Introdução: O vegetarianismo é um padrão alimentar caracterizado pela exclusão de alimentos de origem animal. A adoção desse padrão alimentar apresenta benefícios reconhecidos para a saúde; contudo, a exclusão de alimentos de origem animal pode estar associada a desafios relacionados com a biodisponibilidade e adequação de nutrientes críticos. Nesse contexto, recomendações científicas tornam-se importantes para orientar práticas nutricionais seguras.

Objetivos: Identificar, sintetizar e comparar convergências e divergências nas recomendações nutricionais presentes em pareceres oficiais sobre dietas vegetarianas publicados por entidades internacionais de nutrição e pediatria.

Metodologia: Trata-se de uma revisão narrativa, de abordagem qualitativa, baseada na análise de pareceres oficiais sobre dietas vegetarianas disponíveis em portais oficiais de entidades de nutrição e pediatria de 99 países. Foram utilizados os descritores “vegetariana”, “vegetarianismo”, “posição” e “declaração”, bem como os correspondentes em língua inglesa e espanhola. Foram identificados 13 pareceres, dos quais 3 foram excluídos por contemplarem exclusivamente dietas veganas e 2 por apresentarem conteúdo direcionado às competências profissionais do nutricionista ou material educativo destinado ao público geral, resultando em 8 pareceres incluídos na análise.

Resultados: Dos 8 pareceres analisados, 5 consideraram as dietas vegetarianas nutricionalmente adequadas quando devidamente planeadas e monitorizadas. Em contrapartida, 2 entidades pediátricas apresentaram ressalvas quanto à adoção desse padrão alimentar em gestantes, lactantes, crianças e adolescentes, enquanto 1 entidade contraindica a dieta vegetariana para a população pediátrica. Observou-se convergência quanto à necessidade de atenção ao aporte de proteínas, vitamina B12, vitamina D e ómega-3, bem como divergências relacionadas às estratégias de adequação de ferro, cálcio e zinco.

Conclusões: Os pareceres analisados apresentaram convergência quanto à necessidade de monitorização nutricional e adequação de nutrientes críticos em dietas vegetarianas. As principais divergências concentraram-se nas estratégias alimentares, utilização de alimentos fortificados e recomendações de suplementação para ferro, cálcio e zinco.

Introdução: A adoção de padrões alimentares à base de plantas tem vindo a crescer, sendo observada a sua preferência em idades cada vez mais jovens, muitas vezes desde os primeiros anos de vida. A acrescer à sua associação com potenciais benefícios para a saúde humana, outras evidências alertam para possíveis carências nutricionais e energéticas decorrentes do consumo deste tipo de dieta no crescimento das crianças e adolescentes.

Objetivos: Com esta revisão pretendeu-se analisar os efeitos da adoção de um padrão alimentar à base de plantas no crescimento de crianças e adolescentes.

Metodologia: Recorreu-se a uma revisão sistemática da literatura, onde foram incluídos estudos com carácter quantitativo desde 2017 até ao presente, desde que relacionados com alimentação vegetariana ou vegana e que se reportassem a indivíduos em idade pediátrica.

Resultados: Sete estudos correspondiam aos critérios de inclusão, dos quais seis apresentavam uma metodologia transversal e apenas um estudo utilizou uma coorte longitudinal. Cinco dos sete estudos compararam variáveis antropométricas de crianças sob dietas vegetarianas/veganas com crianças a cumprir dietas omnívoras. Destes, apenas um estudo encontrou diferenças nos indicadores de crescimento entre crianças vegetarianas e omnívoras. A maioria dos estudos que analisou indivíduos sob dietas veganas reportou piores indicadores de crescimento face aos sujeitos sob dietas vegetarianas e omnívoras.

Conclusões: A evidência não permite uma conclusão firme acerca do efeito de dietas vegetarianas no crescimento de crianças e adolescentes. Esta revisão realça a necessidade de se realizarem mais estudos quantitativos rigorosos, nomeadamente estudos longitudinais com um acompanhamento de longa duração para se possa eventualmente estabelecer uma relação de causalidade.