Introdução: A insuficiência cardíaca é uma síndrome complexa que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Apesar dos avanços no tratamento, a sua morbilidade e mortalidade permanecem elevadas. A Coenzima Q10, uma molécula essencial para a produção de energia celular, tem despertado o interesse de investigadores para uma eventual terapia coadjuvante no tratamento de pacientes com insuficiência cardíaca. Esta revisão bibliográfica da literatura tem como objetivo verificar a utilidade da Coenzima Q10 no tratamento de insuficiência cardíaca.

Metodologia: Foi realizada uma pesquisa bibliográfica nas bases de dados Pubmed e ScienceDirect utilizando os termos Mesh “heart failure”, “coenzyme Q10” e “ubiquinone” e os operadores booleanos AND e OR, na língua inglesa, publicados nos últimos 10 anos. Após a leitura dos resumos e a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados quatro artigos de ensaios clínicos randomizados controlados por placebo.

Resultados: O estudo Q-SYMBIO, conduzido durante dois anos com 420 participantes, revelou que os desfechos a curto prazo não apresentaram alterações significativas. Contudo os resultados a longo prazo mostraram uma diminuição de 42% nas mortes por todas as causas no grupo Coenzima Q10 e uma redução de 43% nos eventos cardiovasculares adversos maiores. Estes resultados foram confirmados e até superados no estudo subsequente da subpopulação europeia do estudo Q-SYMBIO. Os dois estudos analisados para avaliar se a Coenzima Q10 poderia melhorar a função diastólica do ventrículo esquerdo em pacientes com fração de ejeção preservada, não mostraram alterações significativas no grupo suplementado com Coenzima Q10 em comparação com o grupo placebo.

Conclusões: A suplementação com Coenzima Q10 como adjuvante no tratamento da insuficiência cardíaca moderada a grave é segura, bem tolerada e está associada a uma redução dos sintomas e eventos cardiovasculares adversos maiores, e a uma maior taxa de sobrevivência. São necessários mais estudos, com maior tempo de acompanhamento, amostras mais amplas e estudos ecocardiográficos mais completos, para avaliar, também a sua eficácia, na insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada.