INTRODUÇÃO: A evidência acerca dos hábitos alimentares na população de etnia cigana é escassa, mas é importante para implementar estratégias que promovam o cumprimento de recomendações alimentares e para orientar intervenções que permitam reduzir doenças não transmissíveis relacionadas com a alimentação.

OBJETIVOS: Realizar uma avaliação antropométrica, caracterizar os hábitos alimentares e avaliar a insegurança alimentar em indivíduos adultos de etnia cigana em Portugal.

METODOLOGIA: Estudo observacional descritivo transversal numa amostra de conveniência de adultos de 2 comunidades ciganas em Portugal. Aplicaram-se o Questionário de Frequência Alimentar e a Escala de Insegurança Alimentar e recolheram-se dados antropométricos: peso, estatura, perímetro da cintura. Calculou-se o Índice de Massa Corporal e o risco cardiometabólico de acordo com os pontos de corte da Organização Mundial da Saúde. A recolha de dados decorreu entre os meses de dezembro de 2023 e abril de 2024.

RESULTADOS: Amostra composta por 30 adultos de etnia cigana, 66,7% mulheres, com idade média de 44,7 anos (desvio–padrão=13,2). A maioria apresenta pré-obesidade ou obesidade e risco cardiometabólico (83,3%). A frequência da ingestão de carne e produtos cárneos é maior comparativamente ao peixe e a maioria consome frequentemente laticínios. O consumo de alimentos como toucinho, flocos de cereais, batatas fritas e chocolate é mais frequente em indivíduos com pré-obesidade e obesidade (p<0,05). O valor energético total médio é de 4154 kcal/dia (desvio-padrão=1914). A maioria dos participantes (80%) apresenta insegurança alimentar.

CONCLUSÕES: Verificou-se um consumo frequente de ovo e carnes em detrimento do peixe bem como de fontes alimentares de açúcar e de produtos de fast-food. O consumo de laticínios e de alguns hortofrutícolas é regular. No geral, a ingestão energética e de nutrientes encontram-se acima das recomendações. Observou-se uma elevada proporção de obesidade, bem como de risco cardiometabólico. Verificou-se ainda insegurança alimentar em grande parte da amostra.

Introdução: Morbidades oriundas do processo de envelhecimento, associadas a doenças crónicas e a outros fatores, podem determinar suscetibilidade para o aparecimento de lesões por pressão.

Objetivos: Avaliar a associação entre a ocorrência de lesões por pressão e o estado nutricional em idosos.

Metodologia: Estudo observacional, de coorte retrospectivo que utilizou dados secundários de 178 idosos residentes em 6 Instituições de Longa Permanência para Idosos, em dois municípios do estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Foram coletados dos prontuários dados sociodemográficos, clínicos, nutricionais e de cuidados especiais. As variáveis quantitativas foram descritas por média, desvio padrão e amplitude de variação. Para avaliar a associação entre as variáveis foi utilizado o teste exato de Fisher.

Resultados: A presença de lesões por pressão não foi associada ao estado nutricional, mas foi possível observar que os idosos com lesões por pressão realizaram menos fisioterapia motora (p=0,015), tinham mais cardiopatias (p=0,048) e utilizavam mais dieta por sonda (p<0,001).

Conclusões: Este estudo não encontrou associação entre a ocorrência de lesões por pressão e o estado nutricional dos idosos residentes em Instituições de Longa Permanência para Idosos.

INTRODUÇÃO: A alimentação baseia-se no consumo de alimentos e não apenas de nutrientes. Uma alimentação adequada e saudável deve assentar em práticas alimentares que tenham significado social e cultural. Trabalhadores com horários por turnos, como os polícias militares, especialmente aqueles que desempenham funções no turno noturno, podem enfrentar restrições no sono e na dieta, o que pode prejudicar o seu ciclo circadiano e a qualidade do sono.

OBJETIVOS: Avaliar fatores associados à qualidade da dieta e à qualidade do sono em polícias que operam em diferentes setores.

