Introdução: O Desperdício Alimentar é uma consequência da sociedade de consumo atual, evidenciando um fosso enorme entre a abundância de alimentos em determinados países e a escassez noutros. Nos países desenvolvidos, o Desperdício Alimentar ocorre sobretudo na fase de consumo, tendo as cantinas escolares um grande contributo para este problema, tornando-se por isso, necessário compreender as suas causas.

Objetivos: Este estudo pretende avaliar a perceção dos alunos em relação ao Desperdício Alimentar e sua satisfação com o serviço de alimentação de uma escola básica do distrito de Viana do Castelo.

Metodologia: Recolha de dados relativos ao Desperdício Alimentar da refeição do almoço de uma escola do 2.º e 3.º ciclos do ensino básico do distrito de Viana do Castelo, pelo método físico de pesagem agregada não seletiva durante 5 dias interpolados. Aplicação de questionário de autopreenchimento a todos os alunos, com idades compreendidas entre os 10 e os 14 anos a frequentar o estabelecimento de educação e ensino.

Resultados: Verificou-se um Desperdício Alimentar de 41%, sendo a contribuição dos restos de 62%, comparativamente às sobras. Ao questionário responderam 82% do total de alunos, maioritariamente pertencentes ao sexo feminino (54%) e 3.º ciclo (58%). Almoçam na cantina, “em alguns dias durante a semana”, 64%, existindo, no entanto, grande proporção de alunos a almoçar noutros locais (36%), nomeadamente no bufete (56%), e preferencialmente sandes (36%). Apresentam como principais motivos na escolha da cantina para almoçar, a funcionalidade (“dá jeito”; 50%) e a socialização (“estar com os amigos”; 40%); na avaliação da refeição escolar 32% refere gostar da comida servida versus 21% que refere não gostar; relativamente à perceção do Desperdício Alimentar gerado, 44% refere nunca ou raramente desperdiçar comida.

Conclusões: 32% dos alunos refere gostar da comida, havendo ainda outros aspetos positivos destacados (apresentação agradável, comida saborosa) que contribuem para a satisfação com a refeição escolar. 44% dos alunos refere nunca ou raramente desperdiçar, o que não corresponde ao Desperdício Alimentar gerado, justificando a implementação de estratégias de consciencialização de combate ao Desperdício Alimentar.

Introdução: É reconhecido a nível mundial que o desperdício alimentar é um problema global, com elevado impacto económico, social e ambiental e, consequentemente, de grande importância para a sustentabilidade alimentar e do planeta. Sendo também este problema reconhecido pelas escolas, e sendo estas espaços por excelência de educação das nossas crianças e jovens, determinar de que forma o desperdício alimentar por eles gerado na refeição escolar pode ter impacto no seu futuro, é essencial para a consciencialização daqueles que são o futuro do país e do planeta.

Objetivos: Este estudo pretende estimar o impacto económico, social e ambiental do desperdício alimentar em 3 escolas do distrito de Viana do Castelo.

Metodologia: Foi avaliado o desperdício alimentar da refeição do almoço, através da quantificação do peso da refeição produzida, peso das sobras e peso dos restos, em 3 escolas, num total de 15 dias de avaliação, 5 dias seguidos ou interpolados em cada escola. Através deste, foi estimado o custo, a correspondente pegada de carbono e hídrica gerada, assim como o número de alunos que poderiam ser alimentados com este desperdício.

Resultados: Estimou-se que os 873 kg de desperdício alimentar gerado têm um custo diário de 140 euros, com os quais poderiam ser alimentados 93 alunos. Diariamente são desperdiçados, aproximadamente, 488 m3 de água e emitidos 198 kg de equivalentes de CO2.

Conclusões: O desperdício alimentar apurado nas 3 escolas em análise representa um grande impacto no seu orçamento anual, sendo extremamente elevado a nível ambiental. Urge determinar as suas causas e encontrar estratégias que permitam a sua redução, sem descurar a promoção de uma refeição escolar saudável e equilibrada do ponto de vista nutricional.

Introdução: Na infância, a redução do consumo de sal e o aumento de potássio apresentam benefícios para a saúde. A redução do teor de sal nos alimentos pode diminuir a aceitabilidade do consumidor, implicando um aumento do desperdício alimentar. A minimização do desperdício alimentar deve ser uma prioridades das escolas, por se tratar de uma problemática atual, aliada à melhoria do perfil nutricional da oferta alimentar.

Objetivos: Analisar o teor de sódio e potássio da sopa antes e após uma intervenção de redução da quantidade de sal adicionada, num estabelecimento de ensino, e avaliar a sua relação com o desperdício alimentar .

metodologia: No estudo, foram incluídas as sopas servidas no refeitório às crianças, com idades entre os 3 e os 10 anos, nos dias em análise. Na Fase I, quantificou-se o teor de sódio e potássio da sopa e o seu desperdício alimentar durante 5 dias. Na Fase II, reduziu-se a quantidade de sal adicionada em 49%, avaliando-se, novamente, os parâmetros mencionados. A quantificação do teor de sódio e potássio foi realizada por espectrofotometria de emissão atómica e a do desperdício alimentar por pesagem agregada dos componentes do prato.

Resultados: A mediana do teor de sódio na sopa na Fase I foi de 154 ± 37 mg/100 g, diminuindo na Fase II para 96 ± 17 mg/100 g. A mediana do desperdício alimentar na Fase I foi de 8,6 ± 1,8% e diminuiu para 5,3 ± 0,8% na Fase II. Encontrou-se uma relação positiva moderada entre o teor de sódio e o desperdício alimentar (r=0,669; p < 0,001).

Conclusões: A quantidade de sal adicionada à sopa na Fase I foi superior às recomendações. A redução do teor de sal da sopa deverá ser uma prioridade das escolas, não sendo expectável que aumente o desperdício alimentar.