Introdução: Utilizados como substitutos do açúcar na gestão do peso e da glicemia, os adoçantes não nutritivos são amplamente consumidos por crianças em idade pré-escolar. Tal cenário justifica a necessidade de sistematizar a evidência científica de maior qualidade disponível sobre o tema.

Objetivos: Compilar e integrar a evidência sobre o impacto do consumo de açúcar e de adoçantes não nutritivos em crianças em idade pré-escolar.

Metodologia: A recolha de dados realizou-se através da pesquisa de evidência científica nas bases de dados: ScopusScienceDirect e PubMed. Na revisão foram incluídos 35 artigos publicados entre 1994 e 2024.

Resultados: Da literatura consultada, verificou-se que a ingestão de açúcar, principalmente sob a forma de bebidas açucaradas, promove o excesso de peso em crianças em idade pré-escolar. Por sua vez, os adoçantes não nutritivos não promovem o excesso de peso, mas também não parecem trazer benefício na perda de peso. Na cárie dentária, em crianças em idade pré-escolar, a evidência é clara sobre o malefício da ingestão de açúcar, mas em relação aos adoçantes não nutritivos esta evidência é escassa. Na diabetes, e na preferência pelo sabor doce, a escassa evidência aponta para um impacto nulo dos adoçantes não nutritivos e negativo para a ingestão de açúcar em crianças em idade pré-escolar.

Conclusões: A ingestão de açúcar confirma-se prejudicial à saúde em crianças em idade pré-escolar. Por sua vez, a escassa evidência científica sobre os adoçantes não nutritivos leva-nos a sermos cautelosos e não recomendar o seu uso em crianças desta faixa etária.

Introdução: As preocupações crescentes sobre os efeitos do açúcar na saúde motivaram as pessoas a reduzir o seu consumo, particularmente no chocolate, com a substituição do açúcar por edulcorantes, que possuem perfil adoçante semelhante à sacarose. Embora haja controvérsia sobre os seus efeitos na saúde, várias autoridades reconhecem-nos como seguros e bem tolerados.

Objetivos: Analisar o valor energético e de macronutrientes dos chocolates com adição de açúcar e os adoçados com edulcorantes, caracterizar o tipo de edulcorantes utilizados e o seu impacto na saúde.

Metodologia: Um estudo de mercado foi realizado em supermercados portugueses físicos e online, analisando quarenta chocolates do tipo branco, leite e preto com adição de açúcar e adoçados com edulcorantes.

Resultados: O chocolate branco com açúcar tem maiores quantidades de gordura (23%), gordura saturada (76%), energia (11%) e açúcares (78%) do que o chocolate branco com edulcorantes. Nos chocolates preto e de leite com edulcorantes, as quantidades de energia (9,9% e 26,6%, respetivamente) e açúcares (84,9% e 96,3%, respetivamente) são mais baixas do que nos respetivos chocolates com açúcar, contudo, o valor de hidratos de carbono é superior nos chocolates com edulcorantes (12,1% e 11,8%, respetivamente). Observou-se que o maltitol era o edulcorante mais utilizado (65,2%), e que os chocolates com adoçantes são pobres na maioria dos macronutrientes e energia. No entanto, o consumo destes deve ser moderado, dado que estudos sugerem que o consumo excessivo de edulcorantes poderá contribuir para alterações metabólicas.

Conclusões: Devido aos possíveis riscos de saúde que os edulcorantes podem trazer, limitar o seu consumo seria a melhor recomendação. No entanto, esta pode ser difícil de implementar quando o desejo pelo sabor doce pode ser um comportamento geneticamente predeterminado.