Introdução: A refeição escolar desempenha um papel fulcral no desenvolvimento infantil saudável. Em Portugal, têm-se vindo a verificar elevados índices de desperdício alimentar nos refeitórios escolares, que podem comprometer o aporte energético e nutricional adequados às crianças. Os programas de educação alimentar apresentam-se como uma estratégia para a promoção do consumo da refeição escolar e redução do desperdício alimentar nas escolas.

Objetivos: Avaliar a eficácia de um programa de educação alimentar na redução do desperdício alimentar das refeições servidas ao almoço nos refeitórios de escolas públicas do ensino básico pré-escolar e 1.º ciclo (EB1/JI) do Município de Faro.

Metodologia: O programa foi implementado nas escolas intervenção, durante 20 semanas, através de sessões de educação alimentar dirigidas aos alunos, docentes, encarregados de educação e colaboradores dos refeitórios. As escolas controlo não receberam qualquer intervenção. O desperdício alimentar foi avaliado através da pesagem dos alimentos por componentes, em duas escolas intervenção e três escolas controlo, antes e após a intervenção.

Resultados: No total, 5.657 refeições foram avaliadas. Ao comparar os resultados entre grupos, apenas as escolas intervenção apresentaram reduções significativas no desperdício alimentar total (p=0,010), sobras (p=0,005) e restos (p=0,049). Nas escolas controlo, verificaram-se reduções nas sobras de dois componentes e nos restos de três componentes. Nas escolas intervenção, todos os componentes apresentaram reduções significativas nas sobras, com exceção dos fornecedores de hidratos de carbono. Embora não tenham sido verificadas diferenças significativas nos restos por componente nas escolas intervenção, todos os componentes apresentaram reduções após a intervenção.

Conclusões: Os resultados observados nas escolas intervenção demonstram a eficácia do Projeto RODA para a redução do desperdício alimentar nos refeitórios escolares, com enfoque na importância do envolvimento dos colaboradores da cozinha nos programas de educação alimentar para a efetiva redução das sobras através do cumprimento das capitações. Futuros estudos são necessários para o desenvolvimento de medidas corretivas adaptadas a cada refeitório e com ênfase nos componentes que apresentam valores de desperdício alimentar mais elevados.

Introdução: O desperdício alimentar tem vindo a tornar-se uma prioridade política nos últimos anos devido ao seu impacto na economia, meio ambiente e estado nutricional e de saúde das populações. No contexto escolar, a avaliação do desperdício alimentar é fulcral, uma vez que pode refletir um consumo alimentar inadequado por parte das crianças, comprometendo a ingestão nutricional e desenvolvimento infantil saudável.

Objetivos: Avaliar e caraterizar o desperdício alimentar, sob a forma de sobras e restos, produzido nas refeições servidas ao almoço, durante três dias não consecutivos nos refeitórios de cinco escolas públicas do ensino básico pré-escolar e 1.º ciclo (EB1/JI), localizadas no Município de Faro.

Metodologia: Os alimentos produzidos e desperdiçados foram separados e pesados por componentes agregados. A amostra foi obtida através de uma seleção não probabilística e de conveniência. Estratificaram-se as escolas como rurais ou urbanas, tendo em conta a sua localização geográfica. O desperdício alimentar foi classificado de acordo com o resultado do Índice de Sobras e Índice de Restos, utilizando-se as classificações de Vaz (2006) e Aragão (2005), respetivamente.

Resultados: Verificou-se que o valor médio de desperdício alimentar total foi de 40,2% ± 7,3% e que os valores médios totais do Índice de Sobras e Índice de Restos excederam os limites aceitáveis (15,2% ± 7,3% e 25,0% ± 5,7%, respetivamente). Considerando os componentes, os hortícolas foram os mais desperdiçados em ambas as zonas (71,2% ± 31,6%, urbana; 98,7% ± 13,7%, rural). Observou-se que o consumo de hortícolas foi significativamente inferior nas escolas da zona rural quando comparado ao seu consumo nas escolas da zona urbana (1,3% ± 5,6% e 28,7% ± 31,2%, respetivamente; p = 0,039).

