um estilo de vida mais saudável das crianças.

Conclusões: O índice desenvolvido é um instrumento curto que pode ser usado para avaliar o estilo de vida geral em crianças em idade escolar. Melhores caraterísticas sociodemográficas maternas e um melhor ambiente físico da casa aumentam a probabilidade de as crianças terem um estilo de vida mais saudável.

Introdução: A terapêutica antiretrovírica e o aparecimento de comorbilidades em pessoas que vivem com o Vírus da Imunodeficiência Humana têm contribuído para um aumento do seu risco cardiovascular.

Objetivos: Determinar a evolução da adesão à dieta mediterrânica, padrão alimentar e risco cardiovascular em 5 anos de follow-up e avaliar o nível de atividade física.

Metodologia: Estudo longitudinal observacional baseado numa coorte com seguimento regular. A recolha de dados foi efetuada durante 6 meses. A amostra final de 149 pessoas foi reavaliada a nível de parâmetros antropométricos, ingestão alimentar (questionário de frequência alimentar e MedDietScore), risco cardiovascular (DAD Risk Tool) e atividade física (International Physical Activity Questionnaire).

Resultados: A idade média da amostra era de 52,0±9,3 anos, maioritariamente constituída por homens e com um tempo médio de infeção de 17,9±6,9 anos. Verificou-se um aumento percentual de 2% na diabetes mellitus tipo 2, 11,4% na dislipidémia, 0,7% na hipertensão e 12,5% na síndrome metabólica, face à avaliação inicial. A adesão à dieta mediterrânica apresentou um aumento (28,9±5,2 vs. 27,9±5,7); a ingestão calórica foi inferior (1781±622 vs. 2173±432); 77,6% apresentou um nível de atividade física moderado e um comportamento sedentário diário de 244,4±173,9 minutos; 54,7% apresentava um risco cardiovascular a 5 anos muito elevado.

Conclusões: O envelhecimento e o aumento da prevalência de comorbilidades sugerem que modificações no estilo de vida devem fazer parte gestão clínica da doença.