Introdução: As fórmulas infantis apresentam especificidades na sua manipulação, preparação e conservação. Questionou-se “O que sabem os pais de lactentes saudáveis sobre a utilização/preparação de fórmulas infantis?”.

Objetivos: Analisar evidências científicas disponíveis na literatura sobre conhecimento dos pais de lactentes saudáveis acerca da utilização e preparação de fórmulas infantis; Identificar os conhecimentos que possuem sobre a sua utilização e preparação; Identificar as práticas que desenvolvem e os recursos de informação que dispõem sobre a utilização de fórmulas infantis.

Metodologia: Revisão Integrativa da Literatura, realizada entre março-junho/2023, com pesquisa de artigos na EBSCOHost, que incluíssem pais de lactentes saudáveis que utilizam fórmula infantil, independente da metodologia de investigação utilizada, em português e inglês, de acesso livre e gratuito, totalmente disponíveis, publicados de 2017-2023 que respondessem às questões e objetivos. Excluíram-se estudos com pais de lactentes não saudáveis e revisões da literatura.

Resultados: Incluíram-se 4 artigos. Os pais detêm poucos conhecimentos e sentem-se negligenciados pelos profissionais de saúde, recorrendo a fontes de informação informais para esclarecimento das dúvidas. Várias más práticas foram detetadas na utilização das fórmulas infantis.

Conclusões: Os pais que decidem alimentar os seus filhos com fórmula infantil necessitam ser capacitados e orientados sobre a sua correta utilização pelos profissionais de saúde.

Introdução: Apesar do crescente esforço em medidas de segurança alimentar, as intoxicações alimentares continuam a ser uma realidade. A perceção dos colaboradores em relação à segurança alimentar e higiene no local de trabalho (ambiente de segurança alimentar) pode influenciar o estado microbiológico do produto final.

Objetivos: Estudar as relações entre o ambiente de segurança alimentar, conhecimentos sobre segurança alimentar e características pessoais e profissionais de colaboradores de unidades de alimentação (cantinas e bares) em instituições do ensino superior.

Metodologia: Avaliou-se uma amostra de conveniência de 77 trabalhadores de 15 cantinas e bares em instituições de ensino superior de três cidades portuguesas (Porto, Aveiro e Coimbra). Foram avaliadas as relações dos dados sociodemográficos e sobre o local de trabalho com o ambiente de segurança alimentar (18 itens divididos em seis componentes) e os conhecimentos sobre segurança alimentar (20 itens agrupados em quatro temas).

Resultados: O ambiente de segurança alimentar (mediana = 83,3%; P25 = 70,8%; P75 = 88,9%) não se associou significativamente aos conhecimentos (mediana = 45,0%; P25 = 30,0; P75 = 55,0): rs = -0,128; p = 0,262. Os conhecimentos sobre segurança alimentar relacionaram-se positivamente com os anos de experiência no local de trabalho atual (rs = 0,247; p = 0,032) e no setor alimentar (rs = 0,326; p = 0,004). Os trabalhadores que tinham tido formação no local de trabalho atual apresentavam maiores conhecimentos sobre segurança alimentar (média = 45,0% vs. 40,0%; p = 0,021). Nenhuma das relações das características dos trabalhadores com o ambiente de segurança alimentar foi estatisticamente significativa.

Conclusões: Os colaboradores de unidades de alimentação em instituições do ensino superior em Portugal possuem baixos conhecimentos sobre segurança alimentar, apesar da perceção positiva sobre o clima de segurança alimentar. A experiência e formação relacionam-se com os conhecimentos sobre segurança alimentar mas não com o ambiente de segurança alimentar.

Introdução: Um nível adequado de conhecimentos sobre alimentação e nutrição pode ser um fator importante para suportar escolhas alimentares mais saudáveis.

Objetivos: Avaliar o nível de conhecimento sobre alimentação e nutrição de estudantes do 1.º ciclo de estudos da área das Ciências da Saúde e os seus fatores associados.

Metodologia: Foi conduzido um estudo observacional transversal, que incluiu estudantes do 1.º ano do Ensino Superior da área das Ciências da Saúde no ano letivo de 2019/2020 (n=150). Os dados foram recolhidos através de um questionário estruturado de autopreenchimento. Os conhecimentos sobre alimentação/nutrição foram avaliados através de uma escala previamente testada na população portuguesa. As variáveis categóricas foram comparadas através do teste de Qui-quadrado e as variáveis quantitativas contínuas através do teste ANOVA.

Resultados: A percentagem média de respostas corretas na escala de conhecimentos sobre alimentação/nutrição foi de 77,9% (desvio-padrão=12,57) (variação 36%-100%). Ao analisarmos os fatores associados a um conhecimento em alimentação/nutrição elevado (>90% respostas corretas), verificou-se que este foi significativamente superior nos indivíduos que reportaram um consumo médio mais elevado de fruta e produtos hortícolas (4,6 vs. 3,2 porções/dia, p=0,019), particularmente de sopa, nos estudantes com mães mais escolarizadas (12,7 vs. 11,3 anos médios de escolaridade, p=0,039) e nos estudantes da Faculdade de Ciências da Saúde comparativamente aos da Escola Superior de Saúde (55,0% vs. 45,0%, p=0,018).

Conclusões: Os estudantes da área das Ciências da Saúde mostraram um nível de conhecimentos sobre alimentação/nutrição relativamente elevado. Um maior conhecimento foi associado a um maior consumo de fruta e produtos hortícolas, uma maior escolaridade da mãe e ao local de Ensino (Faculdade/Escola).

Introdução: O conhecimento em nutrição é um determinante modificável do comportamento alimentar, importante para a adoção de hábitos alimentares saudáveis e diferenciadores na otimização do desempenho desportivo.

Objetivos: Traduzir e adaptar um questionário de conhecimentos em nutrição geral e no desporto e estudar as suas propriedades psicométricas.

Metodologia: Procedeu-se à tradução, retrotradução e adaptação do instrumento, incluindo a redução do número de itens com base na aplicação a estudantes do ensino superior (n = 238) de três áreas de conhecimentos distintos: nutrição (n = 46), engenharia (n = 118) e letras (n = 74), e estudaram-se as suas propriedades psicométricas: validade de conteúdo, validade de grupos mistos, validade fatorial e consistência interna.

Resultados: O conteúdo do questionário foi analisado por um conjunto de avaliadores através de uma análise qualitativa e quantitativa, que resultou num coeficiente de validade de conteúdo de 0,90. Através da avaliação da diferença de conhecimentos entre os três grupos, e de acordo com a análise da consistência interna e análise fatorial, dos 90 itens que compunham o questionário inicial foram excluídos 48. Foram repetidas as análises fatorial e de consistência interna para a versão final com 42 itens. O questionário apresenta, para cada uma das secções (nutrição geral e nutrição no desporto), uma estrutura unifatorial e boa consistência interna (valores de alfa de Cronbach de 0,883 e 0,720, respetivamente).

Conclusões: Este estudo gerou uma versão mais curta e com boas propriedades psicométricas de um questionário de conhecimentos em nutrição geral e no desporto. A sua aplicação permitirá aos profissionais da área analisar as diferenças de conhecimentos entre atletas de diferentes sexos e desportos, estabelecendo assim estratégias educacionais mais direcionadas e efetivas.