EDITORIAL

Nuno Borges

Acta Portuguesa de Nutrição 2017, 10, 02 , https://dx.doi.org/10.21011/apn.2017.1001

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Resumo

Nesta edição da Acta Portuguesa de Nutrição surgem em destaque três artigos originais envolvendo o estudo do estado nutricional de crianças portuguesas, dos quais dois estão focados na sempre relevante questão da hidratação. Parece estranho que com tanta informação disponível e com a perceção geral de que os refrigerantes açucarados são tão prejudiciais à saúde, ainda se encontrem dados como os revelados por estes estudos. Por exemplo, que no grupo dos rapazes o contributo dos refrigerantes e sumos para a ingestão de água seja superior ao da própria água. Ou mesmo que exista uma percentagem não negligenciável de crianças nesta faixa etária que não se encontram adequadamente hidratadas. Mais ainda, percebemos que são as crianças com excesso de peso ou obesidade que se apresentam mais frequentemente hipohidratadas, com um consumo de água que está muito provavelmente abaixo das necessidades.

Não deixa de ser interessante que numa altura em que se desenham e implementam práticas de ajuste fiscal de alguns alimentos menos saudáveis, de modo a torná-los menos atrativos ao consumidor e, por isso, menos consumidos, exista um alimento, a água, cujo consumo parece baixo em algumas ocasiões e cujo preço é, pelo menos para a água da rede pública, praticamente zero. Tal parece querer dizer que o ajuste do consumo de alimentos pela via do preço não é o único meio necessário para alterar alguns hábitos menos saudáveis dos portugueses, sendo necessário um outro conjunto de ações destinada a complementar as primeiras e que, idealmente, poderiam ser apoiadas pelo excedente fiscal delas resultante.

As ações políticas destinadas a melhorar a saúde por via da alimentação devem ser apoiadas pela melhor evidência científica disponível em cada momento e nesta edição abrimos ainda caminho, com a publicação de resumos do V Congresso Português de Alimentação e Autarquias, para uma mais ampla divulgação dos trabalhos científicos: esse é o papel da Acta Portuguesa de Nutrição, o de tornar visível o utilíssimo trabalho de tantos investigadores nesta fascinante área do conhecimento científico.