Recentemente, o microbioma intestinal tem sido associado a um conjunto de patologias crónicas incluindo as doenças cardiovasculares, mesmo em fases iniciais aquando do diagnóstico dos fatores de risco cardiovascular. Efetivamente, o microbioma intestinal pode ter impacto na regulação do metabolismo cardiovascular, incluindo durante a gravidez, afetando diretamente a saúde da mãe e da criança. Os mecanismos pelos quais a microbiota intervém na saúde cardiovascular são múltiplos, incluindo mecanismos inflamatórios. O objetivo desta revisão é discutir o papel do microbioma intestinal nas doenças cardiovasculares e o impacto da dieta enquanto modulador do mesmo na prevenção e tratamento destas doenças, com especial destaque para o contexto da gravidez. Duas bases de dados (PubMed e ScienceDirect) foram utilizadas para pesquisa bibliográfica entre fevereiro de 2024 e maio de 2025. De acordo com a análise da literatura, alterações no rácio Bacillota/Bacteroidota e o desequilíbrio nos metabolitos microbianos, incluindo ácidos gordos de cadeia curta e N-óxido de trimetilamina, têm um importante papel na patogénese das doenças cardiovasculares. A gravidez representa uma oportunidade única para prever e prevenir doenças cardiovasculares em mulheres com fatores de risco. A Dieta Mediterrânica é considerada cardioprotetora devido às altas concentrações de compostos bioativos que exercem efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios e antitrombóticos. Os prebióticos e probióticos conferem benefícios à saúde, podendo funcionar como intervenções terapêuticas promissoras nas doenças cardiovasculares e prevenção de aparecimento de complicações durante a gravidez.
O iodo é um elemento químico essencial para a saúde humana, que desempenha um papel crucial na produção de hormonas da tiroide, que regulam o metabolismo, o crescimento e o desenvolvimento neurológico. Descoberto em 1811, a sua importância foi confirmada pela relação com a tiroide e a prevenção de doenças. A insuficiência de iodo, que afeta milhões de pessoas globalmente, é maioritariamente combatida pela fortificação alimentar, através da iodação do sal, que é considerada uma medida eficaz de saúde pública. No entanto, o consumo excessivo também pode causar disfunções, incluindo as doenças autoimunes e disfunções na tiroide. Grávidas e crianças são grupos vulneráveis à insuficiência de iodo, essencial para o desenvolvimento fetal e neurológico. Assim, a suplementação e a conscientização sobre fontes alimentares ricas em iodo são fundamentais. Medidas como o uso de suplementos alimentares e a fortificação alimentar visam equilibrar a ingestão, garantindo os níveis adequados deste elemento essencial.
Introdução: A gravidez é um período com exigências energéticas e nutricionais específicas, fundamentais para a manutenção da saúde materna e para o crescimento e desenvolvimento adequados do feto. A suplementação com ácido fólico e iodo é geralmente obrigatória, mas, em alguns casos, pode ser necessário suplementar também outros nutrientes, cuja ingestão através da alimentação não seja suficiente para cobrir as necessidades.
Objetivos: Analisar a rotulagem de suplementos alimentares direcionados a grávidas e lactantes, comercializados em Portugal, com o intuito de avaliar a sua conformidade com a legislação vigente e com as recomendações nutricionais atualmente disponíveis.
Metodologia: Recolheram-se em farmácias, parafarmácias e lojas de produtos dietéticos na zona de Caldas da Rainha e Lisboa, durante o mês de março de 2024, todos os suplementos alimentares disponíveis, que estavam especificamente direcionados para a fase gestacional e/ou de lactação.
Resultados: Na composição dos suplementos alimentares foram identificados essencialmente micronutrientes, ómega-3 e plantas. Foram identificadas doses muito reduzidas ou muito elevadas de micronutrientes, quando comparadas com as recomendações atuais da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos de ingestão de referência da população ou de ingestão adequada. Dois suplementos alimentares ultrapassam o limite superior tolerável de ingestão de magnésio e, tendo por base valores de ingestão de micronutrientes através de outras fontes alimentares, um suplemento alimentar pode contribuir para que o consumidor exceda o limite superior tolerável de ingestão de zinco. Em todos os suplementos alimentares foram identificadas não conformidades, como o uso de unidades não regulamentadas, e/ou potenciais fontes indutoras de erro para o consumidor, como a utilização de diferentes denominações para a mesma substância ou a apresentação de valores de referência baseados na população geral, sem considerar as necessidades específicas de grávidas e lactantes.
Conclusões: Existe uma considerável variabilidade na composição dos suplementos alimentares destinados a grávidas comercializados em Portugal, com casos de possíveis não conformidades e potenciais riscos associados ao consumo, sem orientação adequada. É recomendado consultar um profissional de saúde antes de iniciar a toma de qualquer suplemento alimentar.
