Nos últimos anos tem-se verificado o aumento da população idosa e da fragilidade. Apesar de não existir uma definição universal de fragilidade, a mais usada é o Fenótipo de Fragilidade definido por Fried et al. (2001). Hábitos alimentares desequilibrados e/ou um estado nutricional desadequado são fatores de risco modificáveis para a fragilidade.

O objetivo desta revisão literária é analisar o papel da nutrição na prevenção e no tratamento da fragilidade em idosos a viver na comunidade, institucionalizados e hospitalizados.

Conclui-se que, em individuos inseridos na comunidade, educação alimentar, a fortificação alimentar, a suplementação e intervenção multidisciplinar são estratégias importantes para a prevenção e o tratamento da fragilidade. No que diz respeito a idosos institucionalizados, intervenção que inclua suplementação proteico-energética, vitamina D, cálcio e fibra contribui para melhorar o estado nutricional e a capacidade física. Em meio hospitalar, a estratégia mais eficaz é a intervenção individualizada tendo em consideração os alimentos preferidos das pessoas, snacks e suplementos alimentares ou alimentos enriquecidos em proteina, além da nutrição artificial. Serão necessários mais estudos para estabelecer recomendações específicas para a intervenção nutricional na fragilidade em pessoas idosas.

Objectives: To investigate the prevalence of sarcopenia according to five cut-off points for muscle strength and the association with undernutrition in Community dwelling older adults.

Methodology: Cross-sectional study with 321 elderly subjects from community centers in Cuiabá-MT. The main variable was the prevalence of sarcopenia and association with undernutrition. Sarcopenia was diagnosed by low muscle strength (grip strength – GS; kg) according to five cut-off points and low calf circumference (CC; cm). Nutritional status was assessed by mini nutritional assessment-short form (MNA-SF®).

Results: The median age was 69 (64-74) years, and 24.7% were undernourished. The presence of sarcopenia ranged from 1.6 to 7.6%. This prevalence was lower using EWGSOP2 criteria compared to EWGSOP (p=0.005) and ESCEO and SDOC criteria (p<0.001). The older undernourished adults were almost 3.5 times more likely to have sarcopenia (OR=3.49; p=0.003) when ESCEO criteria was used and almost 2.5 times (OR=2.43; p=0.037) times using SDOC criteria.

Conclusions: The prevalence of sarcopenia ranged from 1.6 to 7.6%. The older undernourished adults were almost 3.5 (ESCEO) and 2.5 (SDOC) times more likely to have sarcopenia.

As contínuas alterações demográficas colocam-nos perante uma população cada vez mais envelhecida e com necessidades crescentes de cuidados alimentares, tanto numa ótica de cuidados de saúde, como de fornecimento de refeições, necessidade frequentemente suprida por serviços de alimentação coletiva. A qualidade nutricional e alimentar da oferta assume-se como um determinante major na saúde e satisfação dos idosos, sendo o plano de ementas uma das mais importantes ferramentas de gestão na área. Para que seja promovida uma oferta alimentar adequada, é essencial a existência de orientações que a balizem e que sejam alvo de atualização e melhoria contínua. A envolvência de nutricionistas no processo possibilita a revisão por pares e uma maior adaptação à realidade, permitindo obter ferramentas que auxiliem na tomada de decisão e na sustentação do trabalho desenvolvido.

O presente estudo tem como objetivo explorar a perceção e os contributos de nutricionistas sobre o documento “Proposta de Ferramenta de Avaliação Qualitativa de Ementas destinadas a Idosos”, visando uma proposta de atualização. Foi adotada uma metodologia qualitativa através da realização de grupos focais a partir de uma amostra por conveniência, constituída por 38 nutricionistas. Os resultados sugerem que, apesar de ser considerada útil, a ferramenta carece de atualização para uma maior adaptação à faixa etária e à realidade prática. Da análise de critérios específicos, os participantes identificam vários de difícil cumprimento (ex. oferta equitativa de métodos de confeção, não repetição de fruta, oferta de oleaginosas, refeições de ovo e de massa ou arroz integral), partilhando os motivos para tal. Sugerem ainda a necessidade de inclusão de critérios para alimentação de textura modificada e refletem acerca de possíveis melhorias na própria dinâmica de aplicação da ferramenta. Em suma, a discussão promovida deixa importantes contributos para uma possível atualização da ferramenta, numa ótica de maior ajuste à faixa etária e de inclusão de critérios sobre tópicos emergentes.

Introdução: A sarcopenia é um distúrbio muscular esquelético generalizado e progressivo caracterizada pela redução gradual da massa muscular, da força e função musculares e está associada a um maior risco de admissões hospitalares, internamentos prolongados e maior risco de morbilidade e mortalidade. A identificação precoce da sarcopenia é crucial para que se possa estabelecer um plano de intervenção de modo a atingir um prognóstico favorável.

