Introdução: A Alimentação Coletiva tem como objetivo o fornecimento de refeições nutricionalmente equilibradas, seguras e sustentáveis. O setor tem vindo a sofrer profundas alterações na sua atividade.

Objetivos: Caracterizar os consumidores dos serviços de Alimentação Coletiva em Portugal e avaliar a sua perceção acerca dos problemas e potenciais soluções para o setor.

Metodologia: O estudo incidiu sobre a população portuguesa, maior de idade e utilizadores de serviços de Alimentação Coletiva. Foi aplicado um inquérito por questionário, no formato online e em papel, em 2020 e 2021. A versão online foi divulgada por e-mail, através das redes sociais, em unidades de Alimentação Coletiva de várias empresas e em entidades do ramo, e a versão em papel foi enviada para distribuição preferencial em algumas empresas de Alimentação Coletiva.

Resultados: Os consumidores dos serviços de Alimentação Coletiva em Portugal são maioritariamente mulheres, portuguesas, com idades entre os 26 e os 55 anos, com formação superior, casadas ou a viver em união de facto e com um agregado familiar de 3-4 elementos. A maioria dos consumidores está satisfeita com os serviços de Alimentação Coletiva e é consumidora destes serviços há mais de 10 anos. Tanto os problemas como as principais soluções identificadas pelos consumidores concentram se nos produtos ou serviços disponibilizados, nomeadamente na qualidade (por exemplo, no equilíbrio nutricional) e variedade oferecidos. Destacam-se também as sugestões de introdução de novos produtos ou serviços, nomeadamente mais saudáveis. Também foram muito mencionados os problemas/sugestões relacionados com os recursos humanos, como as dificuldades no recrutamento e a importância da formação.

Conclusões e Originalidade: O estudo caracteriza o consumidor dos serviços de Alimentação Coletiva em Portugal, para além de endereçar os problemas por si identificados, tal como eventuais soluções para a sua resolução, sempre com especial foco na melhoria da qualidade dos serviços e produtos da Alimentação Coletiva e na satisfação do consumidor nesta indústria.

Introdução: A dieta mediterrânica apresenta um património gastronómico que inclui pratos de coelho. Algumas tabelas de composição de alimentos apresentam informação escassa em relação ao rendimento e partes comestíveis da carne de coelho.

Objetivos: Este estudo procurou investigar como diferentes métodos de confeção culinária afetam o rendimento e o peso edível de diferentes peças de carne de coelho.

Metodologia: Seis coelhos machos foram abatidos e as carcaças dissecadas: perna traseira, costelas, barriga, lombo, coxa e pá foram analisadas em duplicado (n=12). Os métodos de confeção realizados foram cozer, assar no forno e fritura até atingir temperatura interna atingir 75°C. Após a confeção, as amostras foram arrefecidas à temperatura ambiente até 30 minutos, desossadas e em seguida pesadas para cálculo da percentagem de peso edível e rendimento.

Resultados: O método de fritura foi o mais rápido (4,8 a 13,6 minutos) e o método de fervura foi o mais demorado (26,9 a 33,9 minutos). Após a confeção, o peso edível médio foi maior na coxa (86,7; DP 12,4 g) e no lombo (52,7; DP 10,1 g) e menor na perna traseira (17,8; DP 2,8 g) e barriga (13,5; DP 4,6 g). O método de cozer apresenta menores perdas (28,2; DP 6,4%) e maior peso edível (51,7; DP 7,6%), e a fritura apresenta maiores perdas (36,0; DP 10,0%) e menor peso edível (47,0; DP 8,3%).

Conclusões: O método cozer demonstrou desempenho superior apesar dos tempos de confeção serem mais longos, enquanto que o método fritura apresentou resultados menos favoráveis. Este estudo fornece informações valiosas para a gastrotecnia e a gestão na restauração.

Introdução: O setor da Alimentação Coletiva assumiu importância crescente e responsabilidade na ingestão alimentar da população. Além do impacto socioeconómico o setor da Alimentação Coletiva tem um forte impacto ambiental o que levou a que nos últimos anos tenham sido feitas diversas modificações no sentido de produzir refeições de forma mais sustentável. As preocupações têm-se centrado na eficiência dos equipamentos, uso de materiais reutilizáveis, compra de produtos locais, redução da utilização de alimentos processados e com múltiplas embalagens, separação ecológica de resíduos e estratégias de redução do desperdício alimentar.

Objetivos: Este estudo tem como objetivo avaliar o impacto da implementação das medidas de contingência para a pandemia do Covid 19 nas práticas ambientais dos serviços de Alimentação Coletiva no território português.

Metodologia: A amostra foi obtida por conveniência através de contacto com serviços de Alimentação Coletiva a solicitar o preenchimento de um questionário incluindo perguntas de escolha múltipla e respostas abertas.

Resultados: Obteve-se uma amostra de 139 participantes. Os resultados evidenciam uma diminuição do número de refeições servidas, acompanhada por um aumento substantial da quantidade de materiais descartáveis, tais como pratos, toalhas de papel, sacos, embalagens, tais como embalagens individuais para talheres, pão e fruta e material de proteção individual e produtos de higiene (mascaras faciais, viseiras e desinfetante das mãos).

