A ingestão média de sal em crianças é muito superior ao valor recomendado pela Organização Mundial da Saúde, verificando-se que a sopa é uma das principais fontes para a sua ingestão em Portugal. As refeições escolares apresentam um papel importante na alimentação das crianças, sendo essencial garantir uma oferta alimentar adequada e a minimização do desperdício alimentar neste contexto. Este estudo pretendeu caracterizar a quantidade de sal e o desperdício alimentar na sopa servida em refeitórios escolares do município de Loulé. A amostra incluiu as refeições servidas no refeitório de 3 escolas durante 30 dias, num total de 4983 refeições fornecidas a aproximadamente 500 crianças entre os 6 e os 10 anos de idade. A medição de sal na sopa foi realizada com o equipamento LAQUAtwin SALT. Para obtenção da quantidade de sal adicionada na sopa foi calculado o valor médio de sal naturalmente presente nos alimentos. O desperdício alimentar foi medido por pesagem e incluiu a quantificação do desperdício na forma de sobras e restos. A média de sal na sopa por dose foi de 1,02 g de sal. A quantidade de sal na sopa em todas as escolas foi significativamente superior ao recomendado (p<0,05). Verificou-se que o desperdício sob a forma de restos variou entre 25,1% e 49,6%, com um valor médio (DP) de 35,2%±6,9%. O desperdício sob a forma de sobras variou entre 13,2% e 32%, com um valor médio de 19,6%±5,6%. A quantidade de sal presente na sopa da refeição escolar nas escolas avaliadas foi muito superior à recomendada pela Direção-Geral de Educação Portuguesa, representando 28% da ingestão de sal recomendada por dia. O desperdício alimentar foi elevado e muito superior ao valor de referência, traduzindo-se num baixo consumo de sopa.

Introdução: O consumo excessivo de sódio é um grande problema de saúde pública devido à sua associação com a perda de anos de vida saudável. O sal adicionado às refeições representa grande parte da ingestão de sal. O consumo de sal e a perceção do salgado pelos cozinheiros responsáveis pela sua adição nas unidades de produção de refeições podem influenciar a quantidade de sal adicionado.

Objetivos: Este estudo teve como objetivo avaliar a relação entre o consumo de sódio por cozinheiros, a sua perceção de salinidade e o teor de sódio das refeições.

Metodologia: Foi realizado um estudo observacional, transversal e analítico, no qual foram selecionadas 6 cozinheiras de instituições sociais. Foi realizado um questionário às 24 horas anteriores em dois dias não consecutivos para análise do consumo alimentar e nutricional, incluindo a estimativa do consumo de sódio. Para estimar o teor de sódio das refeições, foram recolhidas amostras de refeições preparadas pelas cozinheiras. A média de sódio por refeição foi avaliada por meio de fotometria de chama. As mesmas cozinheiras foram submetidas a dois testes de sensibilidade gustativa. Os dados foram processados no software estatístico SPSS e foi considerado nível de significância estatística de 5%.

Resultados: Não foram observadas diferenças na média do consumo nutricional entre as cozinheiras. Todas as cozinheiras relataram um consumo de sódio superior às recomendações. O aumento do teor de sal foi percebido por todas as cozinheiras. Não foram observadas diferenças no teor de sódio das refeições preparadas entre instituições, e entre a adição de sal praticada por cada cozinheira de diferentes instituições. O mesmo foi observado entre a ingestão de sódio das cozinheiras e o teor de sódio das refeições preparadas. Observou-se que todas as refeições preparadas apresentam valores de sal acima das recomendações. Não foi observada correlação entre o teor de sódio das refeições e o consumo de sódio da cozinheira responsável pela sua preparação.

Conclusões: Não houve relação entre o consumo de sódio das cozinheiras e o teor de sódio das refeições. Porém, o consumo de sódio foi muito superior ao recomendado e foi encontrada um teor de sódio superior às recomendações nas refeições analisadas.

Há cerca de 8 mil anos a espécie humana iniciou a exploração de sal, levando à sua troca e comercialização, sendo este usado principalmente como forma de conservar alimentos e consequente ingestão, tendo sido posteriormente utilizado como forma de tempero. O sal pode ser extraído da água do mar, depósitos minerais, lagos salinos, salmouras e de incrustações de superfícies, possuindo grande impacto a nível socioeconómico, cultural, simbólico e religioso. O sal é um dos principais fornecedores de sódio, um ião essencial à vida, que quando em défice ou em excesso aumenta o risco de doenças (e.g. cardiovasculares, renais e ósseas). Na maior parte dos países o consumo de sal é superior ao limite máximo recomendado (5 g diárias). Com o objetivo de reduzir esse consumo tem-se procurado alternativas, como por exemplo ervas aromáticas, especiarias, condimentos com baixo teor de sódio, sal light, sal de potássio e salicórnia.