Lactobacillus rhamnosus no tratamento das cólicas do lactente: uma revisão baseada na evidência

Lactobacillus rhamnosus in the treatment of infantile colic: an evidence-based review

Mariana Melo, Flávia Meireles, Catarina Vidinha, Ana Pinto Dias e Sónia Bastos

Acta Portuguesa de Nutrição 2026, 44, 32-36 , https://dx.doi.org/10.21011/apn.2026.4406

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Resumo

Introdução: As cólicas do lactente afetam entre 10-40% dos lactentes nos primeiros meses de vida e representam até 20% das consultas pediátricas. A etiologia é incerta, levando à adoção de múltiplas estratégias terapêuticas, frequentemente com eficácia limitada. Evidências recentes apontam para uma possível ligação entre a microbiota intestinal e a cólica infantil, despertando interesse pelos probióticos, em particular o Lactobacillus rhamnosus.

Objetivos: Avaliar o impacto do tratamento com L. rhamnosus nas cólicas do lactente.

Metodologia: Em fevereiro de 2025, realizou-se uma pesquisa nas bases Cochrane LibraryGuideline CentralNICEPubMedBMJDAREAHRQ e TRIP, sem restrição temporal. Foram incluídas normas de orientação clínica, revisões sistemáticas, meta-análises e ensaios clínicos. A pergunta PICO considerou: população - lactentes com cólicas; intervenção – L. rhamnosus; controlo - ausência de L. rhamnosusoutcome - melhoria das cólicas. Utilizaram-se os termos MeSH “Infantile Colic” e “Lactobacillus rhamnosus”.

Resultados: Foram incluídos quatro ensaios clínicos randomizados. Todos avaliaram o tempo de choro através de diários parentais; um utilizou também entrevistas semanais aos cuidadores. Dois estudos mostraram redução significativa do choro em lactentes exclusivamente amamentados. Um terceiro, com lactentes amamentados ou sob fórmula extensamente hidrolisada, não demonstrou benefício nos diários, mas apontou melhoria percecionada nas entrevistas. O quarto estudo, com lactentes sob fórmula parcialmente hidrolisada, não evidenciou benefício adicional com L.rhamnosus.

Conclusões: Com força de recomendação B, L. rhamnosus pode reduzir as cólicas em lactentes exclusivamente amamentados. A eficácia em outros contextos alimentares é incerta, sendo necessários mais estudos para reforçar a evidência.


Abstract

Introduction: Infantile colic affects 10-40% of infants during the first months of life and accounts for up to 20% of pediatric consultations. Its etiology remains unclear, leading to the adoption of various therapeutic strategies, often with limited efficacy. Recent evidence suggests a possible link between the gut microbiota and infantile colic, raising interest in probiotics, particularly Lactobacillus rhamnosus.


Objectives: To assess the impact of L. rhamnosus treatment on infantile colic.


Methodology: In February 2025, a search was conducted in the Cochrane Library, Guideline Central, NICE, PubMed, BMJ, DARE, AHRQ, and TRIP databases with no time restrictions. Clinical guidelines, systematic reviews, meta-analyses, and clinical trials were included. The PICO question considered: population - infants with colic; intervention – L. rhamnosus; control - no L. rhamnosus; outcome - improvement in colic symptoms. The MeSH terms “Infantile Colic” and “Lactobacillus rhamnosus” were used.


Results: Four randomized clinical trials were included. All assessed crying time through parental diaries; one also used weekly caregiver interviews. Two studies showed a significant reduction in crying among exclusively breastfed infants. A third study, involving breastfed infants or those fed extensively hydrolyzed formula, showed no benefit in diaries but reported perceived improvement in interviews. The fourth study, with infants fed partially hydrolyzed formula, showed no additional benefit with L. rhamnosus.


Conclusions: With a grade B recommendation, L. rhamnosus may reduce colic in exclusively breastfed infants. Its efficacy in other feeding contexts remains uncertain, and further studies are needed to strengthen the evidence.



Palavras-chave: Cólicas do lactente, Infantile colic, L. rhamnosus