EDITORIAL

Nuno Borges e

Acta Portuguesa de Nutrição 2016, 4, 02 , https://dx.doi.org/10.21011/apn.2016.0401

Visualizações: 11 | Downloads PDF: 0


Download PDF See metadata Add to Mendeley Cite

Resumo

Neste número da Acta Portuguesa de Nutrição voltamos a dar conta da diversidade de temas de atualidade nas Ciências da Nutrição, uma diversidade que exige dos profissionais uma constante atualização relativa a conhecimentos e práticas. A desnutrição é certamente uma das temáticas que mais deve preocupar todos aqueles que se se importam com a saúde dos outros, individual e coletivamente. Embora o espectro da fome generalizada tenha, por ora, praticamente desaparecido das sociedades modernas e a sua lembrança seja já distante, deparamo-nos presentemente com um outro tipo de problema. A desnutrição presente em doentes internados em Hospitais constitui um fator de sério agravamento quer da sua condição clínica quer dos custos a suportar pela comunidade. O artigo de Santo Amaro e colaboradores, aqui publicado, dá exatamente conta da dimensão do problema num Hospital do Serviço Nacional de Saúde e revela números preocupantes e que incidem particularmente na população idosa doente, sendo que os dados da desnutrição no momento de admissão ao Hospital se revelam especialmente graves.

Fica assim evidente que não só é fundamental a implementação universal das ferramentas de rastreio da desnutrição na admissão hospitalar como é absolutamente necessário um melhor acompanhamento destas pessoas na comunidade.

Numa sociedade de abundância e em que os problemas que a sociedade normalmente associa à má alimentação são aqueles que resultam do excesso, o caminho do reconhecimento da desnutrição como importantíssimo fator de agravamento do estado de saúde de muitos indivíduos é certamente difícil. Cabe à comunidade científica e profissional esta tarefa, pois acreditamos que sem o reconhecimento geral dificilmente se poderá atenuar o problema de forma significativa. O direito à alimentação adequada é universal e válido para jovens e idosos, saudáveis e doentes: faça-se pois da boa prática um instrumento de igualdade e justiça.