Introdução: A perda de peso e a desnutrição são complicações frequentes no doente oncológico com necessidades paliativas, dada a severidade e o impacto da doença e os tratamentos associados. A literatura demonstra que a implementação de um plano de cuidados onde existe a integração de rotinas de identificação e avaliação do risco nutricional, em fases precoces da progressão da doença oncológica, parece melhorar a qualidade de vida e sobrevida dos doentes com este diagnóstico. Desta forma, é importante conhecer a realidade atual em cuidados paliativos oncológicos, para que se possam adotar protocolos de rastreio e avaliação nutricional mais assertivos e proativos.

Objetivos: Rever a evidência científica publicada acerca do estado nutricional dos doentes oncológicos em cuidados paliativos, aos quais foram aplicadas ferramentas de rastreio nutricional, de forma a avaliar a necessidade de implementar protocolos de rastreio nutricional e, caso necessário, avaliação nutricional.

Metodologia: Pesquisou-se em 3 bases de dados (MEDLINE, Web of Knowledge, Scopus) através das palavras-chave “nutrition screening toolsAND cancerANDpalliative care”. A pesquisa decorreu no dia 31 de maio de 2021 e foram encontrados 37 artigos. 5 artigos preencheram os critérios pré-selecionados para a população e para a intervenção.

Resultados: De acordo com os artigos contemplados, as ferramentas utilizadas para detetar risco nutricional são várias e, apesar de algumas avaliarem diferentes parâmetros, todas elas são fidedignas para chegar a um resultado que vai influenciar a qualidade de vida do doente, ao possibilitar uma atuação precoce, bem como uma intervenção alimentar e nutricional em todas as fases da doença. A literatura defende o uso da PG-SGA para a população oncológica paliativa, referindo-a como uma ferramenta com boa sensibilidade e especificidade, prática que engloba diferentes tipos de dados.

Conclusões: Apesar de serem conhecidos e comprovados os benefícios da realização do rastreio nutricional nos doentes oncológicos, quando se especifica para a população paliativa, ainda não existem dados na literatura que evidenciem e suportem esta prática clínica. Desta forma, salienta-se a importância de reforçar os estudos para fundamentar a necessidade da utilização de ferramentas de avaliação do risco nutricional em doentes oncológicos paliativos.

Introdução: Os idosos em estruturas residenciais apresentam elevada prevalência de desnutrição, fragilidade e sarcopenia, condições que podem ter implicações negativas na atual pandemia COVID-19.
Objetivos: Proceder a uma revisão de escopo de forma a mapear a evidência da desnutrição, fragilidade e sarcopenia como fator prognóstico da COVID-19 em idosos institucionalizados.
Metodologia: Análise da literatura publicada entre maio e setembro de 2020 na base de dados eletrónica Pubmed, utilizando os termos “covid 19”, “nursing homes”, “malnutrition”, “frailty” e “sarcopenia”, de acordo com as recomendações PRISMA-ScR.
Resultados: Dos 14 estudos selecionados, 3 analisaram o prognóstico da COVID-19 em estruturas residenciais para idosos, 2 investigaram a progressão da COVID-19 em idosos com desnutrição e 9 com fragilidade. A revisão da literatura sugere os funcionários como vetor importante na transmissão e propagação do coronavírus em idosos institucionalizados e a elevada mortalidade parece estar relacionada com complicações da própria doença. Os idosos em risco nutricional apresentam piores outcomes clínicos enquanto os frágeis são associados a outras causas de morte não relacionadas com complicações da COVID-19. Desconhecem-se as implicações da sarcopenia na evolução da COVID-19.
Conclusões: A evidência atual é insuficiente para se estabelecer uma associação entre a desnutrição, fragilidade e sarcopenia e o prognóstico da infeção pelo novo coronavírus em idosos institucionalizados. No entanto, a recente pandemia veio reforçar a vulnerabilidade desta população e a necessidade da avaliação e intervenção nutricional nos cuidados geriátricos, sendo também necessária mais investigação que relacione a nutrição e a COVID-19 em estruturas residenciais para pessoas idosas.