EDITORIAL

Nuno Borges;
Resumo

Na presente edição da Acta Portuguesa de Nutrição encontram-se publicados os resumos das comunicações e conferências apresentados no XV Congresso de Nutrição e Alimentação da Associação Portuguesa dos Nutricionistas. Este evento, uma referência no panorama nacional nesta área, contou com cerca de 60 palestrantes, 100 comunicações livres e 1500 congressistas.

Os resumos destas intervenções, que aqui se apresentam, refletem o dinamismo e a diversidade atuais das Ciências da Nutrição e o interesse que vai despertando na sociedade em que se inserem. Refletem igualmente a diversidade de formações de base de todos os intervenientes, revelando novamente o carácter muito eclético da área das Ciências da Nutrição.

Destacamos neste curto texto o papel dos órgãos de comunicação social na divulgação pública dos mais recentes avanços nesta área, tema aliás que foi objeto de uma interessantíssima e muito participada mesa neste Congresso. Como já foi amplamente comentado, a avalanche de novos dados que invade continuamente a literatura científica acaba por encontrar muitas vezes eco nos órgãos de comunicação generalistas, dada a grande notoriedade pública deste tema. E aqui o desafio é tremendo, uma vez que fica muitas vezes patente a dificuldade de transmitir de forma simples e inteligível um tipo de conhecimento científico que é quase sempre circunscrito a condições específicas e, por isso, difícil de generalizar. Esta generalização e a procura de respostas do tipo sim/não, ambição legítima do jornalista generalista, apresenta muitas dificuldades, exigindo deste uma cultura científica importante por forma a garantir a transmissão de uma informação correta e, ao mesmo tempo, útil para todos. Este é um desafio também para os profissionais e para os investigadores, exigindo-lhes não só uma atualização permanente de conhecimentos como uma capacidade de comunicação impecável. Só desta forma podemos garantir que o centro da informação de referência na área das Ciências da Nutrição não se desloque para locais de menor credibilidade científica, não raramente ao sabor de modas, convicções e até interesses comerciais que nada têm que ver com ciência.

Por fim, e tal como já fizemos anteriormente, convidamos toda a comunidade para o próximo Congresso de Nutrição e Alimentação, o XVI, que terá lugar em Lisboa em maio de 2017.

Nutrition UP 65 – nutritional strategies facing an older demography: framework and methodological considerations

Nutrition UP 65 – estratégias nutricionais para uma demografia envelhecida: enquadramento e considerações metodológicas
Teresa F Amaral; Alejandro Santos; Ana S Sousa; Rita S Guerra; Luísa Álvares; Rui Valdiviesso; Patrícia Padrão; Cláudia Afonso; Cátia Martins; Graça Ferro; Nuno Borges; Pedro Moreira
Resumo

RESUMO

Introdução: A população portuguesa está a envelhecer e pouco se sabe sobre o estado nutricional dos idosos. Além disso, os escassos dados disponíveis revelam que os profissionais de saúde, bem como os cuidadores, poderão beneficiar de conhecimentos avançados sobre nutrição.

Objetivos: Nutrition UP 65 tem como objetivos (1) melhorar o conhecimento sobre o estado nutricional dos idosos portugueses, especificamente sobre o estado de desnutrição, de sarcopenia, de fragilidade, de obesidade, de hidratação e de vitamina D, e (2) capacitar profissionais de saúde e cuidadores para lidarem com o estado nutricional das pessoas idosas.

Metodologia: Foi utilizado um método de amostragem por clusters, representando a estrutura populacional dos idosos portugueses para a idade, o sexo, o nível de escolaridade e a área regional (NUTS II). Recolheram-se dados sociodemográficos, clínicos e antropométricos, sobre o estado de hidratação e de vitamina D. Os profissionais de saúde e cuidadores receberam sessões educativas sobre nutrição para pessoas idosas.

Resultados: Recolheram-se dados sobre 1500 pessoas idosas, de dezembro de 2015 a junho de 2016. Os resultados serão divulgados a nível nacional e internacional.

Conclusões: Os dados do Projeto Nutrition UP 65 fornecerão evidência científica para a implementação de diretrizes nutricionais para monitorar o estado nutricional dos idosos portugueses. Os profissionais de saúde e cuidadores ficarão assim mais qualificados para responder a problemas de saúde relacionados com a nutrição.

