Introdução: As refeições escolares desempenham um papel importante na promoção de uma alimentação saudável e sustentável para as crianças. No entanto, a adesão aos refeitórios nos países desenvolvidos é modesta.

Objetivos: Estudo transversal com o objetivo de avaliar a adesão aos refeitórios escolares e explorar os fatores que influenciam essa participação, bem como as associações com características sociodemográficas, socioeconómicas, peso corporal e adesão ao Padrão Alimentar Mediterrânico.

Metodologia: Foram utilizados os resultados iniciais do projeto R23 recolhidos no ano letivo de 2022/23. Participaram neste estudo 806 alunos, com idades entre 10 e 16 anos, dos 2.º e 3.º ciclos do ensino básico de Portugal, Benavente. Através de um questionário estruturado, aplicado presencialmente, foram avaliados os dados sociodemográficos dos alunos, estatuto socioeconómico, adesão ao Padrão Alimentar Mediterrânico e a adesão ao refeitório escolar. A adesão diária foi obtida através do serviço de marcações das refeições escolares. Medições antropométricas (peso, altura e circunferência da cintura) foram realizadas em todos os alunos.

Resultados: A adesão ao refeitório escolar foi de 25,3%. No total, 39,1% dos alunos relataram não frequentar o refeitório escolar. Apenas 27% dos estudantes elegíveis para Refeições Gratuitas ou a Preços Reduzidos tiveram uma adesão efetiva à refeição escolar, enquanto a taxa de não adesão nesse grupo foi de 31%. Os principais obstáculos incluíram a proximidade da residência à escola e a insatisfação com a qualidade das refeições. A adesão ao refeitório escolar foi significativamente associada à idade, ano escolar, elegibilidade para Refeições Gratuitas ou a Preços Reduzidos e adesão ao Padrão Alimentar Mediterrânico. Estudantes mais jovens e elegíveis para Refeições Gratuitas ou a Preços Reduzidos frequentavam o refeitório com mais frequência. Embora a adesão ao refeitório escolar estivesse positiva e significativamente associada a uma maior adesão ao Padrão Alimentar Mediterrânico, não foi observada relação significativa com o índice de massa corporal ou com a relação perímetro da cintura-altura. Estudantes com maior adesão ao Padrão Alimentar Mediterrânico apresentam valores de índice de massa corporal e relação perímetro da cintura-altura mais saudáveis.

Conclusões: A adesão ao refeitório escolar revelou-se baixa, mas uma maior frequência esteve associada a uma maior adesão ao Padrão Alimentar Mediterrânico. Estes resultados reforçam a importância das refeições escolares na promoção de comportamentos alimentares mais saudáveis.

Introdução: A insegurança alimentar caracteriza-se por qualquer falta de garantia do acesso regular a alimentos seguros e de valor nutricional adequado, podendo levar a hábitos alimentares inadequados e a um maior risco de obesidade.

Objetivos: Caracterizar e estudar as associações entre hábitos alimentares, estado estaturo-ponderal e insegurança alimentar num grupo populacional com auxílio económico para a compra de alimentos.

Metodologia: Estudo observacional de desenho transversal com aplicação de um questionário incluindo características sociodemográficas, estado estaturo-ponderal, hábitos alimentares, insegurança alimentar e géneros alimentícios adquiridos através do apoio social a cada representante dos agregados familiares beneficiários do apoio “+ Alimentação”, inserido no programa “Social +” do Município de Gondomar.

Resultados: De um total de 58 participantes, 70,7% (n = 41) era do sexo feminino e 58,6% (n = 34) vivia sozinho. Dos representantes dos agregados, 63,7% (n = 35) apresentavam excesso de peso e 77,6% (n = 45) uma adesão moderada a hábitos alimentares saudáveis, com 35,8% (n = 19) em contexto de insegurança alimentar grave. Um Índice de Massa Corporal mais elevado associou-se a maior insegurança alimentar (r = 0,380; p = 0,006) e participantes mais velhos apresentavam hábitos alimentares mais saudáveis (r = 0,348; p = 0,007).

Conclusões: Mais de metade da amostra apresentou uma adesão moderada a hábitos alimentares saudáveis. Um Índice de Massa Corporal mais elevado associou-se a maior nível de insegurança alimentar nos beneficiários de apoio social para a compra de alimentos.