Introdução: O aumento da esperança média de vida e o envelhecimento da população têm conduzido a um incremento na prevalência de doenças crónicas progressivas como as demências. As alterações metabólicas e fisiológicas que decorrem podem causar comprometimento do estado nutricional destes doentes.

Objetivos: Identificar as preferências relativamente a alimentos e bebidas e conhecer os fatores que condicionam a ingestão alimentar em doentes com demência ou comprometimento cognitivo.

Metodologia: Realizou-se estudo observacional descritivo do tipo transversal que incluiu doentes, com diagnóstico de demência ou comprometimento cognitivo e/ou os seus cuidadores informais, internados na Unidade de Cuidados Continuados e Unidade de Convalescença, Reabilitação e Manutenção do Hospital-Escola da Universidade Fernando Pessoa. A recolha dos dados foi realizada através de um questionário construído especificamente para o efeito.

Resultados: A maioria dos doentes mencionou preferir sabores doces, alimentos cozidos, quentes de consistência normal e como bebida a água. Nos condicionantes da ingestão alimentar salientam-se como fatores mais selecionados a companhia durante as refeições, forma de apresentação e quantidade/volume das refeições.

Conclusões: A intervenção nutricional em contexto hospitalar, para além das necessidades nutricionais do doente, deve ter em consideração as suas preferências, de modo a contribuir para o seu bem-estar geral.

A infertilidade tem aumentado nos últimos anos, afetando cerca de 10% da população portuguesa. O impacto dos tratamentos de procriação medicamente assistida tem potenciado a procura por fatores modificáveis da função reprodutiva. A presente revisão temática tem como objetivo analisar as associações entre alimentação, nutrição e fertilidade feminina.

Tanto a Dieta Mediterrânica como a Dieta de Fertilidade melhoram os parâmetros reprodutivos nas mulheres e a ingestão adequada de antioxidantes parece proteger a função reprodutiva. Pelo contrário, o consumo de ácidos gordos trans, proteínas de origem animal, hidratos de carbono, carnes brancas, laticínios magros, fast-food, bebidas alcoólicas, açucaradas e com cafeína diminuem a fertilidade.

Embora a idade da mulher seja um determinante da função reprodutiva e as associações sejam apenas parcialmente compreendidas, a alteração da alimentação continua a ser uma das intervenções mais promissoras na preservação da fertilidade.

A comunidade científica manifesta atualmente um elevado nível de interesse no jejum intermitente – períodos de abstinência voluntária da ingestão de energia, variando de várias horas a dias. O jejum intermitente é clinicamente relevante e pode representar uma estratégia não-farmacológica eficaz para melhorar o desempenho físico e a composição corporal. Tem sido estudado principalmente em atletas durante o período religioso do Ramadão e em pessoas predispostas a diminuir a adiposidade corporal sem perda paralela de massa isenta de gordura. O objetivo desta revisão é fornecer uma visão geral do impacto do jejum intermitente durante o Ramadão vs. jejum intermitente não-Ramadão ao nível do rendimento físico e da composição corporal. A literatura evidencia algumas inconsistências ao nível da interação entre o jejum intermitente e o rendimento físico. Contudo, verifica-se que o jejum intermitente não-Ramadão é eficaz para melhorar a potência aeróbia máxima. Não obstante, esta intervenção reduz o desempenho durante sprints repetidos ao longo dos primeiros dias de intervenção. Por outro lado, o jejum intermitente durante o Ramadão diminui a potência aeróbia máxima e isto é mais expressivo durante a segunda metade deste período religioso. Ao contrário, ambas as intervenções são manifestamente inócuas ao nível da força muscular e da capacidade anaeróbia. No que se refere à composição corporal, existe maior consensualidade. De acordo com os dados disponíveis, ambas as intervenções estimulam adaptações benéficas a este nível. Ainda assim, as perdas de massa gorda são mais pronunciadas com o jejum intermitente não-Ramadão.

