Introdução: O aleitamento materno exclusivo até os seis meses é recomendado por entidades como a Organização Mundial da Saúde pelos seus inúmeros benefícios tanto para o bebé como para a mãe. Desta forma, têm sido implementadas medidas para aumentar o aleitamento materno exclusivo, com o objetivo de atingir uma prevalência de 70% em 2030.

Objetivos: O objetivo deste estudo foi determinar a prevalência do aleitamento materno exclusivo em recém-nascidos saudáveis à alta hospitalar e na consulta de seguimento, realizada entre a 2.ª e a 10.ª semana de vida.

metodologia: Foi realizado um estudo transversal com os recém-nascidos saudáveis internados entre janeiro e março de 2024, avaliando o aleitamento à alta da maternidade e na consulta de seguimento através dos registos clínicos eletrónicos.

Resultados e discussão: Foram avaliados 416 recém-nascidos, dos quais 60,6% eram alimentados exclusivamente com leite materno à alta hospitalar. Fatores como menor idade gestacional e menor peso ao nascimento foram associados à não realização do aleitamento materno exclusivo. Na consulta de seguimento, a taxa de aleitamento materno exclusivo caiu para 55,0%. Comparando com um estudo de 2019, a prevalência de aleitamento materno exclusivo à data de alta da maternidade diminuiu de 80,5% para 60,6%.

Conclusões: O estudo evidenciou redução da prevalência do aleitamento materno exclusivo entre a alta hospitalar e a consulta de seguimento, sendo o tipo de aleitamento à alta o principal preditor da sua continuidade. Destaca-se a necessidade de reforçar a promoção do aleitamento materno, especialmente nos primeiros dois meses de vida, período crítico para seu estabelecimento. A revisão das práticas relacionadas com o parto por cesariana e o apoio contínuo às mães após a alta hospitalar, bem como o fortalecimento do aconselhamento e a expansão de políticas públicas que incentivem a amamentação, são fundamentais para aumentar a prevalência do aleitamento materno exclusivo e alcançar as metas globais para 2030.

Introdução: A gravidez é um período com exigências energéticas e nutricionais específicas, fundamentais para a manutenção da saúde materna e para o crescimento e desenvolvimento adequados do feto. A suplementação com ácido fólico e iodo é geralmente obrigatória, mas, em alguns casos, pode ser necessário suplementar também outros nutrientes, cuja ingestão através da alimentação não seja suficiente para cobrir as necessidades.

Objetivos: Analisar a rotulagem de suplementos alimentares direcionados a grávidas e lactantes, comercializados em Portugal, com o intuito de avaliar a sua conformidade com a legislação vigente e com as recomendações nutricionais atualmente disponíveis.

Metodologia: Recolheram-se em farmácias, parafarmácias e lojas de produtos dietéticos na zona de Caldas da Rainha e Lisboa, durante o mês de março de 2024, todos os suplementos alimentares disponíveis, que estavam especificamente direcionados para a fase gestacional e/ou de lactação.

Resultados: Na composição dos suplementos alimentares foram identificados essencialmente micronutrientes, ómega-3 e plantas. Foram identificadas doses muito reduzidas ou muito elevadas de micronutrientes, quando comparadas com as recomendações atuais da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos de ingestão de referência da população ou de ingestão adequada. Dois suplementos alimentares ultrapassam o limite superior tolerável de ingestão de magnésio e, tendo por base valores de ingestão de micronutrientes através de outras fontes alimentares, um suplemento alimentar pode contribuir para que o consumidor exceda o limite superior tolerável de ingestão de zinco. Em todos os suplementos alimentares foram identificadas não conformidades, como o uso de unidades não regulamentadas, e/ou potenciais fontes indutoras de erro para o consumidor, como a utilização de diferentes denominações para a mesma substância ou a apresentação de valores de referência baseados na população geral, sem considerar as necessidades específicas de grávidas e lactantes.

Conclusões: Existe uma considerável variabilidade na composição dos suplementos alimentares destinados a grávidas comercializados em Portugal, com casos de possíveis não conformidades e potenciais riscos associados ao consumo, sem orientação adequada. É recomendado consultar um profissional de saúde antes de iniciar a toma de qualquer suplemento alimentar.

INTRODUÇÃO: A alimentação baseia-se no consumo de alimentos e não apenas de nutrientes. Uma alimentação adequada e saudável deve assentar em práticas alimentares que tenham significado social e cultural. Trabalhadores com horários por turnos, como os polícias militares, especialmente aqueles que desempenham funções no turno noturno, podem enfrentar restrições no sono e na dieta, o que pode prejudicar o seu ciclo circadiano e a qualidade do sono.

OBJETIVOS: Avaliar fatores associados à qualidade da dieta e à qualidade do sono em polícias que operam em diferentes setores.

METODOLOGIA: Trata-se de um estudo transversal. Foram recolhidos dados sociodemográficos, o Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh e registos alimentares.

