Vários estudos têm explorado o papel dos corpos cetónicos nos processos fisiológicos envolvidos no despontar de convulsões sendo a dieta cetogénica uma opção de tratamento usual na epilepsia fármaco-resistente, quer em crianças, adolescentes ou adultos. A presente revisão narrativa procura resumir a evidência disponível sobre os possíveis mecanismos de ação e eficácia da dieta cetogénica e suas variantes no tratamento da epilepsia de crianças a adultos. Apesar da forte plausibilidade biológica e da existência de estudos mecanicistas e ensaios clínicos controlados e aleatorizados que suportam a dieta cetogénica como uma abordagem válida para reduzir a probabilidade de convulsões na epilepsia fármaco-resistente em crianças, o nível de evidência não é tão forte para a sua utilização no tratamento de adultos.
Implicações Nutricionais da Terapêutica Farmacológica em Doentes Epiléticos
A epilepsia é uma doença neurológica cuja incidência se prevê que aumente nos próximos anos. Sendo esta uma patologia crónica, a maioria dos doentes epiléticos necessitará de tratamento farmacológico durante toda a vida.
As interações entre fármacos e nutrientes, muitas vezes menosprezadas por parte dos profissionais de saúde, podem ser várias e ter um importante impacto nos outcomes de saúde do doente. Este grupo de indivíduos, para além da maior propensão ao desenvolvimento de vários défices nutricionais, têm também um elevado risco cardiovascular e uma maior prevalência de fragilidade óssea comparativamente à
população em geral, o que contribui para o aumento dos índices de morbilidade e mortalidade associados a esta condição.
O estado nutricional é um fator que pode influenciar o decurso natural da doença, potenciando ou comprometendo, ainda mais, a qualidade de vida e o bem-estar do doente. Deste modo, é essencial reconhecer quais as implicações no estado nutricional que se sucedem à terapêutica farmacológica antiepilética, e que uma monitorização e avaliação regular, acompanhada de uma intervenção nutricional precoce deverão ser
tidos em conta, por forma a prevenir e/ou a reverter as possíveis complicações emergentes. Neste sentido, com a presente revisão bibliográfica pretende-se indagar quais as principais consequências nutricionais advenientes da utilização de fármacos
antiepiléticos e quais as formas de mitigá-las.
