Introdução: Os alimentos transformados à base de cereais são frequentemente oferecidos no início da diversificação alimentar. A Organização Mundial da Saúde desenvolveu um Modelo do Perfil Nutricional e Promocional, com o objetivo de garantir a adequação dos alimentos destinados a lactentes e crianças pequenas (6-36 meses).

Objetivos: Avaliar a adequação do perfil nutricional de alimentos transformados à base de cereais, destinados a lactentes e crianças pequenas, disponíveis em Portugal, de acordo com o Modelo do Perfil Nutricional e Promocional da Organização Mundial da Saúde revisto em 2022. Adicionalmente, objetivou-se avaliar a presença/adequação da alegação nutricional “sem adição de açúcar”.

Metodologia: Estudo transversal com análise do perfil nutricional de 81 alimentos transformados à base de cereais disponíveis no mercado português e análise da alegação nutricional “sem adição de açúcar”, quando presente.

Resultados: 49,4% (n=40) dos alimentos transformados à base de cereais em análise cumpriram os requisitos do Modelo do Perfil Nutricional e Promocional. Os critérios “sem adição de açúcar e/ou edulcorantes artificiais” e “conteúdo de fruta” destacaram-se por apresentarem maior incumprimento, sendo a inadequação de 27,2% e 22,2%, respetivamente. A alegação nutricional “sem adição de açúcar” estava presente em 74,1%, contudo, dois destes produtos continham açúcar de adição.

Conclusões: Metade dos alimentos analisados neste estudo não apresenta um perfil nutricional adequado ao Modelo do Perfil Nutricional e Promocional da Organização Mundial da Saúde, o que revela a necessidade de uma melhor articulação entre as organizações de saúde nacionais/internacionais e a indústria alimentar, de modo a garantir uma maior adequação da oferta nutricional a lactentes e crianças pequenas.

A amamentação exclusiva até aos 6 meses de idade é indicada pela Organização Mundial da Saúde. Após esta fase, o leite humano já não supre sozinho as necessidades de macro e micronutrientes da criança, propiciando o início da alimentação complementar. Este é um período de grande preocupação para os pais e cuidadores, em que não sabem o que devem ou não oferecer às crianças. Tanto a quantidade de nutrientes quanto a consistência adequada devem ser considerados. Atualmente, existe uma gama de alimentos infantis industrializados, entre eles se destacam as papas, que se apresentam salgadas e doces e oferecem praticidades aos pais e cuidadores. O objetivo do presente estudo foi de comparar os valores nutricionais e as características organolépticas, com exceção do sabor, de papas industrializadas e naturais. Foram selecionadas aleatoriamente duas marcas que comercializam papas industrializadas no Brasil, sendo que os seus ingredientes e composição nutricional foram analisados e em seguida organizados para comparação com as papas naturais. As papas naturais foram preparadas no laboratório de gastronomia da Universidade de Franca, fotografadas e seus ingredientes e nutrientes foram analisados, com o auxílio da Tabela Brasileira de Composição de Alimentos. Além disso, o custo de ambas as papas foi levantado. Notou-se uma importante variação nutricional, especialmente nos valores energético e de glicídios. A adição de espessantes e aditivos químicos nas papas industrializadas, foi um ponto importante para a comparação. Foi constatado que a presença de sódio em alimentos industrializados, é mais significativa do que em alimentos naturais. Outro aspecto analisado foi a consistência e viscosidade das papas industrializadas, que se mostram inadequadas por não estimular a mastigação na fase de introdução da alimentação complementar. Por fim, o custo das papas industrializadas foi três a quatro vezes mais caro do que as naturais.