Introdução: O carcinoma hepatocelular é o tipo mais comum de cancro hepático e está frequentemente associado à presença de sarcopenia, identificada em até 40% dos casos. Esta condição associa-se a menor sobrevida, maior toxicidade aos tratamentos e resposta imunitária comprometida.

Objetivos: Analisar a influência da sarcopenia no prognóstico do carcinoma hepatocelular e explorar a intervenção nutricional.

Metodologia: Revisão sistemática segundo as diretrizes do PRISMA, com pesquisa nas bases PubMedScopus e Web of Science (entre março e maio de 2025), utilizando os termos ”Sarcopenia”, “Hepatocellular Carcinoma”, “Prognosis” e “Nutritional therapy”. Foram incluídos estudos dos últimos 5 anos, com adultos ≥18 anos, excluindo revisões, cartas e estudos em animais. O risco de viés foi avaliado através da ferramenta ROBINS-I.

Resultados: Oito estudos confirmaram a sarcopenia como fator prognóstico negativo em doentes com carcinoma hepatocelular, associando-se a menor sobrevida global, livre de progressão e pós-progressão. A obesidade sarcopénica destacou-se como o perfil de maior risco. A perda muscular durante o tratamento, alterações nutricionais (índice CONUT elevado, baixa massa muscular) e bioquímicas foram também preditores de pior prognóstico. A recuperação da massa muscular associou-se a melhor sobrevida.

Conclusões: A sarcopenia constitui um marcador prognóstico independente no carcinoma hepatocelular e representa um fator potencialmente modificável. É indicada a avaliação precoce da composição corporal e a implementação do suporte nutricional para restaurar a massa muscular. Estas intervenções devem incluir aumento da ingestão proteica (1,2-1,5 g/kg/dia), com ênfase nos ácidos gordos ómega-3, bem como suplementação com aminoácidos de cadeia ramificada (BCAAs), carnitina e vitamina D, com vista à melhoria da sobrevida e da resposta terapêutica.