EDITORIAL

Nuno Borges
Resumo

Neste décimo quinto número da Acta Portuguesa de Nutrição, são publicados alguns artigos de inegável interesse na cada vez mais ampla área das Ciências da Nutrição, o que vai sedimentando a função primordial desta publicação.

Chama-nos particularmente à atenção o artigo de Pinho-Reis et al., que se debruça sobre as questões éticas da alimentação artificial em fim de vida. É feito um aprofundado ponto de situação relativo a esta área transversal a várias profissões da área da saúde, com especial enfoque no papel do Nutricionista. São muito relevantes as matérias abordadas, nomeadamente as que dizem respeito a decisões como alimentar e/ou hidratar artificialmente um doente em fim de vida, mas também acerca de como encarar a vontade de um determinado doente em não se alimentar, ou seja, a cessação voluntária da alimentação por parte deste. São discutidos aspetos técnicos e éticos e ressalta, em nosso entender, uma questão deveras relevante: a alimentação e a hidratação, constituindo em muitas patologias também um meio terapêutico, têm a si associadas um conjunto de outros fatores (sociais, emocionais, culturais, etc.) que as tornam únicas e, por isso, carentes de um tipo de reflexão ainda mais apurado.

Paralelamente, foi publicado no passado mês de janeiro, na prestigiada revista Lancet (1), um importante artigo acerca do futuro da sustentabilidade dos sistemas de produção alimentar e da sua capacidade em providenciar uma alimentação saudável a um número crescente de habitantes do nosso planeta, tendo como pano de fundo o designado “Antropoceno” período geológico atual e assim designado devido ao impacte da atividade humana hoje reconhecido sobre o planeta Terra. Discutem-se as formas de atingir estes objetivos e consolidam-se as relações entre a alimentação e a saúde. Este é também um tema, ou conjunto de temas, que encerra questões éticas importantes, como a já referida sustentabilidade dos sistemas de produção, distribuição e venda de alimentos, enquadrada numa lógica de sustentabilidade, hoje ameaçada, dos ecossistemas terrestres e marinhos. Mas também reforça a necessidade do recurso à melhor ciência e à melhor tecnologia disponíveis como meio para atingir estes ambiciosos, mas necessários, objetivos, dando assim renovado alento ao primado da ciência sobre as decisões técnicas de profissionais como os Nutricionistas.

Valorização do conhecimento científico e aprofundamento sobre as questões éticas, do indivíduo ao planeta, manter-se-ão assim o núcleo central que deve sustentar a ação do Nutricionista, tal como hoje está consagrado no seu Código Deontológico. Só com tamanha solidez estrutural estaremos preparados para enfrentar os desafios de um futuro em constante mudança, imunes a modas, tendências do momento e pressões de diversa índole.

Referências Bibliográficas

1. Willett W, Rockstrom J, Loken B, Springmann M, Lang T, Vermeulen S, et al. Food in the Anthropocene: the EAT-Lancet Commission on healthy diets from sustainable food systems. Lancet (London, England). 2019;393(10170):447-92.

Body Mass Index and Disordered Eating Behaviors: A Cross-sectional Study of a Community Sample Participating in an Obesity Awareness Campaign

Índice de Massa Corporal e Comportamentos Alimentares Problemáticos: Estudo Transversal de Amostra Comunitária Recolhida em Campanha de Sensibilização para a Obesidade
Sofia Ramalho; Ana Marinho; Ana Pinto-Bastos; Ana Vieira; Carina Magalhães; Cátia Silva; Susana Pedras; Silvia Pucci; Rosana Moysés; Tânia Rodrigues; Marta de Lourdes; Eva Conceição
Resumo

ABSTRACT

Introduction: Several behavioral and lifestyle factors, including disordered eating behaviors, interact in the development and maintenance of overweight and obesity in adults.

Objectives: The present study aimed to describe the anthropometric, sociodemographic, and lifestyle characteristics, as well as the disordered eating behaviors of a community sample collected during an Obesity Awareness Campaign. Furthermore, the association between Body Mass Index, age, gender, food, beverages intake, and disordered eating behaviors is to be explored.