Objetivos: Analisar a prevalência de sarcopenia em idosos admitidos em instituições hospitalares.

Metodologia: Foi realizada uma análise da literatura publicada partir da base de dados eletrónica PubMed nos últimos 5 anos utilizando os descritores “sarcopenia” AND “hospitalized” AND “prevalence”. A pesquisa foi realizada entre julho e agosto de 2020.

Resultados: A prevalência de sarcopenia difere amplamente na literatura analisada, variando entre 7,2% e 73%. Esta variação ocorre consoante o algoritmo utilizado para diagnóstico da sarcopenia, a população analisada e os métodos aplicados para determinar a massa, força e função muscular. A maioria dos estudos relataram que a sarcopenia teve um aumento progressivo com a idade e esteve associada com várias adversidades. A coexistência de malnutrição nos idosos sarcopénicos foi elevada e há uma associação entre sarcopenia e um maior risco de morte.

Conclusões: A análise da prevalência de sarcopenia evidenciou que a malnutrição e a sarcopenia muitas vezes coexistem e podem ser associadas a desfechos clínicos negativos. A evidência científica sugere a importância de incluir na avaliação do estado nutricional, como procedimento de rotina na admissão hospitalar, a avaliação não só da presença de malnutrição, mas também da sarcopenia.

Introdução: A sarcopenia é uma síndrome geriátrica que compromete a qualidade de vida e a funcionalidade dos idosos. A literatura tem recentemente suportado que a proteína do soro do leite e aminoácidos essenciais que contêm leucina e a vitamina D, em conjunto com programas de atividade física personalizadas podem exercer efeitos positivos na prevenção e tratamento da sarcopenia nos idosos.

Objetivos: Sistematizar a evidência científica sobre o efeito da suplementação com proteína do soro do leite enriquecido em leucina e da vitamina D nos idosos com sarcopenia.

Metodologia: Analisar artigos científicos em diferentes bases eletrónicas, nomeadamente “Pubmed”, “Scopus” e “Web of Science” com publicações nos últimos 5 anos, utilizando as palavras-chave: “elderly” ou “aged”, sarcopenia”, “dietary supplements”, “leucine” e “vitamin D”. Após aplicar os critérios de inclusão e exclusão, obtiveram-se 6 artigos.

Resultados: A maioria dos estudos demonstrou que a suplementação teve efeitos significativos no aumento da massa muscular e alguns na força e função musculares dos idosos sarcopenicos. Além disso, foi relatado que esta suplementação também induziu efeitos favoráveis na atenuação do estado inflamatório destes indivíduos.

Conclusões: A suplementação com aproximadamente 20 g de proteína do soro do leite enriquecido com 4 g de leucina e 800 IU de vitamina D, juntamente com programas de atividade física demonstraram efeitos benéficos na estimulação da síntese proteica e também na preservação muscular dos idosos sarcopenicos.

Introdução: Na pandemia de COVID-19, os idosos são considerados uma população de risco acrescido. Situação que se agrava na presença de desnutrição e sarcopenia. A vitamina D pode ser uma potencial adjuvante na prevenção e tratamento de doentes com infeções virais respiratórias, que normalmente apresentam baixos níveis de vitamina D. A suplementação de vitamina D em doentes com COVID-19, poderá ser um passo importante na prevenção e disseminação da infeção.

Objetivos: Analisar a evidência sobre a suplementação de vitamina D em idosos com desnutrição, sarcopenia e COVID-19.

Metodologia: Analisar a literatura publicada na base de dados eletrónica Pubmed nos últimos 5 anos, utilizando as palavras-chave “covid-19”, “elderly”, “malnutrition”, “sarcopenia” e “vitamin D”. A pesquisa foi realizada entre abril e maio de 2020.

Resultados: A suplementação de vitamina D, em caso de carência, demonstrou um efeito benéfico na melhoria da função muscular e na redução da severidade e mortalidade por infeções respiratórias. Quando associada à proteína e ao exercício físico, apresentou um possível efeito sinérgico na quantidade e qualidade muscular. Em doentes com COVID-19, nas quais foram relatadas concentrações mais baixas de 25 (OH) D, verificou-se um aumento da mortalidade e da incidência da doença.

Conclusões: A evidência existente é pouco conclusiva e não é suficiente para estabelecer uma relação direta entre a deficiência de vitamina D e o risco de incorrer em COVID-19 no futuro. São necessários ensaios clínicos na população humana para estudar essa hipótese e inclusive perceber a influência da malnutrição e sarcopenia.

