Introdução: A evidência científica sugere que o consumo de uma solução de hidratos de carbono a 6,9% durante o exercício pode reduzir a depleção de glicogénio em comparação com um placebo, levando potencialmente ao atenuar da fadiga e mantendo a potência muscular, especialmente em atividades intermitentes de alta intensidade, como o futebol. Adicionalmente, a suplementação com nitratos em jogadores de futebol, quando ingerida de forma aguda ou crónica numa dose entre ~5–16,8 mmol (~300–1041 mg) 2–3 horas antes do exercício, também tem sido associada a melhorias no desempenho físico.

Hipótese: A suplementação com hidratos de carbono e nitratos melhora a produção de potência durante atividades de alta intensidade num cenário específico de futebol, em atletas adolescentes amadores.

Metodologia: Ensaio aleatorizado, duplamente cego, controlado por placebo. Um grupo de 8 atletas de uma equipa de futebol masculina sub-14 (U14) foi recrutado e dividido de forma randomizada em 4 grupos: 1) Placebo de ambos (Maltodextrina e Sumo de Beterraba); 2) Solução de Maltodextrina e Placebo de Sumo de Beterraba; 3) Sumo de Beterraba e Placebo de Maltodextrina; 4) Solução de Maltodextrina e Sumo de Beterraba. Após a suplementação, os participantes realizaram um protocolo para induzir fadiga transitória, seguido da execução do teste de salto com contra-movimento.

Resultados: O teste ANOVA não revelou diferenças estatisticamente significativas (p>0,05) na potência média, potência máxima e altura máxima no salto com contra-movimento entre os quatro grupos de intervenção nutricional.

Conclusões: Os nossos dados sugerem que a suplementação com nitrato e maltodextrina, utilizados individualmente ou em combinação, não melhora a produção de potência num cenário específico de futebol. Dada a natureza exploratória deste estudo piloto, incluindo o reduzido tamanho da amostra, a ausência de seguimento e o facto de não se ter utilizado um desenho cruzado (crossover), estes resultados devem ser interpretados com cautela. Ainda assim, podem ser relevantes para orientar futuros estudos mais robustos nesta área.

Introdução: A elevada prevalência de excesso de peso, os hábitos alimentares inadequados e os baixos níveis de atividade física entre os adolescentes levantam preocupações. A avaliação e a atuação precoce são fundamentais para potenciar a saúde.

Objetivos: Caraterizar o estado nutricional dos adolescentes de 3.º ciclo do ensino básico e estudar a associação com caraterísticas sociodemográficas, adesão à dieta mediterrânica, regimes alimentares, nível de atividade física e autoperceção da imagem corporal e estado de saúde.

Metodologia: Estudo transversal que incluiu avaliação antropométrica, categorização do estado nutricional pelo Z-score de índice de massa corporal para a idade e aplicação dos questionários KIDMED (adesão à dieta mediterrânica), IAN-AF (nível de atividade física) e da autoperceção das silhuetas de Stunkard et ala uma amostra de conveniência de 262 alunos do 3.º ciclo do ensino básico de duas escolas do Município de Gondomar.

Resultados: A maioria da amostra (48,9%) evidenciou adesão moderada à dieta mediterrânica. Foi identificado um baixo consumo de hortofrutícolas e de pescado e um elevado consumo de alimentos ultraprocessados. Da amostra estudada, 35,4% tinha excesso de peso e a silhueta com que se autopercecionam foi coincidente com o seu estado ponderal. Por outro lado, a frequência semanal de realização de atividade física vigorosa foi elevada. A maioria dos inquiridos teve uma autoperceção do estado de saúde “Boa” (48,1%).

Conclusões: Apesar das ações e medidas implementadas a nível nacional, existe ainda uma vasta janela de ação, assumindo-se as escolas e os municípios como pilares essenciais na identificação e na intervenção precoce para potenciar a saúde nutricional dos adolescentes através de uma abordagem multidisciplinar.

Introdução: Os hábitos alimentares são uma das principais causas modificáveis de doenças crónicas não transmissíveis. A Dieta Mediterrânica é conhecida por ser um padrão alimentar protetor da saúde e sustentável. Nas últimas décadas, Portugal, tem-se distanciado deste padrão alimentar e aumentado o consumo de alimentos ultraprocessados.

Objetivos: Avaliar a adesão ao Padrão Alimentar Mediterrânico, o consumo de alimentos ultraprocessados e fatores associados, em crianças e adolescentes.

Metodologia: Estudo transversal, observacional descritivo. Aplicou-se um questionário, que incluía a versão portuguesa do Índice KIDMED e um Índice de consumo de alimentos ultraprocessados construído para este projeto, a uma amostra de conveniência de crianças e adolescentes com idades entre os 10 e os 19 anos. Os dados foram tratados e analisados no programa estatístico SPSS® com um nível de confiança de 95%.

Resultados: A amostra incluiu 506 participantes, sendo 54,3% do sexo feminino, com uma idade média de 14,1 anos (dp = 2,5). A adesão ao Padrão Alimentar Mediterrânico correlacionou-se com o consumo de alimentos ultraprocessados (r = 0,447; p < 0,001). Verificou-se uma elevada adesão ao Padrão Alimentar Mediterrânico por 47,8% dos participantes, média adesão por 47,2% e baixa adesão por 4,9%, sendo mais elevada nos indivíduos fisicamente ativos (η2p = 0,012; p = 0,021), nos que têm hábitos de sono à semana adequados (η2p = 0,009; p = 0,045) e nos mais novos (r = -0,112; p = 0,003). O consumo de alimentos ultraprocessados revelou uma pontuação média de 21,8 (dp = 4,8), sendo o sexo masculino (η2p = 0,031; p < 0,001) e os que passam mais tempo em frente ao ecrã (η2p = 0,170; p = 0,005) quem mais consome este tipo de alimentos.

