Introdução: A fortificação é o processo de adição de nutrientes aos alimentos e tem vindo a ser utilizada para combater a deficiência em micronutrientes em populações. Em Portugal, a fortificação de alimentos é voluntária, não existindo estudos que avaliem o seu impacto quer na ingestão, quer nas prevalências de inadequação de micronutrientes. Para isso, é necessário conhecer-se a oferta de alimentos fortificados em micronutrientes.

Objetivos: Identificar e caracterizar a oferta nacional de alimentos fortificados em micronutrientes através da análise de uma base de dados de rótulos alimentares recolhidos no âmbito do IAN-AF 2015-2016.

Metodologia: A base de dados utilizada integra informações sobre todos os alimentos que foram consumidos pelos participantes do IAN-AF 2015-2016, juntamente com informações obtidas através dos rótulos dos alimentos relatados como consumidos. Os alimentos fortificados em micronutrientes foram identificados pela presença de quaisquer micronutrientes que podem ser adicionados aos alimentos de acordo com o Regulamento (CE) n.º 1170/2009. O estudo compreendeu a análise de 5704 rótulos pertencentes a 12 grupos de alimentos do IAN-AF 2015-2016.

Resultados: Foram identificados 911 alimentos fortificados em micronutrientes. A maior proporção de alimentos fortificados em micronutrientes foi encontrada no grupo Cereais, derivados e tubérculos (43%), seguido por Bolachas, bolos e doces (15%), Produtos lácteos (14%), Bebidas não alcoólicas (11%), Substitutos de leite e produtos lácteos (10%) e Óleos e gorduras (7%). O número de micronutrientes adicionados variou de 1 a 17, com 37% dos produtos fortificados com um ou dois micronutrientes e os restantes 63% com, pelo menos, três. As vitaminas B2 (49%), B6 (45%), B3 (44%), B9 (43%), D (42%), B1 (37%) e B12 (35%) e os minerais ferro (45%) e cálcio (37%) são os micronutrientes mais usados para fortificar alimentos.

Conclusões: Aproximadamente 16% dos alimentos reportados como consumidos pelos participantes do IAN-AF 2015-2016 são alimentos fortificados em micronutrientes. Este estudo é o primeiro passo para se investigar a contribuição do consumo de alimentos fortificados em micronutrientes para a ingestão habitual de micronutrientes pela população portuguesa ou subgrupos específicos, a sua adequação e os potenciais riscos de ingestão excessiva.

Introdução: A ingestão adequada de nutrientes é importante para que os indivíduos atinjam seu potencial de crescimento e desenvolvimento, principalmente durante a adolescência. Embora a maioria dos estudos anteriores tenha avaliado a adequação da ingestão de alimentos com base no recordatório 24h, poucos usaram um questionário de frequência alimentar validado para uma população específica.

Objetivos: Avaliar a adequação da ingestão de macro e micronutrients em adolescentes, de acordo com as DRIs usando um questionário de frequência alimentar validado.

Metodologia: Este estudo transversal foi realizado como parte do Programa de Transtornos de Ansiedade na Infância e Adolescência. Em 2013/2014, foram realizadas análises de consumo alimentar por meio do questionário de frequência alimentar, composição corporal e análises bioquímicas.

Resultados: Foram analisados 38 adolescentes (18 meninos, 20 meninas; idade média [± DP], 16,66 ± 1,55 anos e 16,39 ± 1,62 anos; índice de massa corporal médio, 21,23 ± 3,7 e 22,61 ± 4,09 kg/m2, respetivamente). Encontramos alta prevalência de ingestão inadequada de folato (em 50% dos meninos e 65% das meninas, de acordo com as necessidades diárias médias estimadas (EAR) e ingestão de sódio superior ao nível de ingestão superior tolerável (UL) em 88,89% dos meninos e 85%. As meninas apresentaram alta prevalência de ingestão inadequada de cálcio (55%), mas a ingestão de macronutrientes estava dentro dos limites aceitáveis de ingestão .

Conclusões: Ingestão inadequada de folato e maior ingestão de sódio foram observados em ambos os sexos, enquanto ingestão inadequada de cálcio foi observada apenas em meninas. A ocorrência dessas inadequações durante a adolescência pode levar a problemas de saúde ao longo da vida.Isso é especialmente preocupante nas meninas porque essas inadequações podem causar sérias conseqüências durante a gravidez e, por sua vez, para a saúde dos filhos.

As flores comestíveis têm sido usadas na culinária de diversos países, tendo hoje em dia, o seu uso despertado a atenção com o intuito de melhorar a aparência, sabor e valor estético de pratos, aspetos que o consumidor aprecia e valoriza. No entanto, os consumidores também exigem alimentos com propriedades benéficas para a saúde, procurando produtos com qualidade nutricional interessante. Nesse sentido, o presente documento pretende abordar a composição nutricional de algumas flores comestíveis, incluindo os macro e os micronutrientes, bem como alguns compostos bioativos que demonstram o valor e potencial das flores comestíveis.