ABSTRACT

Introduction: Feeding practices in the first two years of life influence the child’s growth and future health. Updated information on factors associated with breastfeeding and complementary feeding practices is needed to support maternal and child health policies.

Objectives: To describe breastfeeding and complementary feeding practices and associated factors on a representative sample of Portuguese children.

Methodology: The study includes a sample of 904 children from 3 to 35 months from the National Food, Nutrition and Physical Activity Survey (IAN-AF 2015-2016). A questionnaire about feeding practices during the first years of life was applied to parents/caregivers. Survival analysis was used to estimate proportions and a Cox regressions hazard model was used to estimate associations.

Results: The proportion of children never breastfed was around 6% and 30% stopped breastfeeding before 4 months. The breastfeeding duration was longer in older, less educated and unemployed mothers. Only 3.3% of infants started complementary feeding before 4 months. Weaning started with a vegetable soup in 66% of infants. Around 7% of children drunk cow milk before completion of 12 months of age and the risk of early consumption was increased in infants from less educated and unemployed mothers. Children assisted by a primary health care physician had a higher risk of early introduction of cow milk in comparison with the paediatrician.

Conclusions: Among Portuguese children, early feeding practices seem to be globally according to recommendations. An early stop of breastfeeding is more frequent in higher educated women and active workers. Other practices that could compromise children’s growth such as the early introduction of cow milk is more frequent in socio-economic disadvantaged families.

KEYWORDS

Breastfeeding, Complementary feeding, Cow milk, Determinants, Early feeding practices

RESUMO

Introdução: As práticas alimentares nos primeiros 2 anos de vida condicionam o crescimento e a saúde futura da criança. Informação atualizada sobre que fatores estão associados às práticas de aleitamento materno e de diversificação alimentar é necessária para apoiar políticas de saúde materno-infantil.

Objetivos: Caraterizar a prática de aleitamento materno e diversificação alimentar e fatores associados numa amostra representativa de crianças Portuguesas.

Metodologia: O estudo incluiu uma amostra de 904 crianças dos 3 aos 35 meses, avaliadas no Inquérito Alimentar Nacional e de Atividade Física (IAN-AF 2015-2016). O questionário sobre práticas alimentares no primeiro ano de vida foi aplicado aos pais/cuidadores. Para estimar as proporções usou-se análise de sobrevivência e para estimar as associações utilizaram-se modelos de regressão de Cox.

Resultados: A proporção de crianças que nunca foi amamentada é de cerca de 6% e 30% deixou de ser amamentada antes dos 4 meses. A duração do aleitamento materno foi maior em mães mais velhas, menos escolarizadas e desempregadas. Apenas 3,3% das crianças iniciaram a diversificação alimentar antes dos 4 meses de idade. Em 66% dos casos, o primeiro alimento introduzido foi a sopa de vegetais. Pelo menos 7% das crianças consumiram leite de vaca antes dos 12 meses de idade e a probabilidade de introdução precoce do mesmo foi maior no caso de mães menos escolarizadas e desempregadas. Também as crianças assistidas pelo médico de família apresentaram maior risco de introdução precoce de leite de vaca comparativamente a crianças assistidas pelo pediatra.

Conclusões: Entre as crianças portuguesas as práticas alimentares parecem ocorrer, globalmente, de acordo com as recomendações. O abandono precoce do aleitamento materno é mais frequente em mães mais escolarizadas e ativas profissionalmente. Outras práticas que podem comprometer o crescimento saudável da criança, como a introdução precoce do leite de vaca, são mais frequentes em grupos socioeconómicos mais desfavorecidos.

PALAVRAS-CHAVE

Aleitamento materno, Diversificação alimentar, Leite de vaca, Determinantes, Práticas alimentares precoces