Methodology: This sample was composed of 109 participants (59% women, aged 39.7 ± 15.5 years; Body Mass Index 24.8 ± 3.6) who agreed to participate in an Obesity Awareness Campaign promoted in a shopping mall in the north of Portugal. Body Mass Index and disordered eating behaviors (uncontrolled eating, emotional eating, and cognitive restriction) were the main measures evaluated.

Results: Participants with obesity presented significantly more uncontrolled eating and emotional eating levels when compared to participants with overweight and normal Body Mass Index. No statistically significant differences were found between genders, age groups (18-28; 29-39; 40-50; 51-61; over 62 years) and disordered eating behaviors.

Conclusions: The results seem to indicate a positive link between disordered eating behaviors (uncontrolled and emotional eating) with the intake of unhealthy food/beverages, which can consequently lead to increased caloric intake and difficulties in weight management. The present findings alert clinicians to the importance of assessing disordered eating behaviors in individuals with obesity, providing useful information to customize clinical recommendations and intervention strategies, mainly in regard to the associations between food/beverage consumption and disordered eating behaviors.

KEYWORDS

Body Mass Index, Disordered eating behaviors, Emotional eating, Obesity, Uncontrolled eating

RESUMO

Introdução: Múltiplos fatores comportamentais e de estilo de vida, incluindo comportamentos alimentares problemáticos, interagem no desenvolvimento e manutenção do excesso de peso e obesidade em adultos.

Objetivos: O presente estudo teve como objetivos descrever as principais características de uma amostra comunitária recolhida durante uma Campanha de Sensibilização para a Obesidade, ao nível de variáveis antropométricas, sociodemográficas, de estilo de vida, e de comportamentos alimentares problemáticos. Além disso, foram também exploradas as associações entre Índice de Massa Corporal, idade, género, alimentação, consumo de bebidas açucaradas e comportamentos alimentares problemáticos.

Metodologia: A amostra foi constituída por 109 indivíduos (59% mulheres, idade 39,7 ± 15,5 anos; Índice de Massa Corporal 24,8 ± 3,6) que aceitaram participar numa Campanha de Sensibilização para a Obesidade promovida num centro comercial no norte de Portugal. Índice de Massa Corporal e comportamentos alimentares problemáticos (comer de forma descontrolada, fome emocional e restrição cognitiva) foram as principais medidas avaliadas.

Resultados: Participantes com obesidade apresentaram pontuações mais elevadas nas subescalas de ingestão alimentar compulsiva e fome emocional, quando comparados a participantes com excesso de peso e Índice de Massa Corporal normal. Não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas entre os géneros, grupos etários (18-28; 29-39; 40-50; 51-61; 62 anos) e comportamentos alimentares problemáticos.

Conclusões: Os resultados parecem sustentar a existência de uma associação positiva entre comportamentos alimentares problemáticos e a ingestão de alimentos/bebidas não saudáveis, que podem, consequentemente, levar a um aumento da ingestão calórica e a dificuldades no controle de peso. Os dados encontrados alertam os clínicos para a importância de avaliar comportamentos alimentares problemáticos em indivíduos com obesidade, fornecendo informações úteis para personalizar recomendações clínicas e estratégias de intervenção, principalmente no que diz respeito às associações entre ingestão alimentar (alimentos/bebidas) e comportamentos alimentares problemáticos.

PALAVRAS-CHAVE

Índice de Massa Corporal, Comportamentos alimentares problemáticos, Fome emocional, Obesidade, Ingestão alimentar compulsiva

Resultados do acompanhamento nutricional de crianças e adolescentes com sobrecarga ponderal nos cuidados de saúde primários

Results from the follow-up of overweight children and adolescents in the primary health care
Catarina de Almeida; Gisela Morais; Elisabete Pinto
Resumo

RESUMO

Introdução: A obesidade infantil é um problema de Saúde Pública, para o qual os hábitos alimentares inadequados e a insuficiente prática de atividade física são fatores de risco e, atualmente, frequentes na população infantil.