Conclusões: Este estudo evidencia um retrocesso severo no setor de Alimentação Coletiva como resultado da implementação das medidas de contingência para o Covid 19. Os decisores politicos devem avaliar as medidas adotadas que ainda estão em vigor, manter as que se justificam e se mostraram eficazes e positivas e abandonar ou aliviar as desnecessárias. Outras medidas como o reforço dos procedimentos higio sanitários devem ser mantidos para garantir a segurança alimentar e ambiental e a confiança do consumidor nos estabelecimentos de Alimentação Coletiva.

Introdução: Sendo a alimentação um fator de risco modificável significativo para a incapacidade e morte prematura, urge a promoção de ambientes alimentares saudáveis incluindo sistemas que promovam uma dieta diversificada, equilibrada e saudável nos setores público e privado. A correta intervenção alimentar pode representar um importante reflexo na saúde dos clientes de uma Unidade de Alimentação e Nutrição, visto que, para muitos, a alimentação recebida na empresa/organização onde trabalha representa a grande refeição do dia e pode representar a base de uma alimentação saudável, com reflexos positivos para a saúde, podendo servir de exemplo para a criação de hábitos alimentares adequados nos comensais.

Objetivos: Elaborar ferramenta de avaliação qualitativa de ementas destinada à população adulta e saudável, com base nas necessidades energéticas totais e distribuição de porções por dia e por refeição segundo as recomendações nacionais e hábitos alimentares da população nacional.

Metodologia: Foram identificadas as necessidades energéticas totais de acordo com as recomendações da Roda dos Alimentos Portuguesa e distribuídas as porções de alimentos para a refeição do almoço. Foram compilados e analisados os critérios referentes a cinco documentos de avaliação qualitativa de ementas e adaptados para a população alvo.

Resultados: Obteve-se uma lista de verificação/grelha para avaliação qualitativa de ementas, constituída por 55 pressupostos divididos por 8 grupos. As ementas serão avaliadas segundo uma classificação de “muito boa”, “boa”, “aceitável” e “não aceitável” consoante os valores percentuais obtidos.

Conclusões: A lista de verificação/grelha obtida com os principais critérios de alimentação saudável para aplicação aquando da elaboração de ementas pretende representar uma ferramenta que auxilie os responsáveis pela elaboração de ementas e os nutricionistas num processo de melhoria da qualidade nutricional das ementas.

 

As doenças de origem alimentar são preocupações mundiais de saúde pública e as suas causas possuem relação direta com processos inadequados de boas práticas de higiene. O fortalecimento do conceito da cultura de segurança dos alimentos e a modificação positiva da cultura de uma determinada empresa do setor alimentar estão relacionadas com a possibilidade de diminuição do risco de doenças de origem alimentar. O objetivo do estudo foi identificar, por meio de uma revisão narrativa, o conceito e os elementos da cultura de segurança dos alimentos e aproximar o tema à prática profissional dos responsáveis que atuam em empresas do setor alimentar. A cultura de segurança dos alimentos é o conjunto de atitudes, valores e crenças aprendidas e partilhadas, que contribuem para os comportamentos de higiene num ambiente de preparação e distribuição de alimentos. Os seus principais elementos são: sistemas de gestão, liderança, comunicação, compromisso, ambiente e perceção de risco.

Introdução: Em Portugal, cerca de 1 milhão de toneladas de alimentos são desperdiçados anualmente. A avaliação do desperdício alimentar nos estabelecimentos de ensino desempenha uma importante função na educação alimentar, na perspetiva nutricional, social e ética, devendo a mesma ser realizada por rotina e como forma de sensibilizar para a temática. O desperdício alimentar pode contribuir para um aporte nutricional inadequado, pelo que a sua avaliação se reveste de elevada importância.

Objetivos: Comparar três metodologias de avaliação do desperdício alimentar total e por componentes numa cantina escolar do ensino superior.

Metodologia: A avaliação do desperdício alimentar foi realizada nas refeições do almoço e do jantar num dia escolhido aleatoriamente. Foram utilizados os métodos de pesagem por componentes agregados, pesagem por componentes do prato e análise visual por retrato fotográfico. Foi utilizada uma amostra de 52 refeições nos métodos de análise prato-a-prato.

Resultados: No método de pesagem por componente do prato obteve-se 20,5% de desperdício. No método de pesagem por componentes agregados aferiu-se um desperdício de 18,9%. Através da análise visual do desperdício por retrato fotográfico, conclui-se que cerca de 55,8% das refeições servidas apresentavam um desperdício correspondente a 0%.

Conclusões: Verificou-se discrepância entre os resultados avaliados pelas metodologias por pesagem agregada e pesagem por componente no prato. Por outro lado, a metodologia da análise visual por retrato fotográfico pareceu ser uma forma menos conclusiva de análise, pois, de acordo com este método, cerca de metade das refeições não originaram restos. Face aos resultados observados, e tendo por base o procedimento de aferição do desperdício alimentar em cada uma das metodologias, o método por pesagem de componentes do prato, por amostragem, parece não ser uma metodologia tão adequada para a avaliação contínua, quando comparada com a avaliação do desperdício por componentes agregadas.