Introdução: A sarcopenia é definida como uma doença muscular progressiva e generalizada, caracterizada pela redução da força muscular e da qualidade/quantidade da massa muscular e/ou desempenho físico. Apesar do envelhecimento ser uma causa comum da sarcopenia, diversos fatores influenciam o aparecimento ou progressão desta patologia, nomeadamente a ingestão proteica.

Objetivos: Relacionar a ingestão proteica, o risco de sarcopenia e a sarcopenia provável em idosos institucionalizados em Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas.

Metodologia: Estudo observacional, transversal e analítico. A amostra não probabilística foi constituída por 61 utentes, com pelo menos 65 anos, residentes em Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas das Santas Casas da Misericórdia de Vila de Rei e Vale de Cambra. Para recolha de dados, recorreu-se ao questionário SARC-F, à aferição da força de preensão palmar e ao inquérito alimentar às 24 horas anteriores. Além disso, o peso e a altura foram retirados do processo clínico do utente para cálculo do índice massa corporal.

Resultados: Os resultados do presente estudo demonstraram que uma ingestão proteica inferior às Recommended Dietary Allowance de 0,8g/kg/dia se correlaciona com o aumento do risco de desenvolvimento de sarcopenia e com a baixa força de preensão. Por outro lado, o índice massa corporal e sexo não se correlacionaram com nenhuma das variáveis descritas.

Conclusões: É importante desenvolver estratégias para aumentar a consciência pública relativamente a esta patologia e atuar atempadamente e de forma preventiva. Uma ingestão proteica personalizada e adequada a cada indivíduo é determinante na melhoria desta condição e, consequentemente, no bem-estar e na qualidade de vida do idoso.

Introdução: O carcinoma hepatocelular é o tipo mais comum de cancro hepático e está frequentemente associado à presença de sarcopenia, identificada em até 40% dos casos. Esta condição associa-se a menor sobrevida, maior toxicidade aos tratamentos e resposta imunitária comprometida.

Objetivos: Analisar a influência da sarcopenia no prognóstico do carcinoma hepatocelular e explorar a intervenção nutricional.

Metodologia: Revisão sistemática segundo as diretrizes do PRISMA, com pesquisa nas bases PubMedScopus e Web of Science (entre março e maio de 2025), utilizando os termos ”Sarcopenia”, “Hepatocellular Carcinoma”, “Prognosis” e “Nutritional therapy”. Foram incluídos estudos dos últimos 5 anos, com adultos ≥18 anos, excluindo revisões, cartas e estudos em animais. O risco de viés foi avaliado através da ferramenta ROBINS-I.

Resultados: Oito estudos confirmaram a sarcopenia como fator prognóstico negativo em doentes com carcinoma hepatocelular, associando-se a menor sobrevida global, livre de progressão e pós-progressão. A obesidade sarcopénica destacou-se como o perfil de maior risco. A perda muscular durante o tratamento, alterações nutricionais (índice CONUT elevado, baixa massa muscular) e bioquímicas foram também preditores de pior prognóstico. A recuperação da massa muscular associou-se a melhor sobrevida.

Conclusões: A sarcopenia constitui um marcador prognóstico independente no carcinoma hepatocelular e representa um fator potencialmente modificável. É indicada a avaliação precoce da composição corporal e a implementação do suporte nutricional para restaurar a massa muscular. Estas intervenções devem incluir aumento da ingestão proteica (1,2-1,5 g/kg/dia), com ênfase nos ácidos gordos ómega-3, bem como suplementação com aminoácidos de cadeia ramificada (BCAAs), carnitina e vitamina D, com vista à melhoria da sobrevida e da resposta terapêutica.

Introdução: A desnutrição e a provável sarcopenia evoluem com piores desfechos num paciente oncológico cirúrgico. Porém, poucos estudos avaliaram as consequências da cirurgia de grande porte associadas com a desnutrição, a provável sarcopenia e a sobreposição de ambos os diagnósticos no pós-operatório imediato desses pacientes.