Objetivos: Este trabalho pretendeu avaliar a evolução ponderal e dos comportamentos de saúde de um grupo de crianças e adolescentes com pré-obesidade ou obesidade, utentes de uma Unidade de Cuidados de Saúde Primários portuguesa, seguidos em consulta de Nutrição. Avaliaram-se, também, alguns comportamentos de saúde nos respetivos cuidadores e averiguou-se se existia associação entre os comportamentos de ambos.

Metodologia: Este estudo combinou uma vertente retrospetiva, com recolha de dados antropométricos e de comportamentos de saúde, a partir do processo clínico do utente e uma vertente transversal, com recolha de informação durante a consulta em que o participante aceitou pertencer ao estudo. Os cuidadores responderam a um questionário sobre os seus hábitos alimentares e de atividade física.

Resultados: As 36 crianças e jovens incluídos no estudo (44,4% do sexo feminino; idade mediana de 14 anos) estavam a ser acompanhados, em mediana, há 3,6 anos, tendo o Z-Score para o Índice de Massa Corporal mediano descido significativamente desde a primeira consulta até à avaliação presente (2,70 vs. 2,18; p<0,001). Relativamente à aquisição de hábitos salutogénicos, a totalidade dos participantes passaram a tomar pequeno-almoço (no início faziam 91,7%), aumentou a proporção de crianças e adolescentes que ingeriam hortícolas ao almoço diariamente (30,6% vs. 69,4%), bem como de crianças que passaram a comer três peças de fruta por dia (11,1% vs. 33,3%). Os adolescentes eram os que mais praticavam o número de horas de atividade física recomendado. Não se observaram associações entre os hábitos dos cuidadores e os dos respetivos educandos.

Conclusões: O acompanhamento de crianças e adolescentes com sobrecarga ponderal em consulta de Nutrição, nos Cuidados de Saúde Primários, mostrou-se eficaz na aquisição de hábitos salutogénicos e melhoria do estado nutricional.

PALAVRAS-CHAVE

Comportamentos de saúde, Evolução ponderal, Hábitos alimentares e de atividade física, Obesidade infantil

ABSTRACT

Introduction: Childhood obesity is a Public Health challenge, for which inadequate food habits and insufficient physical activity are major risk factors and very common among children, nowadays.

Objectives: The aim of this research was to assess the weight gain and health behaviors in a group of overweight or obese children and adolescents, accompanied by a nutritionist in a Portuguese primary health care unit. Some health behaviors were also evaluated in the caregivers and it was investigated if there was any association between the behaviors of both.

Methodology: This study combined a retrospective approach, with collection of anthropometric and health behaviors from clinical records and a cross-sectional approach with data collection during the appointment where participant agreed to participate in the study. Caregivers answered a questionnaire about their food habits and physical activity.

Results: The 36 children and adolescents, included in the study (44.4% females; median age of 14 years old) were followed-up for 3.6 years (median) and the median Z-Score for body mass index significantly decreased since the first appointment (2.70 vs. 2.18; p<0.001). Concerning the acquisition of salutogenic habits, it was observed that all participants started to eat breakfast (at the beginning only 91.7% took it), the proportion of youngers that daily consumed vegetables at lunch increased (30.6% vs. 69.4%), as well as the proportion of youngers that consumed three portions of fruit per day (11.1% vs. 33.3%). Adolescents are the ones that more frequently practice the recommended hours of physical activity. There were no associations between the behaviors of children and their caregivers.

Conclusions: The follow-up of overweight and obese children and adolescents by a nutritionist, in primary health care, was effective in the acquisition of salutogenic behaviors and in the improvement of nutritional status.

KEYWORDS

Health behaviors, Weight gain, Food and physical activity behaviors, Childhood obesity

Nutritional, health status and well-being at work: gender’s differences

Estado de saúde e bem-estar no local de trabalho: diferenças entre géneros
João PM Lima; Sofia A Costa; Ada Rocha
Resumo

ABSTRACT

Introduction: A report from the Institute of Medicine referred that “being male or female is a determinant variable that should be considered when analyzing basic and clinical research”.