RESULTADOS: Participaram no estudo 40 polícias militares, dos quais 60% afirmaram nunca ter feito acompanhamento nutricional, e verificou-se um aumento de 50% na prevalência de excesso de peso após o ingresso na polícia. Os militares da rádio-patrulha apresentaram maior probabilidade de ter uma qualidade de sono inferior, assim como os homens e aqueles com estado nutricional de excesso de peso ou obesidade.

CONCLUSÕES: Os resultados evidenciam uma relação entre a qualidade do sono e a qualidade da dieta, particularmente no contexto da rádio-patrulha, onde se observou uma prevalência 3,2 vezes superior de má qualidade de sono em comparação com o setor administrativo.

Nesta revisão abordamos o papel de vitaminas e minerais, especialmente a vitamina A, vitamina B, vitamina C, vitamina D, ferro, selénio e zinco, no bom funcionamento do metabolismo do folículo capilar.

É comum observar-se alopecia na prática clínica. Estudos mostram que a deficiência de micronutrientes pode representar um fator de risco para o desenvolvimento, prevenção e tratamento da queda de cabelo anormal, existindo ainda muitas contradições acerca do assunto e sendo necessários estudos adicionais.

A obesidade é considerada uma condição crónica cuja prevalência aumentou consideravelmente nos últimos anos. Estima-se que 55,4% da população tem excesso de peso e 19,8% obesidade no Brasil. A obesidade reduz a expectativa de vida e aumenta o risco de doenças crónicas não transmissíveis. O objetivo deste estudo foi rever os efeitos do ácido alfa-lipoico na redução de peso e no controlo de marcadores de risco para doenças cardiovasculares. O uso de suplementos com ácido alfa-lipoico exerceu um efeito positivo na redução de peso e no controlo dos factores de risco para doenças cardiovasculares, tanto isoladamente como em conjunto com outros compostos. Além disso, o ácido alfa-lipoico mostrou efeito protetor para desenvolvimento de obesidade e potencial no tratamento da síndrome metabólica e outros distúrbios, ajudando também a melhorar a sensibilidade periférica à insulina e os parâmetros antropométricos.

Introdução: A diabetes gestacional é uma das complicações mais comuns da gravidez, associada a altos níveis de inflamação. É caracterizada por alterações do metabolismo glicémico e lipídico num ambiente de inflamação de baixo grau. A terapêutica nutricional tem demonstrado ser coadjuvante ou alternativa ao tratamento farmacológico.

Objetivos: Rever sistematicamente e avaliar criticamente as diretrizes mais recentes da terapêutica nutricional para o tratamento da diabetes gestacional.

Metodologia: Para a realização desta revisão sistemática, realizou-se uma pesquisa no motor de busca PubMed, utilizando os descritores “gestational diabetes” AND “nutrition”, tendo considerado somente a evidência proveniente de estudos experimentais e publicados desde 2018, até à atualidade. A qualidade dos estudos foi avaliada pela aplicação da ferramenta, Cochrane risk of bias tool (RoB2). Foram incluídos 26 estudos.

Resultados: A maioria dos estudos demonstrou que as intervenções dietéticas em grávidas com diabetes gestacional, abrangendo suplementação nutricional, alimentos e padrões alimentares, tiveram efeitos positivos no perfil lipídico, no controlo glicémico, no estado inflamatório, no stress oxidativo, entre outros.

Conclusões: A intervenção dietética na diabetes gestacional revelou ter efeitos na redução da necessidade de tratamento farmacológico, na melhoria da glicemia e dos parâmetros relacionados.

Introdução: As preocupações crescentes sobre os efeitos do açúcar na saúde motivaram as pessoas a reduzir o seu consumo, particularmente no chocolate, com a substituição do açúcar por edulcorantes, que possuem perfil adoçante semelhante à sacarose. Embora haja controvérsia sobre os seus efeitos na saúde, várias autoridades reconhecem-nos como seguros e bem tolerados.

Objetivos: Analisar o valor energético e de macronutrientes dos chocolates com adição de açúcar e os adoçados com edulcorantes, caracterizar o tipo de edulcorantes utilizados e o seu impacto na saúde.

Metodologia: Um estudo de mercado foi realizado em supermercados portugueses físicos e online, analisando quarenta chocolates do tipo branco, leite e preto com adição de açúcar e adoçados com edulcorantes.

Resultados: O chocolate branco com açúcar tem maiores quantidades de gordura (23%), gordura saturada (76%), energia (11%) e açúcares (78%) do que o chocolate branco com edulcorantes. Nos chocolates preto e de leite com edulcorantes, as quantidades de energia (9,9% e 26,6%, respetivamente) e açúcares (84,9% e 96,3%, respetivamente) são mais baixas do que nos respetivos chocolates com açúcar, contudo, o valor de hidratos de carbono é superior nos chocolates com edulcorantes (12,1% e 11,8%, respetivamente). Observou-se que o maltitol era o edulcorante mais utilizado (65,2%), e que os chocolates com adoçantes são pobres na maioria dos macronutrientes e energia. No entanto, o consumo destes deve ser moderado, dado que estudos sugerem que o consumo excessivo de edulcorantes poderá contribuir para alterações metabólicas.