Objetivos: Avaliar o impacto do trauma cirúrgico na associação da desnutrição, da provável sarcopenia e da sobreposição de ambos os diagnósticos, com complicações e mortalidade pós-operatória em pacientes oncológicos submetidos a cirurgia de grande porte.

Metodologia: Coorte prospectiva, realizada com 353 pacientes oncológicos, submetidos a cirurgia de grande porte em dois Hospitais em Cuiabá-Mato Grosso, Brasil. As variáveis principais foram as complicações e a mortalidade pós-operatória associadas a desnutrição, provável sarcopenia e a sobreposição de ambos os diagnósticos (determinados no pré-operatório e no 2.º dia de pós-operatório). Os desnutridos foram classificados em B e C pela avaliação subjetiva global. A provável sarcopenia foi identificada pelo risco de sarcopenia (≥4 pontos), somado a baixa força de preensão palmar pela dinamometria. Os desnutridos e com provável sarcopenia foram classificados com sobreposição de ambos os diagnósticos.

Resultados: A idade mediana foi 59 anos sendo 55,8% do sexo feminino. Houve um agravamento da provável sarcopenia e sobreposição de ambos os diagnósticos do pré-operatório para o 2.º dia pós-operatório (p<0,001). Os desnutridos, no pré-operatório, apresentaram mais complicação geral (OR=2,4; p<0,001), infecciosa (OR=3,6; p<0,001) e Clavien Dindo ≥3 (OR=1,9; p=0,033), que os nutridos. A sobreposição de ambos os diagnósticos pré-operatória, aumentou a chance de complicação infeciosa (OR=2,56; p=0,025) e Clavien Dindo ≥3 (OR= 2,46; p=0,028) quando comparado aos sem sobreposição de ambos os diagnósticos. No 2.º dia pós-operatório os desnutridos, os com provável sarcopenia e sobreposição de ambos os diagnósticos apresentaram mais complicações e mortalidade pós-operatória quando comparado aos sem esses diagnósticos (p≤ 0,001).

Conclusões: O trauma cirúrgico mostrou que os desnutridos, com provável sarcopenia e com sobreposição de ambos os diagnósticos, diagnosticados no 2.º dia pós-operatório, apresentaram mais complicações e mortalidade pós-operatória, comparado aos diagnosticados com esses prejuízos no pré-operatório.

Introdução: A sarcopenia é uma doença que se caracteriza por um distúrbio músculo esquelético progressivo e generalizado, com impacto pessoal, social e económico, se não tratada. Associa-se a maior probabilidade de quedas, fraturas, deficiência física, mortalidade e incapacidade na realização de atividades de vida diárias.

Objetivos: Pretendeu-se estudar a frequência de sarcopenia em doentes internados no serviço de Medicina Interna-homens, por avaliação objetiva [força de pressão da mão, circunferência muscular do braço e perímetro geminal] e subjetiva (SARC-F) e estudar a relação entre ambas.

Metodologia: Avaliou-se peso (kg), estatura (m) e calculou-se o Índice de Massa Corporal (kg/m2), avaliou-se massa gorda e muscular com medição de pregas cutâneas e compressibilidade de tecidos (lipocalibrador digital Lipowise®) e a força de pressão da mão com o Gripwise®.

Resultados: Incluíram-se 150 homens, com idade média de 72 anos, Índice de Massa Corporal médio de 24,2kg/m2, gordura corporal de 21,5%, circunferência muscular do braço de 24,7cm, perímetro geminal de 32,0cm e força de pressão da mão esquerda de 20,3kgF. Segundo o SARC-F cerca de 52% tinha sarcopenia, e quando avaliada a força de pressão da mão, circunferência muscular do braço e perímetro geminal, 91,5%, 19,5% e 42,6% tinham critério sugestivo de sarcopenia, respetivamente. Encontrou-se correlação negativa e estatisticamente significativa entre a pontuação do SARC-F e a circunferência muscular do braço (r=-0,241; p= 0,004), perímetro geminal (r=- 0,269; p= 0,001) e força de pressão da mão (r=-0,400; p <0,001). O SARC-F identificou menor número de doentes com risco de sarcopenia quando comparado à força de pressão da mão.