Objectives: This work aims to look at gender differences concerning food consumption, health status, chronic diseases and well-being indicators such as: energy, mood, concentration, stress, productivity in University of Porto’s workers.

Methodology: A cross sectional observational study was conducted. Data collection was developed through the application of a self-administrated questionnaire. 513 university employees were assessed, including academic and non-academic workers.

Results: A larger number of women had breakfast (97.3% vs. 91.0%; p=0.002), mid-morning (57.0% vs. 35,3%; p<0.001) and mid-afternoon snacks (66.8% vs. 41.5%; p<0.001), everyday compared with men The frequency of consumption of fruit (58.1% vs. 29.1%; p<0.001) and vegetables (46.4% vs. 32.2%; p<0.001) everyday was higher in women than men. The frequency of consumption of alcoholic beverages at the workplace was higher in men (59.9% vs. 29.2%; p<0.001 – percentages of consumption at least once a week).

Compared to men, women reported more frequently to suffer from chronic diseases and to have a worse health status, as well as a worst well-being at the workplace.

Conclusions: Women reported to have worse health status and well-being, despite the best eating habits which could be explored and treated as an occupational concern.

KEYWORDS

Chronic diseases, Food consumption, Gender, Health status, Occupational health

RESUMO

Introdução: Um relatório do Institute of Medicine referiu que “ser homem ou mulher é uma variável determinante que deve ser considerada quando realizada investigação básica e clínica”.

Objetivos: Este trabalho tem como objetivo analisar as diferenças entre géneros quanto ao consumo de alimentos, estado de saúde, doenças crónicas e indicadores de bem-estar como: energia, humor, concentração, stress e produtividade nos trabalhadores da Universidade do Porto.

Metodologia: Foi realizado um estudo observacional de corte transversal. A recolha de dados foi desenvolvida através da aplicação de um questionário autoadministrado. Foram avaliados 513 colaboradores, incluindo docentes e não docentes.

Resultados: Um maior número de mulheres realizou o pequeno-almoço (97,3% vs. 91,0%; p = 0,002), meio da manhã (57,0% vs. 35,3%; p <0,001) e meio da tarde (66,8% vs. 41,5%; p <0,001) ), todos os dias em comparação com os homens. A frequência de consumo de frutas (58,1% vs. 29,1%; p <0,001) e hortícolas (46,4% vs. 32,2%; p <0,001) com uma periodicidade diária foi maior em mulheres do que em homens. A frequência de consumo de bebidas alcoólicas no local de trabalho foi maior em homens (59,9% vs. 29,2%; p <0,001 - percentagens de consumo relativas a pelo menos uma vez uma semana). Em comparação com os homens, as mulheres relataram mais frequentemente sofrer de doenças crónicas e ter um pior estado de saúde, bem como um pior bem-estar no local de trabalho.

Conclusões: As mulheres relataram um pior estado de saúde e bem-estar, apesar dos melhores hábitos alimentares, o que poderá ser explorado e tratado como uma preocupação ao nível da saúde ocupacional.

PALAVRAS-CHAVE

Doenças crónicas, Consumo alimentar, Género, Estado de saúde, Saúde ocupacional

Adesão ao Padrão Alimentar Mediterrânico e estado nutricional dos doentes com enfarte agudo do miocárdio

Adherence to the Mediterranean Diet and the nutritional state of the patients with acute myocardial infarction
Sandra Rosado; Graça Raimundo; José Aguiar; Ana Catarina Moreira
Resumo

RESUMO

Introdução: As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte em Portugal. Vários estudos referem o Padrão Alimentar Mediterrânico como protetor das doenças cardiovasculares.

Objetivos: Aferir a adesão ao Padrão Alimentar Mediterrânico e caracterizar o estado nutricional de uma amostra de doentes internados no Hospital Espírito Santo de Évora, E.P.E. que sofreram enfarte agudo do miocárdio.