As perturbações mentais representam um dos mais importantes desafios da atualidade. No entanto, as opções terapêuticas disponíveis são nalguns casos pouco eficazes ou apresentam efeitos adversos importantes. As intervenções no âmbito do estilo de vida, onde se incluem intervenções nutricionais e alimentares, têm vindo a ser exploradas na área da doença psiquiátrica e já demonstraram exercer um efeito benéfico na sua otimização. Adicionalmente, existe uma conhecida associação entre a doença psiquiátrica e os distúrbios gastrointestinais. A evidência sugere que indivíduos com depressão apresentam uma composição da microbiota intestinal alterada, em comparação com indivíduos saudáveis. Neste sentido, também a microbiota intestinal poderá constituir um alvo terapêutico atrativo. Várias estratégias para a sua modificação já foram descritas, incluindo a manipulação da dieta, a utilização de suplementos probióticos e/ou prebióticos e o transplante de microbiota fecal. Pretende-se com este trabalho abordar importância da nutrição e alimentação no foro da psiquiatria, assim como a modulação da microbiota intestinal e utilização de psicobióticos, reconhecidos como uma potencial coadjuvante para o tratamento destas patologias. Conclui-se que, embora a informação atualmente disponível nesta matéria seja promissora, são necessários mais estudos para que seja possível formular recomendações específicas e cientificamente sustentadas.

Introdução: Em Portugal, a atuação do Nutricionista na Restauração Comercial permanece, até à data, uma área subexplorada, que carece de uma definição transparente.

Objetivos: Conhecer em que medida(s) pode o Nutricionista intervir nas atividades da Restauração Comercial em Portugal.

metodologia: Aplicou-se o método de Delphi online, cujo painel de peritos contou com a participação de Nutricionistas e Chefes de Cozinha. Na primeira ronda foram recolhidos dados pessoais e foi colocada uma questão aberta sobre a(s) medida(s) de atuação do Nutricionista na Restauração Comercial em Portugal. Na segunda ronda foi aplicado um questionário constituído por questões de resposta fechada relativas às medidas de atuação do Nutricionista na Restauração Comercial identificadas na ronda anterior.

Resultados: Foram identificadas, consensualmente, 14 medidas de atuação do Nutricionista na Restauração Comercial, que se agruparam em 8 categorias: “Valorização Nutricional e Alergénios”, “Elaboração de Menus com Opções Saudáveis”, “Educação Alimentar do Consumidor”, “Segurança Alimentar, Cumprimento Normativo e Legislativo e Auditorias”, “Gestão de Operações”, “Gestão de Pessoas”, “Marketing e Comunicação” e “Rentabilidade do Negócio”.

Conclusões: Do ponto de vista dos Chefes de Cozinha e dos próprios Nutricionistas, estes profissionais de saúde podem intervir amplamente nas atividades da Restauração Comercial em Portugal.

As doenças de origem alimentar são preocupações mundiais de saúde pública e as suas causas possuem relação direta com processos inadequados de boas práticas de higiene. O fortalecimento do conceito da cultura de segurança dos alimentos e a modificação positiva da cultura de uma determinada empresa do setor alimentar estão relacionadas com a possibilidade de diminuição do risco de doenças de origem alimentar. O objetivo do estudo foi identificar, por meio de uma revisão narrativa, o conceito e os elementos da cultura de segurança dos alimentos e aproximar o tema à prática profissional dos responsáveis que atuam em empresas do setor alimentar. A cultura de segurança dos alimentos é o conjunto de atitudes, valores e crenças aprendidas e partilhadas, que contribuem para os comportamentos de higiene num ambiente de preparação e distribuição de alimentos. Os seus principais elementos são: sistemas de gestão, liderança, comunicação, compromisso, ambiente e perceção de risco.

 

 

A utilização de nutrição entérica tem um papel importante na recuperação da criança ou adolescente desnutrido, ou em risco de desnutrição. Atualmente, existe uma ampla gama de dietas entéricas que surgiram ao longo dos últimos 15 anos, como consequência do avanço tecnológico e do conhecimento relativo às necessidades em macro e micronutrientes adequadas a cada doente. É por isso objetivo do presente trabalho fornecer uma atualização qualitativa, e quantitativa, das fórmulas entéricas que se encontram disponíveis no mercado português até ao mês de janeiro de 2021.

 

A nutrição tem a aptidão de contribuir para o bom desempenho dos atletas, e é neste aspeto que os suplementos nutricionais requerem uma consideração especial como estratégia nutricional. O exercício representa um importante desafio para a homeostase corporal global, com respostas imediatas e adaptativas a nível celular e sistémico. Desta forma, os nutrientes desempenham um papel importante na regulação de processos que vão desde a produção de energia até à criação de novas células e proteínas. A disponibilidade de nutrientes contribui para diferenças marcadas em funções como apoio ao sistema imunitário e a redução do stress oxidativo e inflamação, e em alguns casos pode melhorar o desempenho desportivo.

