EDITORIAL

Nuno Borges

Acta Portuguesa de Nutrição 2020, 21, 02 , https://dx.doi.org/10.21011/apn.2020.2101

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Resumo

O ano de 2020 fica definitivamente marcado pelo aparecimento da pandemia COVID-19, uma doença transmissível vírica, que afetou transversalmente milhões de pessoas em todo o Mundo, com efeitos marcadíssimos quer na saúde quer em muitos outros aspetos da nossa sociedade. É ainda cedo para conseguir prever o resultado a longo prazo desta situação, mas não é difícil prognosticar que alguns dos nossos hábitos de vida vão ficar temporária ou permanentemente alterados, nomeadamente os que se referem ao modo como nos alimentamos. Do mesmo modo, é já possível perceber que esses mesmos hábitos alimentares e a sua correspondente expressão no nosso estado nutricional e de saúde têm influência significativa na forma como lidamos com esta infeção, sendo que foi demonstrada uma maior gravidade da sua expressão clínica em indivíduos obesos ou diabéticos, por exemplo.

Este tremendo impacto da pandemia estende-se também a outras áreas não menos importantes relacionadas com a alimentação, nomeadamente na produção e distribuição de alimentos e no inevitável empobrecimento de muitas famílias e suas consequências nas respetivas escolhas alimentares. Não podemos ainda esquecer que este foi um período em que a formação presencial pré e pós--graduada de tantos profissionais de saúde, incluindo Nutricionistas, foi severamente reduzida, levando à procura de soluções formativas alternativas. Acrescenta-se que houve igualmente um apelo à notável capacidade de resiliência de muitos profissionais no acompanhamento diário de tantos doentes.

Entretanto, foi publicado muito recentemente um importante documento da Direção-Geral da Saúde, denominado REACT-COVID, onde são apresentados os resultados de um inquérito à população Portuguesa acerca da alteração dos seus hábitos alimentares e de atividade física durante a presente pandemia. Não sendo este o local próprio para um comentário mais aprofundado aos resultados, parece-nos ser de realçar que, no geral, muitos Portugueses alteraram os seus hábitos, sendo que várias dessas alterações (mas não todas) foram num sentido positivo, ou seja, aproximando-os de um modelo alimentar mais de acordo com o que sabemos ser uma alimentação saudável.

Parece, pois, imperioso que toda esta relação mútua entre a COVID-19 e a alimentação seja estudada e aprofundada, obviamente através de estudos cientificamente sólidos e publicados nas revistas com revisão por pares. É esse o papel de uma revista como a Acta Portuguesa de Nutrição e é esse o papel facilitador que a Associação Portuguesa de Nutrição deve prestar. Chamamos assim à atenção para a realização do Congresso de Nutrição e Alimentação de 2020, que, tendo também tido necessidade de ver a sua data e formato alterados, não deixará de constituir mais um momento de divulgação e partilha de conhecimento nesta área que a todos nos une.