A manipulação da microbiota gastrointestinal tem sido descrita como uma estratégia valiosa para a promoção da saúde. Os pós-bióticos são definidos como preparações de microrganismos inanimados e/ou os seus componentes, capazes de conferir um benefício de saúde no hospedeiro, e surgem como uma inovação promissora, tanto pelas suas vantagens e potenciais aplicações enquanto alternativas mais seguras aos probióticos, como pela sua facilidade de manipulação. Assim, a presente revisão pretende explorar não só os seus mecanismos de ação, mas também analisar a regulamentação aplicável. A literatura evidencia os efeitos benéficos associados ao consumo destas preparações no âmbito da imunomodulação, no fortalecimento da barreira epitelial, e na atividade antimicrobiana. A crescente atenção sobre os pós-bióticos sublinha, também, a necessidade do desenvolvimento de regulamentação harmonizada na União Europeia, por forma a garantir a uniformização dos requisitos para a colocação destes produtos no mercado, tendo em vista a segurança do consumidor.

 

As perturbações mentais representam um dos mais importantes desafios da atualidade. No entanto, as opções terapêuticas disponíveis são nalguns casos pouco eficazes ou apresentam efeitos adversos importantes. As intervenções no âmbito do estilo de vida, onde se incluem intervenções nutricionais e alimentares, têm vindo a ser exploradas na área da doença psiquiátrica e já demonstraram exercer um efeito benéfico na sua otimização. Adicionalmente, existe uma conhecida associação entre a doença psiquiátrica e os distúrbios gastrointestinais. A evidência sugere que indivíduos com depressão apresentam uma composição da microbiota intestinal alterada, em comparação com indivíduos saudáveis. Neste sentido, também a microbiota intestinal poderá constituir um alvo terapêutico atrativo. Várias estratégias para a sua modificação já foram descritas, incluindo a manipulação da dieta, a utilização de suplementos probióticos e/ou prebióticos e o transplante de microbiota fecal. Pretende-se com este trabalho abordar importância da nutrição e alimentação no foro da psiquiatria, assim como a modulação da microbiota intestinal e utilização de psicobióticos, reconhecidos como uma potencial coadjuvante para o tratamento destas patologias. Conclui-se que, embora a informação atualmente disponível nesta matéria seja promissora, são necessários mais estudos para que seja possível formular recomendações específicas e cientificamente sustentadas.

O avanço das ciências ômicas tem permitido a identificação de variantes genéticas e mecanismos epigenéticos envolvidos no desfecho da obesidade e de fatores nutricionais moduladores deste processo. Além dos polimorfismos genéticos, a composição da microbiota intestinal tem mostrado apresentar relação com variantes genéticas associadas a adipogênese. Portanto, o objetivo deste estudo foi avaliar a relação da microbiota intestinal e dos compostos bioativos do alimento na modulação de genes relacionados a obesidade, evidenciando os principais mecanismos epigenéticos.