Introdução: A alimentação coletiva corresponde ao fornecimento de refeições e bebidas a grupos específicos de indivíduos, tendo como objetivo disponibilizar refeições nutricionalmente equilibradas, seguras e sustentáveis, adequadas às necessidades e características dos clientes. Neste contexto, as empresas de alimentação coletiva devem responder às expectativas dos seus clientes, garantindo simultaneamente a satisfação dos consumidores relativamente às refeições servidas diariamente.

Objetivos: Identificar a perceção em geral dos consumidores sobre a alimentação coletiva em Portugal, mais concretamente sobre a caracterização do setor, dos seus produtos, serviços e empresas a operar em Portugal.

Metodologia: Este estudo transversal baseia-se na realização de um inquérito aos consumidores de alimentação coletiva em Portugal. A população em estudo foi a população portuguesa, maior de idade e que seja ou que já tenha sido consumidora num serviço de alimentação coletiva. A amostra do estudo foi composta por 1900 consumidores.

Resultados: No geral, 42% dos consumidores consideraram que a alimentação coletiva satisfaz simultaneamente as suas necessidades e expectativas, enquanto 44% referiram que satisfaz as suas necessidades, mas não as suas expectativas. A maioria dos consumidores reconhece características gerais da alimentação coletiva, nomeadamente a boa localização e acessibilidade dos serviços (88%), os horários adaptados à atividade dos consumidores (85%) e a possibilidade de convívio durante as refeições (82%). A higiene e segurança alimentar foram os aspetos mais valorizados ao nível dos produtos (82%) e dos serviços (81%), seguidos da temperatura das refeições (78%). Relativamente às empresas de alimentação coletiva, a confiança transmitida foi a característica mais apreciada pelos consumidores (71%), enquanto a inovação apresentou as avaliações menos favoráveis, quer ao nível dos produtos (41%), quer dos serviços (45%) e das próprias empresas (43%).

Conclusões: Os consumidores portugueses apresentam, em geral, uma perceção positiva da alimentação coletiva em Portugal, sobretudo quanto à higiene e segurança alimentar, à temperatura das refeições, à acessibilidade e à confiança. A inovação constitui uma área prioritária de melhoria para responder melhor às expectativas dos consumidores.

Introdução: O nutricionista é um profissional de saúde que entende o contexto em que a nutrição e a alimentação se processam, sendo competente tecnicamente, crítico e comprometido com a realidade existente. Questões relacionadas com sustentabilidade alimentar aplicam-se a todas as áreas da nutrição e dietética, com particular enfoque na área da alimentação coletiva e restauração sendo preciso valorizar as atribuições e contribuições do nutricionista na promoção de um futuro de qualidade.

Objetivos: Descrever a perceção dos nutricionistas que exercem atividade na área da alimentação coletiva e restauração sobre a sua atuação na promoção da sustentabilidade alimentar.

Metodologia: Estudo transversal, realizado por inquirição da população-alvo com um questionário online, através de uma técnica de amostragem não aleatória selecionada por conveniência. A amostra deste estudo é composta por nutricionistas, residentes em Portugal e a exercer atualmente na área da nutrição. Os dados sumarizaram-se através de frequências absolutas e relativas, e através de média, desvio-padrão, mediana e amplitude interquartil. Utilizou-se o teste de Kolmogorov-Smirnov para analisar a adesão das variáveis em estudo à distribuição normal e, conforme os resultados, utilizou-se o teste de Mann-Whitney para comparação entre grupos.

Resultados: Dos 115 participantes, 48,7% consideram totalmente importante a promoção da sustentabilidade alimentar na sua atuação e 46,1% concordam que podem melhorar a sua ação. Os conceitos que mais relacionam com a sustentabilidade alimentar são a redução do desperdício alimentar, preservação do meio ambiente e dos recursos naturais. As principais ações praticadas são a promoção da Dieta Mediterrânica e redução do desperdício alimentar. Verificaram-se diferenças estatisticamente significativas entre as dificuldades e ações dos nutricionistas que exercem atividade em alimentação coletiva e os que não o fazem.

Conclusões: Os resultados demonstram que os participantes acreditam na sua capacidade para colocar ações em prática e reforça a necessidade de reconhecer e capacitar os nutricionistas como importantes agentes promotores da sustentabilidade alimentar.