O objetivo deste artigo é realizar uma revisão sistemática sobre o impacto da nutrição na imunidade do atleta.

Evidências sugerem que a dieta do atleta é um modulador da sua imunidade, porém, os mecanismos de ação ainda não estão bem definidos na literatura.

Introdução: A Paralisia Cerebral é um conjunto de distúrbios do desenvolvimento do movimento e postura resultantes de lesões cerebrais no feto ou criança. Estas alterações conduzem frequentemente a dificuldades alimentares e podem estar relacionadas com ingestão alimentar inadequada, estado nutricional, função motora, duração das refeições e dependência, qualidade de vida da criança e dos cuidadores.

Objetivos: Realizar uma revisão sistemática sobre as dificuldades alimentares em crianças e adolescentes com Paralisia Cerebral e o seu impacto negativo na saúde e qualidade de vida.

Metodologia: Recolher e analisar dificuldades alimentares descritas em artigos científicos, segundo as normas PRISMA. De seguida, analisar o seu impacto na saúde e qualidade de vida da população em estudo.

Resultados: Um total de 19 estudos foi selecionado para esta revisão, sendo que todos relataram dificuldades alimentares. Onze referiram dificuldades alimentares de caráter oromotor, 6 identificaram problemas gastrointestinais, 8 abordaram a necessidade de assistência durante as refeições e 1 a recusa alimentar. A associação entre as competências alimentares e a função motora foi relatada em 6 estudos. Dez artigos evidenciaram um comprometimento da ingestão alimentar e 4 afirmaram que este pode conduzir à necessidade de utilização de outras vias de alimentação, como a gastrostomia. A baixa qualidade de vida destas crianças e dos seus cuidadores foi descrita em 3 estudos.

Conclusões: As dificuldades alimentares são recorrentes na população com Paralisia Cerebral. Apesar da procura de um nutricionista ser pouco frequente, este deve ser consultado assim que surjam sinais de um possível comprometimento alimentar para minimizar as suas consequências, melhorando assim o estado nutricional e a qualidade de vida.

Introdução: O conhecimento sobre nutrição dos profissionais de saúde tem um grande impacto na saúde dos indivíduos idosos. No entanto, há escassez de oferta de educação especializada nessa área. O Projeto Nutrition UP 65 foi criado e implementado a nível nacional um curso de qualificação em nutrição para profissionais de saúde, que decorreu entre abril de 2015 e abril de 2017. Pretende-se descrever aqui este processo.

Metodologia: Na Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto, seis professores elaboraram um curso de vinte e sete horas. Este curso é composto por oito horas de contacto direto e dezanove horas de estudo individual e foi acreditado e creditado pela Universidade do Porto com um European Credit Transfer System (ECTS). Foram produzidos materiais didáticos e apresentações, bem como cartazes e desdobráveis informativos. Desenvolveu-se uma prova final para avaliar os conhecimentos dos participantes. Cerca de 10% das unidades de saúde nacionais foram identificadas, selecionadas aleatoriamente em cada área regional (NUTS II) e convidadas a participar.

Resultados: Realizaram-se 35 edições do curso para 784 profissionais de 241 unidades de saúde diferentes por 23 instrutores credenciados pela Universidade do Porto. No teste de avaliação obteve-se uma taxa de aprovação de 99% e uma pontuação média de 16,8 em 20 valores. 45,7% dos participantes classificaram o curso como “bom” e 41,1% como “muito bom”.

Conclusões: O balanço global desta vertente do Projeto Nutrition UP 65 é muito positivo. Os resultados da adesão dos profissionais de saúde demonstram que o interesse por esta área da intervenção nutricional é elevado e que este curso é uma boa oportunidade para expandir o acesso à formação especializada. Assim, destaca-se a necessidade de outras iniciativas que promovam sessões de formação voltadas para tópicos nutricionais. Estas sessões de formação devem ser reconhecidas como um ponto de partida para uma nova abordagem no conhecimento nutricional dos idosos em Portugal.