Conclusões: Conclui-se que o SARC-F deve, idealmente, ser utilizado conjuntamente com outros critérios para uma melhor identificação de sarcopenia.

Objectives: To investigate the prevalence of sarcopenia according to five cut-off points for muscle strength and the association with undernutrition in Community dwelling older adults.

Methodology: Cross-sectional study with 321 elderly subjects from community centers in Cuiabá-MT. The main variable was the prevalence of sarcopenia and association with undernutrition. Sarcopenia was diagnosed by low muscle strength (grip strength – GS; kg) according to five cut-off points and low calf circumference (CC; cm). Nutritional status was assessed by mini nutritional assessment-short form (MNA-SF®).

Results: The median age was 69 (64-74) years, and 24.7% were undernourished. The presence of sarcopenia ranged from 1.6 to 7.6%. This prevalence was lower using EWGSOP2 criteria compared to EWGSOP (p=0.005) and ESCEO and SDOC criteria (p<0.001). The older undernourished adults were almost 3.5 times more likely to have sarcopenia (OR=3.49; p=0.003) when ESCEO criteria was used and almost 2.5 times (OR=2.43; p=0.037) times using SDOC criteria.

Conclusions: The prevalence of sarcopenia ranged from 1.6 to 7.6%. The older undernourished adults were almost 3.5 (ESCEO) and 2.5 (SDOC) times more likely to have sarcopenia.

A FRAIL Scale e a SARC-F são ferramentas válidas desenhadas respetivamente para o rastreio da fragilidade física e da sarcopenia. O presente trabalho teve como objetivo produzir versões validadas e adaptadas linguística e culturalmente para a língua portuguesa, mantendo equivalência conceitual às ferramentas originais. Para tal, foram seguidas as normas do Patient Reported Outcome (PRO) Consortium e aplicadas as doze etapas preconizadas para a obtenção do resultado final. As ferramentas foram aplicadas a uma amostra de conveniência da população alvo constituída por nove indivíduos, tendo se verificado que tanto a FRAIL Scale como o SARC-F mostraram ser de fácil compreensão e aplicação, ter boa aceitabilidade e validade aparente. As ferramentas produzidas neste trabalho poderão ser aplicadas tanto em contexto clínico como comunitário, no rastreio da fragilidade e da sarcopenia.

Introdução: Os idosos em estruturas residenciais apresentam elevada prevalência de desnutrição, fragilidade e sarcopenia, condições que podem ter implicações negativas na atual pandemia COVID-19.

Objetivos: Proceder a uma revisão de escopo de forma a mapear a evidência da desnutrição, fragilidade e sarcopenia como fator prognóstico da COVID-19 em idosos institucionalizados.

Metodologia: Análise da literatura publicada entre maio e setembro de 2020 na base de dados eletrónica Pubmed, utilizando os termos “covid 19”, “nursing homes”, “malnutrition”, “frailty” e “sarcopenia”, de acordo com as recomendações PRISMA-ScR.

Resultados: Dos 14 estudos selecionados, 3 analisaram o prognóstico da COVID-19 em estruturas residenciais para idosos, 2 investigaram a progressão da COVID-19 em idosos com desnutrição e 9 com fragilidade. A revisão da literatura sugere os funcionários como vetor importante na transmissão e propagação do coronavírus em idosos institucionalizados e a elevada mortalidade parece estar relacionada com complicações da própria doença. Os idosos em risco nutricional apresentam piores outcomes clínicos enquanto os frágeis são associados a outras causas de morte não relacionadas com complicações da COVID-19. Desconhecem–se as implicações da sarcopenia na evolução da COVID-19.

Conclusões: A evidência atual é insuficiente para se estabelecer uma associação entre a desnutrição, fragilidade e sarcopenia e o prognóstico da infeção pelo novo coronavírus em idosos institucionalizados. No entanto, a recente pandemia veio reforçar a vulnerabilidade desta população e a necessidade da avaliação e intervenção nutricional nos cuidados geriátricos, sendo também necessária mais investigação que relacione a nutrição e a COVID-19 em estruturas residenciais para pessoas idosas.