Metodologia: Estudo transversal. Amostra composta por 42 doentes com enfarte agudo do miocárdio internados no Hospital Espírito Santo de Évora, E.P.E., entre fevereiro e abril de 2018. Aferiu-se a escolaridade e mediu-se o peso, a altura e o perímetro abdominal. Para aferir a adesão ao Padrão Alimentar Mediterrânico foi aplicado o MedDietScore e para caracterizar a alimentação foi aplicado um Questionário de Frequência Alimentar, previamente validado para a população adulta portuguesa.

Resultados: A média de idades dos homens e mulheres foi de 65,3 anos±10,2 e de 70,5 anos±11,3, respetivamente. O índice de massa corporal da amostra teve uma média de 28,5 Kg/m2±4,6 (no caso das mulheres de 29,6 Kg/m2±5,4 e no caso dos homens de 28,0 Kg/m2±4,3). Dos 25 idosos, 64% apresentou excesso de peso e dos 17 adultos, 76,5% apresentou excesso de peso. A mediana do perímetro abdominal dos homens foi de 100,0 cm e a mediana do perímetro abdominal das mulheres foi de 102,0 cm. Foi encontrado um perímetro abdominal >88 cm em 100% das mulheres. Nos homens, 44,8% possuía um perímetro abdominal >102 cm e em 24,1% foi encontrado um perímetro abdominal >94 cm. Apenas 19,1% dos inquiridos apresentaram uma adesão elevada ao Padrão Alimentar Mediterrânico. O consumo de carne vermelha foi superior ao consumo de carne branca ou de peixe [64,3 (P25=17,13; P75=77,15) g/dia vs. 31,7(P25=12,0; P75=68,6) g/dia e 14,3(P25=6,9; P75=31,4) g/dia].

Conclusões: A maioria da amostra apresentou excesso de peso (69,0%), possuía um perímetro abdominal com risco de doenças cardiovasculares associado e 80,9% não apresentou uma elevada adesão ao Padrão Alimentar Mediterrânico.

PALAVRAS-CHAVE

Alimentação no Alentejo, Dieta mediterrânica, Doenças cardiovasculares, Enfarte agudo do miocárdio

ABSTRACT

Introduction: Cardiovascular diseases are the main cause of death in Portugal. Various studies point the Mediterranean diet as the protector of the cardiovascular diseases.

Objectives: Evaluate the adherence to the Mediterranean diet and characterize the nutritional state of a sample of patients hospitalized at Hospital Espírito Santo de Évora, E.P.E. who suffered acute myocardial infarction.

Methodology: Transversal study. Sample from 42 patients with myocardial infarction admitted at Hospital Espírito Santo de Évora, E.P.E., between February and April of 2018. Data on education, weight, height and the waist circumference were collected. Regarding the adherence to the Mediterranean diet MedDietScore was applied. To characterize the food pattern the alimentation frequency quiz was applied.

Results: The average age of men and women was 65,3 years old±10,2 and 70,5 years old±11,3, respectively. The body mass index of the sample had an average of 28,5 Kg/m2±4,6 (29,6 Kg/m2±5,4 in women and 28,03 Kg/m2±4,3 in men). From the 25 elderly, 64% were overweight and from the 17 adults, 76,5% were overweight as well. The waist circumference median on men was of 100,0 cm and on women was of 102,0 cm. A waist circumference >88 cm was found in 100% of women. In 44.8% of men was found a waist circumference >102 cm and in 24.1% was found a waist circumference >94 cm. Only 19.1% of those who were surveyed presented a high adherence to Mediterranean diet. The consumption of red meat was higher than the consumption of white meat or fish [64,3 (P25=17,13; P75=77,15) g/day vs. 31,7(P25=12,0; P75=68,6) g/day e 14,3(P25=6,9;P75=31,4) g/day].

