Análise da oferta de alimentos fortificados em micronutrientes em Portugal

Analysis of the supply of micronutrient-fortified foods in Portugal

Ana Pimenta Martins, Daniela Correia, Catarina Carvalho, Carla Lopes, Ana Maria Gomes e Duarte Torres

Acta Portuguesa de Nutrição 2022, 29, 10-19 , https://dx.doi.org/10.21011/apn.2022.03

Visualizações: 1189 | Downloads PDF: 147


Download PDF See metadata Add to Mendeley Cite

Resumo

Introdução: A fortificação é o processo de adição de nutrientes aos alimentos e tem vindo a ser utilizada para combater a deficiência em micronutrientes em populações. Em Portugal, a fortificação de alimentos é voluntária, não existindo estudos que avaliem o seu impacto quer na ingestão, quer nas prevalências de inadequação de micronutrientes. Para isso, é necessário conhecer-se a oferta de alimentos fortificados em micronutrientes.

Objetivos: Identificar e caracterizar a oferta nacional de alimentos fortificados em micronutrientes através da análise de uma base de dados de rótulos alimentares recolhidos no âmbito do IAN-AF 2015-2016.

Metodologia: A base de dados utilizada integra informações sobre todos os alimentos que foram consumidos pelos participantes do IAN-AF 2015-2016, juntamente com informações obtidas através dos rótulos dos alimentos relatados como consumidos. Os alimentos fortificados em micronutrientes foram identificados pela presença de quaisquer micronutrientes que podem ser adicionados aos alimentos de acordo com o Regulamento (CE) n.º 1170/2009. O estudo compreendeu a análise de 5704 rótulos pertencentes a 12 grupos de alimentos do IAN-AF 2015-2016.

Resultados: Foram identificados 911 alimentos fortificados em micronutrientes. A maior proporção de alimentos fortificados em micronutrientes foi encontrada no grupo Cereais, derivados e tubérculos (43%), seguido por Bolachas, bolos e doces (15%), Produtos lácteos (14%), Bebidas não alcoólicas (11%), Substitutos de leite e produtos lácteos (10%) e Óleos e gorduras (7%). O número de micronutrientes adicionados variou de 1 a 17, com 37% dos produtos fortificados com um ou dois micronutrientes e os restantes 63% com, pelo menos, três. As vitaminas B2 (49%), B6 (45%), B3 (44%), B9 (43%), D (42%), B1 (37%) e B12 (35%) e os minerais ferro (45%) e cálcio (37%) são os micronutrientes mais usados para fortificar alimentos.

Conclusões: Aproximadamente 16% dos alimentos reportados como consumidos pelos participantes do IAN-AF 2015-2016 são alimentos fortificados em micronutrientes. Este estudo é o primeiro passo para se investigar a contribuição do consumo de alimentos fortificados em micronutrientes para a ingestão habitual de micronutrientes pela população portuguesa ou subgrupos específicos, a sua adequação e os potenciais riscos de ingestão excessiva.


Abstract



Introduction: Fortification is the addition of nutrients to foods and has been used to address micronutrient deficiency concerns within populations. In Portugal, food fortification is voluntary. Studies that assess the impact of fortification on micronutrient intake and prevalence of inadequacy are still lacking. The first step required to carry out such an evaluation, is to have an insight into the supply of micronutrient-fortified foods.


Objectives: Identify and characterize the national supply of micronutrient-fortified foods by analyzing the food labels' database, collected under the framework of the IAN-AF 2015-2016.


Methodology: The database used herein integrates information about the foods consumed by IAN-AF 2015-2016 participants, together with information obtained from the labelled foods reported as consumed. The study encompassed the analysis of 5704 labels belonging to 12 IAN-AF 2015-2016 food groups. Micronutrient-fortified foods were identified by the presence of any micronutrients allowed to be added to foods in accordance with Regulation (EC) No. 1170/2009.


Results: A total of 911 micronutrient-fortified foods were identified. The largest proportion of micronutrient-fortified foods was found in the Cereals, cereal products and starchy tubers (43%) food group, followed by Sweets, cakes and biscuits (15%), Dairy (14%), Non-alcoholic beverages (11%), Milk and milk products substitutes (10%) and Fats and oils (7%). The number of micronutrients added to the products ranged from 1 to 17, with 37% of food products added with one or two micronutrients and the remaining 63% with at least three. Vitamins B2 (49%), B6 (45%), B3 (44%), B9 (43%), D (42%), B1 (37%) and B12 (35%) and the minerals iron (45%) and calcium (36,7%) are the most common micronutrients used in fortified foods.


Conclusions: Approximately 16% of foods reported as consumed by IAN-AF 2015-2016 participants are micronutrient-fortified foods. This study is important to investigate further the contribution of micronutrient-fortified foods to usual micronutrient intake by the Portuguese population or specific subgroups, its adequacy, and potential risks of excessive intake.






Palavras-chave: Alimentos fortificados, Fortificação voluntária de alimentos, Fortified foods, Mercado português, Micronutrientes, Micronutrients, Portuguese market, Voluntary food fortification