Conclusões: Devido aos possíveis riscos de saúde que os edulcorantes podem trazer, limitar o seu consumo seria a melhor recomendação. No entanto, esta pode ser difícil de implementar quando o desejo pelo sabor doce pode ser um comportamento geneticamente predeterminado.

Introdução: Colaborações em projetos de pesquisa entre universidade e indústria deve ser incentiva na área de nutrição, a fim de potencializar o desenvolvimento sustentável no setor.

Objetivos: Investigar padrões nos relatos de experiências de pesquisadores académicos em projetos com a indústria de alimentos.

Metodologia: Pesquisadores académicos na área de nutrição responderam a um questionário eletrónico quanto aos seus interesses, envolvimento, interdependência, influência e potencial impacto em projetos em parceria com a indústria de alimentos. A análise temática do tipo teórica latente foi aplicada.

Resultados: Dezassete pesquisadores académicos responderam à pesquisa, eles exerciam funções de líder do grupo de pesquisa (23,5%, n=4), pesquisador sénior (29,5%, n=5), pós-graduando em nutrição no nível doutorado (23,5%, n=4) e especialistas em nutrição (23,5%, n=4). Cinco temas foram encontrados dentro dos relatos, sendo 3 deles identificados como benéficos: “Recurso financeiro para pesquisa” (tema 1), “crescimento pessoal e profissional” (tema 2) e “relevância socioeconómica” (tema 3), e 2 como barreiras dessa parceria: “prioridades distintas” (tema 4) e “falta de credibilidade da indústria” (tema 5).

Conclusões: Pesquisadores académicos em Nutrição identificaram a falta de credibilidade e a divergência de prioridades da indústria de alimentos como os principais obstáculos para projetos de colaboração em pesquisa.

Introdução: Sendo a alimentação um fator de risco modificável significativo para a incapacidade e morte prematura, urge a promoção de ambientes alimentares saudáveis incluindo sistemas que promovam uma dieta diversificada, equilibrada e saudável nos setores público e privado. A correta intervenção alimentar pode representar um importante reflexo na saúde dos clientes de uma Unidade de Alimentação e Nutrição, visto que, para muitos, a alimentação recebida na empresa/organização onde trabalha representa a grande refeição do dia e pode representar a base de uma alimentação saudável, com reflexos positivos para a saúde, podendo servir de exemplo para a criação de hábitos alimentares adequados nos comensais.

Objetivos: Elaborar ferramenta de avaliação qualitativa de ementas destinada à população adulta e saudável, com base nas necessidades energéticas totais e distribuição de porções por dia e por refeição segundo as recomendações nacionais e hábitos alimentares da população nacional.

Metodologia: Foram identificadas as necessidades energéticas totais de acordo com as recomendações da Roda dos Alimentos Portuguesa e distribuídas as porções de alimentos para a refeição do almoço. Foram compilados e analisados os critérios referentes a cinco documentos de avaliação qualitativa de ementas e adaptados para a população alvo.

Resultados: Obteve-se uma lista de verificação/grelha para avaliação qualitativa de ementas, constituída por 55 pressupostos divididos por 8 grupos. As ementas serão avaliadas segundo uma classificação de “muito boa”, “boa”, “aceitável” e “não aceitável” consoante os valores percentuais obtidos.

Conclusões: A lista de verificação/grelha obtida com os principais critérios de alimentação saudável para aplicação aquando da elaboração de ementas pretende representar uma ferramenta que auxilie os responsáveis pela elaboração de ementas e os nutricionistas num processo de melhoria da qualidade nutricional das ementas.

A avaliação de intervenções em saúde é um poderoso instrumento de melhoria contínua de qualidade e pode ser entendida como a investigação sistemática dos elementos de uma intervenção, para produzir informação que permita determinar o valor ou mérito da mesma por parte de todos os interessados. O processo avaliativo deve ser parte integrante do desenho e planeamento de qualquer intervenção em Nutrição Comunitária e Saúde Pública. A avaliação apresenta diversas abordagens, dependendo do objecto da avaliação, dos objetivos e do nível de cuidados/organizacional. A avaliação pode ocorrer antes, durante ou após a implementação da intervenção, pode ter uma função formativa ou sumativa, pode servir-se de métodos qualitativos ou quantitativos, e, enquanto julgamento de valor, pode ser normativa ou avaliativa. O desenho e planeamento da avaliação podem recorrer a modelos lógicos que permitem estruturar visualmente a intervenção, de modo a facilitar a operacionalização de ambas. A avaliação deve por isso ser uma ferramenta usada habitualmente pelos nutricionistas de modo a promover a prática da Nutrição Comunitária e Saúde pública baseada na evidência e promover a melhoria contínua da qualidade em saúde.