EDITORIAL

Nuno Borges

Acta Portuguesa de Nutrição 2019, 18, 02 , https://dx.doi.org/10.21011/apn.2019.1801

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Resumo

Com o décimo oitavo número da Acta Portuguesa da Nutrição são apresentados diversos artigos focando áreas bem distintas das Ciências da Nutrição, uma área em expansão assinalável, em Portugal e no Mundo. Destacamos o artigo de Silva e colaboradores, que estuda as práticas alimentares em crianças até aos três anos de idade em Portugal, recorrendo aos dados do Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física (IAN-AF) com uma amostra de mais de 900 crianças. Remetendo obviamente para o artigo os dados mais importantes, realçamos ainda assim que a percentagem de crianças que nunca foram amamentadas é significativamente inferior à encontrada em países como a França ou o Reino Unido, colocando-nos numa posição interessante a este nível e provavelmente reveladora do esforço de tantos profissionais, de que destaco os Nutricionistas, na promoção do aleitamento materno. Mas fica também outra realidade menos interessante, a de que são as mães com maior nível educacional aquelas que mais precocemente suspendem o aleitamento, um dado que expõe o muito que Portugal ainda tem que progredir no domínio da proteção laboral às mães que amamentam.

Leva-nos ainda este artigo a refletir sobre a importância decisiva que o IAN-AF teve, tem e terá ainda certamente no panorama da Nutrição em Portugal. Durante anos sucessivamente adiado, mas sempre reclamado pela comunidade científica, foi finalmente possível em 2015 avançar com este projeto, fruto da capacidade da comunidade científica portuguesa em atrair financiamento externo. A muito antecipada e caudalosa corrente de dados que vão sendo disponibilizados desde então tem permitido um nível de conhecimento sobre os hábitos alimentares dos Portugueses que nunca havíamos alcançado. A capacidade, e mesmo o entusiasmo, dos cientistas e respetivas instituições que participaram no projeto estão assim a permitir um retrato muito mais nítido da nossa realidade, que tem já tido reflexos no avanço do conhecimento científico (de que o artigo de Silva e colaboradores é um exemplo), mas também na consequente ação política que desse conhecimento deriva.

Assim deve ser sempre, com a ciência a guiar as decisões mais impactantes ao nível da saúde pública, para que se construam e solidifiquem os indispensáveis elos de confiança entre os cidadãos e os decisores.

A Acta Portuguesa de Nutrição, como sempre temos aqui referido, apresenta-se como um espaço totalmente dedicado à construção do conhecimento nas Ciências da Nutrição e assim se manterá, com a exigência e o rigor necessários.