EDITORIAL

Nuno Borges e

Acta Portuguesa de Nutrição 2016, 6, 03 , https://dx.doi.org/10.21011/apn.2016.0601

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Resumo

Nunca como hoje a alimentação esteve na ordem do dia, seja nos órgãos de comunicação social, seja na imensidão da internet, seja nas conversas do dia a dia. Não é estranho que assim seja, dado o contínuo reconhecimento da alimentação como o mais importante determinante da nossa saúde. Neste contexto, temos assistido a uma série de debates acerca da possibilidade de utilizar a via fiscal para atenuar alguns problemas que a ciência tem atribuído ao consumo de alguns produtos alimentares. Neste caso concreto, os alimentos em causa são as bebidas açucaradas e conhecemos já a proposta do Orçamento de Estado para 2017 de incluir uma taxa adicional em alguns destes produtos. Parece a priori importante que o debate se faça independentemente da turvação sempre causada pelo debate político de cariz mais partidário, mas assistimos não raras vezes a um esgrimir de argumentos que pouco ou nada têm que ver com a substância do debate.

Neste número da Acta Portuguesa de Nutrição publica-se um artigo que enquadra a situação relativa ao uso de medidas de natureza fiscal como fator de correção do consumo alimentar, comparando práticas em diversos países que já as implementaram. Regozijamo-nos em publicar um artigo de tamanha atualidade e que marca uma importante posição técnica e até ética sobre o tema. A análise estritamente científica das relações causa-efeito entre a instituição das medidas e os efeitos em saúde deverá, em nosso entender, constituir sempre a base deste importante tipo de decisões políticas. Será igualmente importante que sejam asseguradas as condições para que a monitorização das consequências das medidas seja efetiva, impedindo que, como não raras vezes acontece, passado algum tempo se volte sempre ao ponto de partida por inexistência deste tipo de dados.

O papel de uma revista científica como a Acta Portuguesa de Nutrição será sempre o de dar visibilidade a reflexões que possam também contribuir para a tomada de decisões políticas. A estas reflexões publicadas, para que sejam úteis, exige-se que cumpram as melhores práticas científicas, nomeadamente garantindo-se a revisão por pares prévia à publicação. Por este crivo passaram igualmente os restantes artigos aqui publicados, que voltam a demonstrar a diversidade das Ciências da Nutrição e da sua indiscutível relevância na sociedade atual.