Uso de aplicações móveis e bomba infusora de insulina: relação com o controlo glicémico em diabéticos tipo 1

Use of mobile applications and insulin infusion pumps: relationship with glycemic control in type 1 diabetics

Rui Jorge Dias, Rui Poínhos, Mafalda Noronha e Raquel Oliveira

Acta Portuguesa de Nutrição 2022, 30, 30-34 , https://dx.doi.org/10.21011/apn.2022.3005

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Resumo

Introdução: Nos doentes com Diabetes Mellitus tipo 1 a contagem de hidratos de carbono aliada à insulinoterapia pode melhorar o controlo glicémico. Algumas aplicações móveis permitem a contagem de hidratos de carbono de forma mais simples, sendo facilitadoras do uso desta técnica.

Objetivos: Avaliar a relação da utilização de aplicações móveis e bomba infusora de insulina com o controlo glicémico de adultos com Diabetes Mellitus tipo 1.

Metodologia: Estudo transversal realizado num hospital público em Braga. Foi avaliada uma amostra de conveniência composta por indivíduos adultos com Diabetes Mellitus tipo 1. Os dados clínicos, sociodemográficos e de uso de aplicações e bomba infusora de insulina foram recolhidos através da consulta do processo clínico. O controlo glicémico foi avaliado através dos valores da hemoglobina glicada.

Resultados: Foram avaliados 182 participantes (53,8% do sexo feminino) com idade média de 32 anos (DP = 11), dos quais 59,3% usavam aplicação móvel e 61,6% bomba infusora de insulina. Apenas o uso de aplicação móvel se relacionou significativamente com o controlo glicémico, com os participantes que usavam aplicação a apresentarem níveis inferiores de hemoglobina glicada: média marginal estimada = 6,8% vs. 7,6%; p < 0,001; eta2p = 0,227).

Conclusões: Os doentes que utilizavam aplicações móveis apresentavam valores mais baixos de hemoglobina glicada. A utilização de aplicações móveis que auxiliem na estimativa da quantidade de hidratos de carbono presentes na refeição poderá servir como um importante auxílio na contagem de hidratos de carbono.


Abstract





Introduction: In patients with type 1 diabetes mellitus, carbohydrate counting associated with insulin therapy can improve glycemic control. Some mobile applications allow a simpler carbohydrate counting, facilitating the use of this technique.


OjectivEs: To evaluate the impact of using mobile applications on the glycemic control of type 1 diabetics.


Methodology: A cross-sectional study with a retrospective component was carried out in a public hospital in Braga with a convenience sample of adults with type 1 diabetes mellitus. Glycemic control was evaluated through the values of glycated hemoglobin. Clinical and sociodemographic data, as well as mobile application use was collected through patient´s clinical records.


Results: Data from 182 participants (53.8% females) with mean age of 31.9 years (SD = 10.6), of which 59.3% used mobile applications and 61.6% used continuous subcutaneous insulin infusion were analyzed. Only the use of mobile applications was significantly associated with glycated hemoglobin, with participants using the application having better glycemic control (estimated marginal mean = 6.8% vs. 7.6%, p < 0,001, eta2p = 0,227).


Conclusions: Patients who used mobile application presented lower glycated hemoglobin values. The use of mobile applications that assist in estimating the amount of carbohydrates present in the meal may serve as an important aid in carbohydrate counting.




 







Palavras-chave: A1C, Aplicações móveis, Carbohydrate counting, Contagem de hidratos de carbono, Controlo glicémico, Diabetes Mellitus tipo 1, Glycemic control, Mobile applications, Type 1 Diabetes Mellitus