EDITORIAL

Nuno Borges

Acta Portuguesa de Nutrição 2020, 20, 02 , https://dx.doi.org/10.21011/apn.2020.2001

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Resumo

Neste vigésimo número da Acta Portuguesa de Nutrição é apresentado mais um conjunto de trabalhos que espelha bem a diversidade da investigação científica na área das Ciências da Nutrição. Embora seja ainda cedo para nos apercebermos do impacto da presente pandemia na atividade de investigação, podemos imaginar que alguns dos trabalhos que estavam em curso possam ter sido afetados de forma importante pela situação atual. Incluem-se aqui os que dependem essencialmente de atividade laboratorial, mas também todos os que envolvem o contacto com doentes ou utentes de qualquer serviço de saúde, restauração ou outro. Como nas restantes áreas da nossa vida comum que foram severamente alteradas pela COVID 19, desejamos que também essas atividades de investigação científica possam regressar com tanta ou mais pujança que anteriormente.

Todavia, também será de realçar a rápida proliferação, por todo o mundo, de estudos científicos relacionados com a COVID 19 e também relativos aos efeitos dos períodos de confinamento. Em Portugal não foi exceção e rapidamente se constituíram diversas linhas de investigação nas mais diversas áreas e instituições, muitas delas dedicadas aos efeitos do confinamento nos hábitos alimentares e de atividade física. Nesse contexto, a Associação Portuguesa de Nutrição criou um repositório de estudos científicos na área da alimentação e nutrição associados a esta pandemia, promovendo, assim, a sua divulgação e participação de todos os interessados, nos estudos em que tal seria solicitado.

Cremos ter aqui uma excelente oportunidade não só de aprofundamento das causas para as eventuais alterações verificadas, propiciando, por isso, novos trabalhos de investigação, mas também para a procura de novas soluções, quer ao nível nacional quer eventualmente local, para a manutenção das alterações que se reconheçam benéficas, fazendo com que não se percam alguns bons hábitos adquiridos durante a pandemia. Mais ainda, e sabendo-se da importância do estado nutricional no risco de desenvolver doença grave após infeção com o SARS-COV2, nomeadamente o agravamento proporcionado pela obesidade e comorbilidades associadas, poderemos ter aqui não só um excelente filão de investigação, mas também um novo motivo de reconhecimento da alimentação e da nutrição como fatores chave da nossa saúde.