EDITORIAL

Acta Portuguesa de Nutrição 2022, 29, 02 , https://dx.doi.org/10.21011/apn.2022.2901

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Resumo

Normalidade 2.0

A XXI edição do Congresso de Nutrição e Alimentação, que decorreu em maio no Centro de Congressos de Lisboa, marcou o regresso ao formato presencial deste importante evento, após duas edições marcadas pela impossibilidade de juntar fisicamente todos os estudantes, investigadores e profissionais ligados à área da Nutrição e Alimentação.

Foi um regresso muito desejado e que, no nosso entender, correspondeu às expectativas criadas por estes dois anos de ausência.

Neste número da Acta Portuguesa de Nutrição, são apresentados os respetivos resumos das Palestras e das Comunicações Livres, que uma vez mais abordaram os múltiplos aspetos das Ciências da Nutrição, solidificando não só o seu reconhecido papel na saúde dos indivíduos e do planeta, mas também demonstrando a vitalidade da comunidade científica nacional nesta área.

Cremos, no entanto, que mesmo com a memória fresca deste(s) reencontro(s) tão desejado(s), impõe-se termos o discernimento para perceber que o Mundo não ficou o mesmo após estes dois duros anos de pandemia. Não saindo sequer do tema do Congresso de Nutrição e Alimentação, a apetência por novos formatos de comunicação a distância, por exemplo, ficou bem patente e o que antes era tido como algo estranho tornou-se agora preferível para muitos, sobretudo os mais jovens, cuja capacidade de adaptação é certamente maior.

Mas as alterações têm certamente consequências mais profundas, a todos os níveis da sociedade e, por isso, também nas Ciências da Nutrição e da Alimentação. Ficou bastante claro, por exemplo, que este tipo de infeções respiratórias, como a do SARS-COV-2, afeta diferentemente os indivíduos consoante o seu estado nutricional, mas também se verificou que no tratamento dos doentes mais graves, o apoio nutricional constitui uma faceta indispensável do seu processo de reabilitação. Tal fica exemplificado no artigo de Mendes, Ferro e Irving, deste número, onde é relatado um caso clínico deste tipo.

A importância das Ciências da Nutrição e Alimentação vai, no nosso entender, ainda mais além e pode ser determinante nas novas epidemias que as alterações climáticas previsivelmente irão provocar. A procura por novas formas de nos alimentarmos, com menos impacte no ambiente assume especial importância e é neste contexto que chamamos a atenção para o artigo de Gonçalves, Chavez e Jorge, onde se revê o papel dos insetos como fonte alimentar alternativa e provavelmente mais sustentável, quando comparada com as outras fontes de proteína animal.

Muito caminho haverá a percorrer neste campo, mas esta nova normalidade assim o exige. Saibamos dar estas respostas no rigoroso caminho da ciência e da ética.