METODOLOGIA: Trata-se de um estudo transversal. Foram recolhidos dados sociodemográficos, o Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh e registos alimentares.

RESULTADOS: Participaram no estudo 40 polícias militares, dos quais 60% afirmaram nunca ter feito acompanhamento nutricional, e verificou-se um aumento de 50% na prevalência de excesso de peso após o ingresso na polícia. Os militares da rádio-patrulha apresentaram maior probabilidade de ter uma qualidade de sono inferior, assim como os homens e aqueles com estado nutricional de excesso de peso ou obesidade.

CONCLUSÕES: Os resultados evidenciam uma relação entre a qualidade do sono e a qualidade da dieta, particularmente no contexto da rádio-patrulha, onde se observou uma prevalência 3,2 vezes superior de má qualidade de sono em comparação com o setor administrativo.

A evidência científica mostra que práticas alimentares inadequadas nos primeiros 2 anos de vida têm efeitos negativos no estado nutricional e prejudicam um desenvolvimento adequado e a saúde no ciclo de vida. A insegurança alimentar é uma das principais causas de desnutrição. O sul de Angola apresenta níveis inadequados de insegurança alimentar, pelo que é relevante caracterizar a situação alimentar e nutricional das crianças na região.

Realizou-se uma revisão narrativa para analisar a evolução da situação alimentar e nutricional das crianças < 5 anos na região do sul de Angola, nas províncias do Cunene, Huíla e Namibe. Foi revista a melhor evidência publicada nos últimos 15 anos em relatórios de inquéritos populacionais realizados por entidades públicas angolanas e por organizações que atuam na região.

No sul de Angola, as prevalências de desnutrição aguda global, de desnutrição crónica global e de baixo peso global aparentam estar a aumentar, com exceção da desnutrição aguda global no Cunene. Dados de 2021 mostraram valores de desnutrição aguda global de 9,0%, superiores aos targets definidos internacionalmente de < 5%. A desnutrição crónica global na região classifica-se como “muito alta”, apresentando um valor de 47,1%, sendo superior na Huíla e no Cunene. A região apresenta também valores elevados de baixo peso global (28,5%). Já o excesso de peso apresenta valores baixos (1,1%) e a prevalência de aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses parece também ter uma evolução positiva em toda a região. Apesar da escassez de informação sobre o consumo alimentar individual, os dados ao nível do agregado familiar apontam para a diminuição da diversidade e da frequência alimentar das crianças dos 6 aos 23 meses.

Em conclusão, os resultados mostram a necessidade de monitorização periódica da situação alimentar e nutricional das crianças menores de 5 anos na região. Recomenda-se o fortalecimento de estratégias de monitorização do estado nutricional e das práticas alimentares na infância e um reforço da capacitação dos profissionais de saúde na área da nutrição, com vista ao desenvolvimento de programas para a mitigação da situação atual para consequente melhoria do estado nutricional e de saúde, e redução da mortalidade infantil.

Introdução: A terapêutica antiretrovírica e o aparecimento de comorbilidades em pessoas que vivem com o Vírus da Imunodeficiência Humana têm contribuído para um aumento do seu risco cardiovascular.

Objetivos: Determinar a evolução da adesão à dieta mediterrânica, padrão alimentar e risco cardiovascular em 5 anos de follow-up e avaliar o nível de atividade física.

Metodologia: Estudo longitudinal observacional baseado numa coorte com seguimento regular. A recolha de dados foi efetuada durante 6 meses. A amostra final de 149 pessoas foi reavaliada a nível de parâmetros antropométricos, ingestão alimentar (questionário de frequência alimentar e MedDietScore), risco cardiovascular (DAD Risk Tool) e atividade física (International Physical Activity Questionnaire).