Conclusions: The majority of the sample participants were overweight (69,0%), had a waist circumference indicative of cardiovascular diseases, and 80,9% did not present a high adherence to the Mediterranean diet.

KEYWORDS

Food in the Alentejo, Mediterranean diet, Cardiovascular diseases, Acute myocardial infarction

Adolescente e Obesidade: considerações sobre a importância da educação alimentar

Adolescent and Obesity: considerations about the importance of food education
Goreti Botelho; Jorge Lameiras
Resumo

RESUMO

O período da adolescência apresenta enormes desafios. As escolhas alimentares, muitas vezes, afastam-se do conceito da alimentação saudável, situação agravada por contextos socioeconómicos ou culturais desfavoráveis. A prevalência relevante de obesidade em adolescentes é uma realidade. O consumo de fast food tem vindo a ser relacionada com essa prevalência e com o afastamento do consumo de alimentos saudáveis, como os produtos hortofrutícolas. A educação alimentar e nutricional, realizada de forma sistemática, em diversos contextos como a escola, é uma estratégia importante para apoiar os adolescentes a tomar decisões que garantam a manutenção da sua saúde no presente e no futuro. O presente trabalho de revisão tem como objetivo estabelecer uma interligação crítica e reflexiva entre a nutrição e o papel da educação alimentar, sobretudo num contexto escolar, centrada no adolescente.

PALAVRAS-CHAVE

Adolescentes, Educação alimentar, Escola, Fast food, Obesidade

ABSTRACT

The period of adolescence presents enormous challenges. Food choices often deviate from the concept of healthy eating, a situation aggravated by unfavorable socio-economic or cultural contexts. The relevant prevalence of obesity in teenagers is a reality. The consumption of fast food has been related to this prevalence and to the distancing of the consumption of healthy foods, such as fruits and vegetables. Food and nutritional education, conducted in a systematic way, in diverse contexts such as school, is an important strategy to support adolescents to make decisions that ensure the maintenance of their health in the present and in the future. This review aims to establish a critical and reflexive interconnection between nutrition and the role of food education, especially in a school context, focused on the adolescent.

KEYWORDS

Adolescents, Food education, School, Fast food, Obesity

Nutrition and Hydration in the End-of-Life Care: Ethical Issues

Nutrição e Hidratação em Fim de Vida: Questões Éticas
Cíntia Pinho-Reis; António Sarmento; Manuel Luís Capelas
Resumo

ABSTRACT

The last decades brought huge advances in medical technology and pharmacology. One area that reflects this progress has been the administration of nutrition and hydration. These are controversial therapies at the end of life, especially when administered by artificial means. The objective of this review was to discuss and comprehend the current and global knowledge about ethical issues related to food, nutrition and hydration in the end-of-life care. The problematic situations analyzed include: advanced directives, the concept of basic human care or treatment, the meaning of food and fluids, the withholding and withdrawing of nutrition and hydration, risks and benefits of nutritional support and the concept of voluntary stopping eating and drinking.

KEYWORDS

Artificial hydration, Artificial nutrition, End of life, Ethics, Oral feeding, Palliative care

RESUMO

As últimas décadas originaram inúmeros avanços na tecnologia médica e farmacológica. Uma das áreas que reflete esse progresso tem sido a administração de alimentação, nutrição e hidratação. Representam áreas controversas do cuidar em fim de vida, especialmente se administradas pela via artificial. O objetivo desta revisão foi discutir e compreender o conhecimento atual e global relativamente às questões éticas relacionadas com a alimentação, nutrição e hidratação no fim de vida. As situações problemáticas analisadas incluíram: diretivas antecipadas de vontade, o conceito de cuidado humano básico ou tratamento, o significado da alimentação e hidratação, a suspensão e abstenção de nutrição e hidratação, riscos e benefícios do suporte nutricional e o conceito da cessação voluntária de nutrição e hidratação.

PALAVRAS-CHAVE

Hidratação artificial, Nutrição artificial, Fim de vida, Ética, Alimentação oral, Cuidados paliativos

Edição nº15

Resumo

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