Introdução: O estado nutricional de uma população constitui um dos principais indicadores de Saúde Pública, pelo que a sua avaliação periódica é primordial para a definição de estratégias que promovam a melhoria do estado de saúde da população em geral.

Objetivos: Caracterizar o estado nutricional e o perfil antropométrico da população adulta da Região Autónoma da Madeira.

Metodologia: Trata-se de um estudo observacional, transversal e descritivo, com uma amostra representativa da população adulta (18-65 anos) da Região Autónoma da Madeira, desenvolvido entre outubro de 2024 e janeiro de 2025. As medidas antropométricas avaliadas incluíram o peso, a estatura e o perímetro da cintura, utilizando os procedimentos padronizados, e foi calculado o índice de massa corporal e a razão cintura/estatura. Para determinar o estado nutricional foi utilizada a classificação da Organização Mundial da Saúde.

Resultados: A amostra foi constituída por 424 indivíduos, com uma idade média de 46,1±12,9 anos, sendo 58,5% do sexo feminino. Quanto ao estado nutricional, 64,4% desta população apresenta excesso de peso, sendo que 35,8% têm pré-obesidade e 27,6% obesidade. Foi ainda encontrada uma associação entre a obesidade e a faixa etária, o nível de escolaridade e o estado civil (p<0,05). O risco aumentado de complicações metabólicas pelo perímetro da cintura foi verificado em 23% desta população e um risco muito aumentado em 44,1%. Considerando a razão cintura/estatura, foi encontrado um risco aumentado em 72,6% desta população.

Conclusões: Esta população apresenta níveis elevados de excesso de peso (pré-obesidade e obesidade), assim como um risco aumentado de complicações metabólicas associadas a parâmetros antropométricos.

Introdução: A Dieta Mediterrânica tem um papel fundamental na prevenção e desenvolvimento de doenças crónicas, pelo que conhecer o padrão alimentar da população é determinante para a definição de estratégias que promovam uma alimentação saudável.

Objetivos: Conhecer a adesão e as barreiras à Dieta Mediterrânica da população adulta da Região Autónoma da Madeira.

Metodologia: Trata-se de um estudo observacional, transversal e descritivo, com uma amostra representativa da população adulta (18-65 anos) da Região Autónoma da Madeira, desenvolvido entre outubro de 2024 e janeiro de 2025. A adesão à Dieta Mediterrânica foi observada através da aplicação do questionário PREDIMED com 14 itens, de acordo com duas categorias: baixa adesão (<10 pontos) e elevada adesão (≥10 pontos). As barreiras à adesão da Dieta Mediterrânica, foram obtidas pela percentagem de respostas dos inquiridos sobre os motivos pelos quais não eram praticados os 10 princípios que caraterizam a Dieta Mediterrânica.

Resultados: A amostra foi constituída por 449 indivíduos, sendo 58,1% do sexo feminino, e apresentaram uma idade média de 45,8±12,8 anos. A adesão média à Dieta Mediterrânica foi de 6,6±2,2 pontos, sendo que 90,4% tinham uma baixa adesão à Dieta Mediterrânica e em 9,6% uma elevada adesão. Nos com baixa adesão, 72,4% tinham escolaridade ≤12 anos e nos com elevada adesão, 53,3% tinham escolaridade >12 anos. Não houve associação estatisticamente significativa entre a elevada adesão à Dieta Mediterrânica e o grupo etário, o sexo, a naturalidade, a zona geográfica e a atividade profissional. Relativamente às barreiras à Dieta Mediterrânica, mais de 50% dos inquiridos referiu cumprir com os 10 princípios que definem a Dieta Mediterrânica.

Conclusões: A maioria da população da Região Autónoma da Madeira tem uma baixa adesão à Dieta Mediterrânica, contudo não se identificaram barreiras à sua adesão para a maioria desta população. Surge assim a necessidade do desenvolvimento de estratégias locais que promovam a prática da Dieta Mediterrânica.

Introdução: A Insegurança Alimentar constitui um problema grave de saúde pública, que pode ser agravado com as medidas de contenção social impostas durante a pandemia COVID-19.

Objetivos: Determinar a prevalência de Insegurança Alimentar e investigar determinantes associados, na Região Autónoma da Madeira, durante o confinamento geral na pandemia COVID-19.

Metodologia: Estudo transversal, com aplicação de um questionário por entrevista telefónica assistida por computador a 351 adultos, entre 22-29 de maio 2020. A presença de Insegurança Alimentar foi avaliada através de uma escala de 2 itens utilizada pela Direção-Geral da Saúde. A análise multivariada (regressão logística, método Forward Wald) foi usada para estudar a associação entre Insegurança Alimentar e variáveis demográficas, socioeconómicas e de estilo de vida.

Resultados: A prevalência de Insegurança Alimentar entre os agregados familiares da Região Autónoma da Madeira foi de 33,6%. No modelo ajustado (para tamanho do agregado familiar, perceção da situação financeira e alteração dos hábitos alimentares) a perceção de uma situação financeira suficiente [OR=4,289, IC 95% (1,584-11,612)] ou difícil/muito difícil [OR=28,561, IC 95% (10,063-81,060)] foi associada a maior probabilidade de reportar Insegurança Alimentar. Os inquiridos que partilhavam casa com três ou mais pessoas apresentaram probabilidade quase 2 vezes maior de Insegurança Alimentar [OR ajustado=1,983; IC 95% (1,083-3,632)], do que aqueles que viviam sozinhos ou partilhavam casa com apenas mais uma pessoa. A alteração de hábitos alimentares, durante o período de contenção, associou-se positivamente ao risco de Insegurança Alimentar [OR ajustado=2,242; IC 95% (1,288-3,902)].

Conclusões: Na Região Autónoma da Madeira, 33,6% das famílias foram identificadas em risco de Insegurança Alimentar, durante o período de confinamento pela COVID-19. No futuro, em contextos semelhantes, especial atenção deve ser dada a famílias em situação financeira mais frágil, com agregados familiares de maiores dimensões e com tendência para alterar os seus hábitos alimentares.