As contínuas alterações demográficas colocam-nos perante uma população cada vez mais envelhecida e com necessidades crescentes de cuidados alimentares, tanto numa ótica de cuidados de saúde, como de fornecimento de refeições, necessidade frequentemente suprida por serviços de alimentação coletiva. A qualidade nutricional e alimentar da oferta assume-se como um determinante major na saúde e satisfação dos idosos, sendo o plano de ementas uma das mais importantes ferramentas de gestão na área. Para que seja promovida uma oferta alimentar adequada, é essencial a existência de orientações que a balizem e que sejam alvo de atualização e melhoria contínua. A envolvência de nutricionistas no processo possibilita a revisão por pares e uma maior adaptação à realidade, permitindo obter ferramentas que auxiliem na tomada de decisão e na sustentação do trabalho desenvolvido.

O presente estudo tem como objetivo explorar a perceção e os contributos de nutricionistas sobre o documento “Proposta de Ferramenta de Avaliação Qualitativa de Ementas destinadas a Idosos”, visando uma proposta de atualização. Foi adotada uma metodologia qualitativa através da realização de grupos focais a partir de uma amostra por conveniência, constituída por 38 nutricionistas. Os resultados sugerem que, apesar de ser considerada útil, a ferramenta carece de atualização para uma maior adaptação à faixa etária e à realidade prática. Da análise de critérios específicos, os participantes identificam vários de difícil cumprimento (ex. oferta equitativa de métodos de confeção, não repetição de fruta, oferta de oleaginosas, refeições de ovo e de massa ou arroz integral), partilhando os motivos para tal. Sugerem ainda a necessidade de inclusão de critérios para alimentação de textura modificada e refletem acerca de possíveis melhorias na própria dinâmica de aplicação da ferramenta. Em suma, a discussão promovida deixa importantes contributos para uma possível atualização da ferramenta, numa ótica de maior ajuste à faixa etária e de inclusão de critérios sobre tópicos emergentes.

Introdução: A teoria da autodeterminação sugere que o contexto social e laboral tem impacto na motivação dos indivíduos, com diferentes consequências a nível comportamental.

Objetivos: Determinar a associação entre a motivação para o trabalho, as pressões percebidas neste contexto e as estratégias motivacionais utilizadas na prática clínica, numa amostra de nutricionistas/dietistas.

Metodologia: Participaram neste estudo 134 profissionais, tendo-se avaliado as suas características sociodemográficas e inerentes à profissão. Nos profissionais que exerciam em contexto clínico, avaliou-se ainda a sua motivação para o trabalho, a pressão percebida no trabalho e a perceção da utilização de estratégias motivacionais de suporte vs. de controlo na sua prática clínica, com recurso a versões adaptadas e/ou traduzidas de instrumentos validados internacionalmente.

Resultados: Cerca de 96% dos participantes eram mulheres, tinham em média 29,3 ± 6,5 anos, e cerca de 75% exerciam na área da nutrição clínica. Observou-se uma associação positiva entre a motivação intrínseca para o trabalho e o uso de estratégias motivacionais de suporte da autonomia e entre a motivação externa e amotivação e o uso de estratégias de controlo (p<0,05). Os vários tipos de pressão percebida associaram-se de forma positiva com motivações mais controladas e com o uso de estratégias controladoras.

Conclusões: Nutricionistas/dietistas mais autodeterminados, com contextos de trabalho menos pressionantes, tendem a utilizar estratégias motivacionais de suporte para com os seus clientes, com potencial impacto positivo no comportamento dos mesmos.

A importância da integração de Nutricionistas em serviços de cuidados paliativos oncológicos começa a ser discutida com maior evidência atualmente, dada a importância emergente da assistência alimentar e nutricional para o bem-estar dos pacientes e suas famílias e a qualidade dos serviços oferecidos. Nesta área, o trabalho desenvolvido pelos Nutricionistas tem-se tornado particularmente relevante no contexto de intervir e iniciar os cuidados paliativos mais cedo na trajetória da doença oncológica, mas é também importante no contexto da doença avançada, para a melhoria da experiência alimentar e qualidade de vida. No entanto, quer ao nível do conhecimento científico quer do desenvolvimento da prática profissional, são muitas as questões que permanecem por ser esclarecidas. Este trabalho teve como objetivo contextualizar o papel do Nutricionista nos cuidados paliativos oncológicos e discutir os fatores envolvidos na integração de Nutricionistas neste tipo de serviços.