A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados foi criada com o objetivo geral de “prestação de cuidados continuados integrados a pessoas que, independentemente da idade, se encontrem em situação de dependência”. No entanto, a maioria das pessoas admitidas nestas unidades são idosas, com múltiplas comorbilidades.

Os idosos, tendo em conta as alterações fisiológicas subjacentes ao processo de envelhecimento, encontram-se particularmente predispostos para alterações do estado nutricional, nomeadamente para o desenvolvimento de desnutrição, encontrando-se esta associada a maior morbilidade e mortalidade.

O objetivo deste trabalho prende-se com a otimização dos cuidados nutricionais e de saúde prestados e uniformização de procedimentos relativos à avaliação do estado nutricional dos utentes admitidos nas Unidades de Cuidados Continuados Integrados. Este documento propõe um modelo de avaliação nutricional para os utentes admitidos em Unidades de Cuidados Continuados Integrados.

Introdução: A população portuguesa está a envelhecer e pouco se sabe sobre o estado nutricional dos idosos. Além disso, os escassos dados disponíveis revelam que os profissionais de saúde, bem como os cuidadores, poderão beneficiar de conhecimentos avançados sobre nutrição.

Objetivos: Nutrition UP 65 tem como objetivos (1) melhorar o conhecimento sobre o estado nutricional dos idosos portugueses, especificamente sobre o estado de desnutrição, de sarcopenia, de fragilidade, de obesidade, de hidratação e de vitamina D, e (2) capacitar profissionais de saúde e cuidadores para lidarem com o estado nutricional das pessoas idosas.

Metodologia: Foi utilizado um método de amostragem por clusters, representando a estrutura populacional dos idosos portugueses para a idade, o sexo, o nível de escolaridade e a área regional (NUTS II). Recolheram-se dados sociodemográficos, clínicos e antropométricos, sobre o estado de hidratação e de vitamina D. Os profissionais de saúde e cuidadores receberam sessões educativas sobre nutrição para pessoas idosas.

Resultados: Recolheram-se dados sobre 1500 pessoas idosas, de dezembro de 2015 a junho de 2016. Os resultados serão divulgados a nível nacional e internacional.

Conclusões: Os dados do Projeto Nutrition UP 65 fornecerão evidência científica para a implementação de diretrizes nutricionais para monitorar o estado nutricional dos idosos portugueses. Os profissionais de saúde e cuidadores ficarão assim mais qualificados para responder a problemas de saúde relacionados com a nutrição.

Introdução: A população idosa é particularmente suscetível a alterações do estado nutricional, nomeadamente ao desenvolvimento de desnutrição e de sarcopenia, que estão associadas a piores níveis de saúde. Por a maioria das pessoas idosas poder desenvolver estas condições em ambiente comunitário, o conhecimento da dimensão deste problema reveste-se da maior importância.

Objetivos: Conhecer a frequência da desnutrição e a coexistência desta com a sarcopenia e com a obesidade sarcopénica numa população de idosos que vive na comunidade.

Metodologia: Foi efetuado um estudo de desenho transversal em pessoas idosas que frequentavam os centros de dia e de convívio de Paços de Ferreira. Avaliou-se o estado nutricional através do Mini Nutritional Assessment e da antropometria (peso, estatura, perímetros do braço e geminal e prega cutânea tricipital). A capacidade funcional foi quantificada pela avaliação da força de preensão da mão e da velocidade da marcha. A sarcopenia foi identificada de acordo com os critérios do Consenso Europeu para a Definição e Diagnóstico de Sarcopenia. Quando os participantes apresentaram simultaneamente obesidade (avaliada pelo Índice de Massa Corporal), foram classificados como tendo obesidade sarcopénica. A associação entre as variáveis estudadas e sarcopenia, obesidade sarcopénica e a desnutrição foi quantificada através do cálculo do odds ratio e intervalos de confiança a 95%. Recorreu-se à regressão logística para a análise da associação entre desnutrição e sarcopenia, ajustada para o sexo e idade.

Resultados: Foram avaliados 337 idosos, dos quais 2,1% estavam desnutridos e 31,8% em risco de desnutrição, 51,7% apresentava obesidade e 15,1% sarcopenia. No grupo de sarcopénicos, 3,9% estavam desnutridos e 41,2% encontravam-se em risco de desnutrição. Das pessoas idosas identificadas com obesidade sarcopénica, 37,5% estavam simultaneamente em risco de desnutrição. Após ajuste para o sexo e para a idade, a presença de sarcopenia estava associada com o aumento da probabilidade de desnutrição.

Conclusões: O risco de desnutrição, a sarcopenia e a obesidade foram condições muito prevalentes e que coexistem numa proporção significativa de idosos. No grupo com obesidade sarcopénica, 37,5% estava simultaneamente em risco de desnutrição.