Resultados: A idade média da amostra era de 52,0±9,3 anos, maioritariamente constituída por homens e com um tempo médio de infeção de 17,9±6,9 anos. Verificou-se um aumento percentual de 2% na diabetes mellitus tipo 2, 11,4% na dislipidémia, 0,7% na hipertensão e 12,5% na síndrome metabólica, face à avaliação inicial. A adesão à dieta mediterrânica apresentou um aumento (28,9±5,2 vs. 27,9±5,7); a ingestão calórica foi inferior (1781±622 vs. 2173±432); 77,6% apresentou um nível de atividade física moderado e um comportamento sedentário diário de 244,4±173,9 minutos; 54,7% apresentava um risco cardiovascular a 5 anos muito elevado.

Conclusões: O envelhecimento e o aumento da prevalência de comorbilidades sugerem que modificações no estilo de vida devem fazer parte gestão clínica da doença.

Sabe-se que pessoas idosas hospitalizadas requererem maiores cuidados durante o período de hospitalização, visto que o próprio processo de envelhecimento provoca alterações em diversos sistemas fisiológicos, com consequente redução na ingestão alimentar e massa magra. A hospitalização pode representar um fator de risco para o declínio funcional de pessoas idosas, levando essa população a apresentar maiores riscos para o desenvolvimento de quadros de desnutrição. O objetivo da presente pesquisa foi analisar a relação entre a aceitação alimentar e o desenvolvimento de complicações intra-hospitalares em pessoas idosas hospitalizadas e seus impactos durante o curso do internamento. Trata-se de uma revisão de literatura, com análise de artigos indexados em bases de dados como Scielo e Pubmed, nos idiomas português e inglês. A desnutrição hospitalar pode ser desencadeada por diversos fatores, como baixa ingestão alimentar e doenças associadas, podendo resultar em um maior tempo de hospitalização, afetando diretamente o funcionamento do organismo e deixando-o mais suscetível à instalação de novas infeções e ao desenvolvimento de processos inflamatórios. Destacam-se diversas causas que podem interferir na ingestão alimentar, desde o sabor das refeições até a presença de patologias de base, exigindo a implementação de estratégias a fim de melhorar tal aceitação. Nota-se que esta condição ainda se apresenta como grande fator de risco durante o período de internamento, pois associa-se a um pior prognóstico em pessoas idosas. Portanto, os cuidados nutricionais devem assumir uma importante posição no processo de melhoria da qualidade de vida e do quadro de saúde de tais pacientes.

Homem de 81 anos, com pneumonia por COVID-19 confirmada, foi hospitalizado por falência respiratória hipoxémica e hipernatrémia hipovolémica grave. Durante a abordagem pré-hospitalar, foi medicado para taquicardia supraventricular com adenosina, com sucesso. No Serviço de Urgência apresentou-se com alteração do estado de consciência alternando prostração com agitação, se estimulado. Estudos subsequentes confirmaram infeção por SARS-CoV2 e pneumonia COVID-19 (radiografia de tórax) com insuficiência respiratória hipoxémica. Estudos analíticos indicavam falência renal com hipernatrémia hipovolémica. Em enfermaria dedicada a COVID-19, foram iniciadas medidas de conforto, mas o doente manteve-se estável. Assim, foi colocada Sonda nasogástrica para correção da desidratação. Ao mesmo tempo, o doente foi identificado como tendo elevado risco nutricional, garantindo avaliação por equipa de nutricionistas, seguindo-se implementação de plano nutricional ajustado. A integração atempada de uma intervenção nutricional proativa e especializada com os cuidados clínicos fizeram a condição do doente melhorar progressivamente.

Apesar de todas as restrições e desafios clínicos no cuidado a doentes idosos com COVID-19, a identificação do risco e monitorização nutricional, em articulação multidisciplinar, permanece essencial e, conforme é descrita neste caso, permitiu a implementação atempada de hidratação e medidas nutricionais que contribuíram para a resposta clínica favorável. O doente apresentou uma melhoria até ao estado habitual e teve alta para o lar de onde tinha vindo, onde ainda hoje reside, em boa saúde sem perda de função. Este caso demonstra a importância e necessidade de implementação e integração de cuidados nutricionais nas hospitalizações por COVID-19.