Conclusões: A necessidade de implementação de medidas corretivas com vista à redução do desperdício alimentar é urgente, através da formação profissional dos trabalhadores dos refeitórios escolares, da melhoria das ementas e da promoção do consumo alimentar das crianças, especialmente no que diz respeito aos alimentos do grupo dos hortícolas.

Introdução: De forma a contribuir para a diminuição da incidência e prevalência das doenças relacionadas com os hábitos alimentares, implementou-se o Projeto de Otimização das Dietas Escolares que pretende contribuir para uma oferta alimentar escolar alinhada com as premissas de uma alimentação saudável.

Objetivos: Comparar qualitativa e quantitativamente a oferta alimentar escolar referente à refeição do almoço considerando os modelos de gestão direta e concessionada.

Metodologia: Estudo observacional de desenho transversal. O Projeto de Otimização das Dietas Escolares, implementado em 34 escolas do ensino público do distrito de Viana do Castelo, tem como objetivo garantir a oferta de refeições variadas, normoenergéticas, nutricionalmente equilibradas e que garantam os critérios de higiene e segurança alimentar. Analisaram-se dados correspondentes a uma avaliação mensal de cada escola, entre 2014 e 2019.

Resultados: Os refeitórios com gestão direta cumpriram maior percentagem (82%), em mediana, de critérios qualitativos do Projeto de Otimização das Dietas Escolares, relativamente aos de gestão concessionada (p = 0,022). Todos os refeitórios com gestão direta cumpriram a periodicidade de oferta de peixe rico em ómega-3 (ω3) exigida. Estes utilizaram uma maior quantidade de gordura e gordura saturada comparativamente aos de gestão concessionada (p = 0,030 e 0,040, respetivamente). O contrário ocorreu na oferta de fibra (p = 0,016).

Conclusões: Considerando a avaliação qualitativa, os refeitórios com gestão direta cumpriram melhor os critérios do Projeto de Otimização das Dietas Escolares e ofereceram peixe rico em ω3 com maior periodicidade, relativamente aos com gestão concessionada. Quantitativamente, os refeitórios com gestão concessionada ofereceram refeições com menor quantidade de gordura e gordura saturada e maior quantidade de fibra.

Introdução: O desperdício alimentar acarreta implicações éticas, económicas, ambientais e nutricionais, sobretudo a nível escolar. Uma unidade de alimentação coletiva deverá assegurar refeições seguras e adequadas nutricionalmente, podendo os benefícios da sua ingestão nem sempre serem garantidos se o desperdício alimentar se revelar elevado.

Objetivos: Quantificar o desperdício alimentar resultante de refeições servidas ao almoço em quatro unidades de restauração coletiva do ensino básico e secundário de um município português, com avaliação da eficácia de uma campanha de sensibilização.

Metodologia: O estudo foi dividido em três etapas. Na primeira etapa quantificou-se o desperdício alimentar; na segunda, realizou-se uma campanha de sensibilização em duas escolas e, na terceira etapa, fez-se uma nova quantificação do desperdício alimentar. Para o cálculo da sobra e resto, considerou-se o método físico de pesagem. Através da entrega e análise de um questionário pretendeu-se elencar os fatores promotores de desperdício em duas escolas.

Resultados: Verificou-se um desperdício alimentar de 32,3% (considerando prato e sopa) na primeira quantificação e 21,9% na segunda quantificação. Após intervenção, verificou-se que a campanha de sensibilização foi impactante na redução do desperdício alimentar. Quando comparadas as escolas com e sem intervenção relativamente ao desperdício alimentar verificou-se uma diminuição no desperdício obtido entre a primeira e segunda quantificação. Relativamente ao desperdício de conduto, verificou-se um índice de resto de 18,1% para “pescado” e de 11,8% para “carne”, sem significado estatístico. Os principais fatores promotores de desperdício alimentar encontrados foram: barulho durante a hora de almoço, lotação do refeitório e ementa servida.

Conclusões: O presente trabalho vem expor a necessidade de se considerarem diversos fatores como influenciadores do desperdício, nomeadamente a refeição, mas também todo o ambiente envolvente, desde a qualidade do serviço ao próprio espaço físico onde se realizam as refeições.