Introdução: Utilizados como substitutos do açúcar na gestão do peso e da glicemia, os adoçantes não nutritivos são amplamente consumidos por crianças em idade pré-escolar. Tal cenário justifica a necessidade de sistematizar a evidência científica de maior qualidade disponível sobre o tema.

Objetivos: Compilar e integrar a evidência sobre o impacto do consumo de açúcar e de adoçantes não nutritivos em crianças em idade pré-escolar.

Metodologia: A recolha de dados realizou-se através da pesquisa de evidência científica nas bases de dados: ScopusScienceDirect e PubMed. Na revisão foram incluídos 35 artigos publicados entre 1994 e 2024.

Resultados: Da literatura consultada, verificou-se que a ingestão de açúcar, principalmente sob a forma de bebidas açucaradas, promove o excesso de peso em crianças em idade pré-escolar. Por sua vez, os adoçantes não nutritivos não promovem o excesso de peso, mas também não parecem trazer benefício na perda de peso. Na cárie dentária, em crianças em idade pré-escolar, a evidência é clara sobre o malefício da ingestão de açúcar, mas em relação aos adoçantes não nutritivos esta evidência é escassa. Na diabetes, e na preferência pelo sabor doce, a escassa evidência aponta para um impacto nulo dos adoçantes não nutritivos e negativo para a ingestão de açúcar em crianças em idade pré-escolar.

Conclusões: A ingestão de açúcar confirma-se prejudicial à saúde em crianças em idade pré-escolar. Por sua vez, a escassa evidência científica sobre os adoçantes não nutritivos leva-nos a sermos cautelosos e não recomendar o seu uso em crianças desta faixa etária.

As Dificuldades Alimentares na infância caracterizam-se por alterações do comportamento alimentar que variam desde recusa alimentar, ingestão seletiva, diminuição da quantidade de alimentos ingerida, a aversão a alimentos. Na maioria dos casos, as dificuldades alimentares manifestam-se até aos 6 anos de idade e podem apresentar-se como um problema isolado e transitório. Contudo, o subdiagnóstico e/ou a ausência de intervenção apropriada são preditores da sua persistência durante a infância e, eventualmente, ao longo da adolescência e vida adulta.

Esta revisão, tem como principal objetivo, a caracterização das Dificuldades Alimentares de causa não-orgânica mais frequentes na infância, designadamente Picky Eating, Neofobia Alimentar e Seletividade Alimentar, e a compreensão dos seus determinantes. Pretende-se também alertar para importância da sua identificação precoce e da implementação de critérios de classificação, diagnóstico e tratamento. Sucintamente, descreve-se o impacto das Dificuldades Alimentares na saúde da criança, e apresentam-se algumas propostas de intervenção nutricional. Para o efeito, realizou-se uma revisão da literatura que pretendeu identificar artigos publicados em inglês e português através das bases de dados MEDLINE (Pubmed), Elsevier e Google Scholar. Foram selecionados 23 artigos, publicados entre 2008 e 2024.

Apesar da inexistência de critérios de classificação e diagnóstico bem definidos, as manifestações clínicas das três dificuldades alimentares mais frequentes na infância são distintas. Enquanto a neofobia alimentar se caracteriza pela rejeição alimentos novos ou desconhecidos, o picky eating e a seletividade alimentar caracterizam-se pela limitação da aceitação e ingestão de alimentos, de forma mais severa e persistente na seletividade alimentar. Porém, todas elas cursam com compromisso na aquisição de hábitos alimentares nas crianças, impactando a qualidade da alimentação e, por conseguinte, a sua saúde a curto e a longo prazos.

Conclui-se que, devido ao impacto das Dificuldades Alimentares na saúde infantil, é essencial estabelecer critérios de diagnóstico claros. A sensibilização dos profissionais de saúde para medidas preventivas, como o aleitamento humano e a educação alimentar desde idades precoces, contribui para um desenvolvimento saudável e uma relação equilibrada com a alimentação. Dada a complexidade do tema, é necessária mais investigação que permita a definição de estratégias de intervenção nutricional.