Recentemente, o microbioma intestinal tem sido associado a um conjunto de patologias crónicas incluindo as doenças cardiovasculares, mesmo em fases iniciais aquando do diagnóstico dos fatores de risco cardiovascular. Efetivamente, o microbioma intestinal pode ter impacto na regulação do metabolismo cardiovascular, incluindo durante a gravidez, afetando diretamente a saúde da mãe e da criança. Os mecanismos pelos quais a microbiota intervém na saúde cardiovascular são múltiplos, incluindo mecanismos inflamatórios. O objetivo desta revisão é discutir o papel do microbioma intestinal nas doenças cardiovasculares e o impacto da dieta enquanto modulador do mesmo na prevenção e tratamento destas doenças, com especial destaque para o contexto da gravidez. Duas bases de dados (PubMed ScienceDirect) foram utilizadas para pesquisa bibliográfica entre fevereiro de 2024 e maio de 2025. De acordo com a análise da literatura, alterações no rácio Bacillota/Bacteroidota e o desequilíbrio nos metabolitos microbianos, incluindo ácidos gordos de cadeia curta e N-óxido de trimetilamina, têm um importante papel na patogénese das doenças cardiovasculares. A gravidez representa uma oportunidade única para prever e prevenir doenças cardiovasculares em mulheres com fatores de risco. A Dieta Mediterrânica é considerada cardioprotetora devido às altas concentrações de compostos bioativos que exercem efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e antitrombóticos. Os prebióticos e probióticos conferem benefícios à saúde, podendo funcionar como intervenções terapêuticas promissoras nas doenças cardiovasculares e prevenção de aparecimento de complicações durante a gravidez.

Introdução: A Doença Renal Crónica é uma condição progressiva associada a um estado inflamatório crónico que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, contribuindo significativamente para a morbilidade e mortalidade. A inflamação desempenha um papel central na progressão da Doença Renal Crónica, despertando interesse em estratégias terapêuticas complementares. Os ácidos gordos ómega-3 e os bióticos têm emergido como potenciais terapêuticas adjuvantes devido às suas propriedades anti-inflamatórias.

Objetivo: Avaliar criticamente a evidência disponível sobre os efeitos da suplementação com ácidos gordos ómega-3 e bióticos na gestão da Doença Renal Crónica, com enfoque nos biomarcadores inflamatórios e nos desfechos clínicos.

Metodologia: Foi realizada uma pesquisa sistemática por palavras-chave nas principais bases de dados eletrónicas para identificar estudos relevantes. Um total de 10 artigos cumpriu os critérios de inclusão e foi incluído numa síntese qualitativa.

Resultados: Foram identificadas várias limitações nos estudos analisados, incluindo reduzida dimensão amostral, heterogeneidade das populações estudadas, diferentes períodos de seguimento e variabilidade nos tipos e doses dos suplementos utilizados. Os resultados sugerem que os suplementos bióticos podem influenciar favoravelmente a composição da microbiota intestinal, reduzindo a produção de toxinas urémicas e marcadores inflamatórios. De forma semelhante, os ácidos gordos ómega-3, particularmente o ácido eicosapentaenoico e o ácido docosahexaenoico, demonstraram benefícios nos perfis inflamatório e cardiovascular dos doentes com Doença Renal Crónica.

Conclusões: Os ácidos gordos ómega-3 e os bióticos apresentam potencial como terapêuticas adjuvantes na Doença Renal Crónica. Contudo, são necessários mais estudos para definir os tipos e doses ideais de suplementação. Permanecem essenciais estudos de grande dimensão e metodologicamente robustos que avaliem desfechos clínicos relevantes, em vez de apenas marcadores substitutos.