A FRAIL Scale e a SARC-F são ferramentas válidas desenhadas respetivamente para o rastreio da fragilidade física e da sarcopenia. O presente trabalho teve como objetivo produzir versões validadas e adaptadas linguística e culturalmente para a língua portuguesa, mantendo equivalência conceitual às ferramentas originais. Para tal, foram seguidas as normas do Patient Reported Outcome (PRO) Consortium e aplicadas as doze etapas preconizadas para a obtenção do resultado final. As ferramentas foram aplicadas a uma amostra de conveniência da população alvo constituída por nove indivíduos, tendo se verificado que tanto a FRAIL Scale como o SARC-F mostraram ser de fácil compreensão e aplicação, ter boa aceitabilidade e validade aparente. As ferramentas produzidas neste trabalho poderão ser aplicadas tanto em contexto clínico como comunitário, no rastreio da fragilidade e da sarcopenia.

Introdução: A sarcopenia é um distúrbio muscular esquelético generalizado e progressivo caracterizada pela redução gradual da massa muscular, da força e função musculares e está associada a um maior risco de admissões hospitalares, internamentos prolongados e maior risco de morbilidade e mortalidade. A identificação precoce da sarcopenia é crucial para que se possa estabelecer um plano de intervenção de modo a atingir um prognóstico favorável.

Objetivos: Analisar a prevalência de sarcopenia em idosos admitidos em instituições hospitalares.

Metodologia: Foi realizada uma análise da literatura publicada partir da base de dados eletrónica PubMed nos últimos 5 anos utilizando os descritores “sarcopenia” AND “hospitalized” AND “prevalence”. A pesquisa foi realizada entre julho e agosto de 2020.

Resultados: A prevalência de sarcopenia difere amplamente na literatura analisada, variando entre 7,2% e 73%. Esta variação ocorre consoante o algoritmo utilizado para diagnóstico da sarcopenia, a população analisada e os métodos aplicados para determinar a massa, força e função muscular. A maioria dos estudos relataram que a sarcopenia teve um aumento progressivo com a idade e esteve associada com várias adversidades. A coexistência de malnutrição nos idosos sarcopénicos foi elevada e há uma associação entre sarcopenia e um maior risco de morte.

Conclusões: A análise da prevalência de sarcopenia evidenciou que a malnutrição e a sarcopenia muitas vezes coexistem e podem ser associadas a desfechos clínicos negativos. A evidência científica sugere a importância de incluir na avaliação do estado nutricional, como procedimento de rotina na admissão hospitalar, a avaliação não só da presença de malnutrição, mas também da sarcopenia.

Introdução: A sarcopenia é uma síndrome geriátrica que compromete a qualidade de vida e a funcionalidade dos idosos. A literatura tem recentemente suportado que a proteína do soro do leite e aminoácidos essenciais que contêm leucina e a vitamina D, em conjunto com programas de atividade física personalizadas podem exercer efeitos positivos na prevenção e tratamento da sarcopenia nos idosos.

Objetivos: Sistematizar a evidência científica sobre o efeito da suplementação com proteína do soro do leite enriquecido em leucina e da vitamina D nos idosos com sarcopenia.

Metodologia: Analisar artigos científicos em diferentes bases eletrónicas, nomeadamente “Pubmed”, “Scopus” e “Web of Science” com publicações nos últimos 5 anos, utilizando as palavras-chave: “elderly” ou “aged”, sarcopenia”, “dietary supplements”, “leucine” e “vitamin D”. Após aplicar os critérios de inclusão e exclusão, obtiveram-se 6 artigos.

Resultados: A maioria dos estudos demonstrou que a suplementação teve efeitos significativos no aumento da massa muscular e alguns na força e função musculares dos idosos sarcopenicos. Além disso, foi relatado que esta suplementação também induziu efeitos favoráveis na atenuação do estado inflamatório destes indivíduos.

Conclusões: A suplementação com aproximadamente 20 g de proteína do soro do leite enriquecido com 4 g de leucina e 800 IU de vitamina D, juntamente com programas de atividade física demonstraram efeitos benéficos na estimulação da síntese proteica e também na preservação muscular dos idosos sarcopenicos.