Conclusões: Observa-se a necessidade de intervir ao nível da promoção e difusão da Dieta Mediterrânica, uma vez que parece ter impacto na diminuição do consumo de alimentos ultraprocessados, de promover a atividade física, estimular hábitos de sono adequados e mitigar o tempo que as crianças e adolescentes passam em frente aos ecrãs.

INTRODUÇÃO: O Padrão Alimentar Mediterrânico é um dos padrões alimentares mais saudáveis, estando associado a vários benefícios para a saúde. No entanto, nos últimos anos, tem sido abandonado por adolescentes dos países mediterrâneos.

OBJETIVOS: Determinar e analisar a adesão ao Padrão Alimentar Mediterrânico e fatores associados numa amostra de adolescentes de uma cidade do norte de Portugal.

METODOLOGIA: Estudo transversal. Os dados foram recolhidos através de uma amostragem estratificada por conglomerados de uma fase de adolescentes (10 a 19 anos) de uma cidade do norte de Portugal. O Índice KIDMED foi autoadministrado para avaliar a adesão ao Padrão Alimentar Mediterrânico entre adolescentes. Os participantes reportaram informações sobre características sociodemográficas, antropométricas e de estilo de vida. Para identificar os preditores de alta adesão ao Padrão Alimentar Mediterrânico utilizaram-se modelos de regressão logística.

RESULTADOS: A maioria dos adolescentes apresentou adesão baixa/moderada ao Padrão Alimentar Mediterrânico (63,2%). Os modelos de regressão logística indicaram que a idade e o nível de escolaridade dos pais foram os principais fatores positivamente relacionados à possibilidade de alta adesão ao Padrão Alimentar Mediterrânico. O sexo, a localização da escola, o índice de massa corporal e número de membros do agregado familiar não predizem significativamente a alta adesão ao Padrão Alimentar Mediterrânico.

CONCLUSÕES: Estes resultados evidenciam a importância da escolaridade dos pais na adesão dos adolescentes ao Padrão Alimentar Mediterrânico, permitindo identificar os grupos prioritários para uma possível intervenção, nomeadamente, os adolescentes mais novos e cujos pais têm menor escolaridade.

Na maioria das vezes, os jovens não comem pelo menos 400 g/dia de hortícolas e frutas conforme recomendado pela Organização Mundial da Saúde. Assim, este estudo teve como objetivo identificar os fatores de risco associados ao incumprimento da recomendação da Organização Mundial da Saúde para o consumo diário de hortícolas e frutas por adolescentes. Os dados foram recolhidos através de uma amostragem estratificada por conglomerados em um estágio de adolescentes (10 aos 19 anos) de uma cidade do norte de Portugal, e foram realizados modelos de regressão logística. Quase dois terços dos adolescentes não cumprem a recomendação da Organização Mundial da Saúde relativa à ingestão diária de hortícolas e frutas. Uma adesão baixa-moderada à Dieta Mediterrânea assim como uma menor ingestão energética média diária são fatores de risco para os adolescentes não cumprirem a recomendação da Organização Mundial da Saúde.

Introdução: O nível de Literacia Nutricional e de Literacia Alimentar tem sido associado a benefícios na saúde. A escala Food and Nutrition Literacy avalia o nível de Literacia Alimentar e Literacia Nutricional em adolescentes iranianos. Não existe, à data, nenhuma ferramenta traduzida e adaptada para a língua portuguesa que avalie a Literacia Alimentar e a Literacia Nutricional.

Objetivos: Traduzir e adaptar transculturalmente a escala Food and Nutrition Literacy para a língua portuguesa em adolescentes portugueses.

Metodologia: Após a obtenção da versão portuguesa da escala (por um processo de tradução e retro tradução), procedeu-se à sua adaptação transcultural através da participação de 30 adolescentes numa entrevista semi-estruturada com a aplicação direta de uma versão preliminar da escala. Realizou-se a análise qualitativa das transcrições e reformulou-se a escala. Solicitou-se a revisão e validação da escala a um painel de peritos. Calculou-se, o Índice de Validade de Conteúdo e a Média do Índice de Validade do Conteúdo da Escala para a relevância, adequação e clareza de cada item. Os itens com um Índice de Validade de Conteúdo<0,83 foram reformulados.

Resultados: Oito adolescentes (30,8%) apresentaram um nível de literacia moderada. As raparigas apresentaram uma pontuação significativamente superior à dos rapazes (69,4% vs. 64,3%, p=0,021). A subescala “Literacia crítica em alimentação e nutrição” foi a que teve uma menor mediana de pontuação (30,8%). Este trabalho culminou na obtenção da versão final da escala em língua portuguesa.

Conclusões: Com esta escala será possível quantificar o nível de Literacia Alimentar e Literacia Nutricional dos adolescentes portugueses e avaliar a efetividade dos projetos de intervenção e políticas alimentares relacionadas com esta temática nesta faixa etária.