PALAVRAS-CHAVE

Conhecimento nutricional, Estado nutricional, Nutrition UP 65, Idosos

Coexistência da desnutrição com a sarcopenia em idosos do concelho de Paços de Ferreira

Coexistence of undernutrition with sarcopenia among older adults in Paços de Ferreira
Soraya Bernardo; Teresa F Amaral
Resumo

RESUMO

Introdução: A população idosa é particularmente suscetível a alterações do estado nutricional, nomeadamente ao desenvolvimento de desnutrição e de sarcopenia, que estão associadas a piores níveis de saúde. Por a maioria das pessoas idosas poder desenvolver estas condições em ambiente comunitário, o conhecimento da dimensão deste problema reveste-se da maior importância.

Objetivos: Conhecer a frequência da desnutrição e a coexistência desta com a sarcopenia e com a obesidade sarcopénica numa população de idosos que vive na comunidade.

Metodologia: Foi efetuado um estudo de desenho transversal em pessoas idosas que frequentavam os centros de dia e de convívio de Paços de Ferreira. Avaliou-se o estado nutricional através do Mini Nutritional Assessment e da antropometria (peso, estatura, perímetros do braço e geminal e prega cutânea tricipital). A capacidade funcional foi quantificada pela avaliação da força de preensão da mão e da velocidade da marcha. A sarcopenia foi identificada de acordo com os critérios do Consenso Europeu para a Definição e Diagnóstico de Sarcopenia. Quando os participantes apresentaram simultaneamente obesidade (avaliada pelo Índice de Massa Corporal), foram classificados como tendo obesidade sarcopénica. A associação entre as variáveis estudadas e sarcopenia, obesidade sarcopénica e a desnutrição foi quantificada através do cálculo do odds ratio e intervalos de confiança a 95%. Recorreu-se à regressão logística para a análise da associação entre desnutrição e sarcopenia, ajustada para o sexo e idade.

Resultados: Foram avaliados 337 idosos, dos quais 2,1% estavam desnutridos e 31,8% em risco de desnutrição, 51,7% apresentava obesidade e 15,1% sarcopenia. No grupo de sarcopénicos, 3,9% estavam desnutridos e 41,2% encontravam-se em risco de desnutrição. Das pessoas idosas identificadas com obesidade sarcopénica, 37,5% estavam simultaneamente em risco de desnutrição. Após ajuste para o sexo e para a idade, a presença de sarcopenia estava associada com o aumento da probabilidade de desnutrição.

Conclusões: O risco de desnutrição, a sarcopenia e a obesidade foram condições muito prevalentes e que coexistem numa proporção significativa de idosos. No grupo com obesidade sarcopénica, 37,5% estava simultaneamente em risco de desnutrição.

PALAVRAS-CHAVE

Desnutrição, Idosos, Obesidade sarcopénica, Risco de desnutrição, Sarcopenia

Influência do estado nutricional na Insuficiência Cardíaca

Influence of nutritional status in Heart Failure
Bruna Domingues; Teresa Rodrigues; Marlene Fonseca; Sónia Xará
Resumo

RESUMO

A Insuficiência Cardíaca pode ser causada por qualquer patologia que afete o coração e, consequentemente, condicione a sua função diastólica ou sistólica. Apesar das melhorias que se têm vindo a verificar em termos de prognóstico, os números são ainda preocupantes e a prevalência permanece elevada, sobretudo em idosos. O estado nutricional tem-se revelado intimamente relacionado com o desenvolvimento e prognóstico desta patologia, verificando-se que um grande número de pacientes com Insuficiência Cardíaca avançada apresenta também desnutrição severa (caquexia cardíaca), associada a um aumento da morbilidade e da mortalidade. Por outro lado, a obesidade parece ter um efeito protetor nesta patologia, existindo numerosos estudos que comprovam a relação entre valores de Índice de Massa Corporal elevados e menor risco de mortalidade, quando comparados com indivíduos com valores de Índice de Massa Corporal mais baixos. No entanto, e apesar de ser o método mais utilizado para caracterizar o estado nutricional, o Índice de Massa Corporal não é um bom indicador da composição corporal no que respeita à distribuição de gordura, sendo este um fator fundamental a ser estudado nestes pacientes. Assim, para melhor compreender o papel do tecido adiposo na Insuficiência Cardíaca, é premente determinar o método que melhor se adequa à avaliação do estado nutricional destes pacientes e de que forma este pode influenciar o prognóstico da doença.

PALAVRAS-CHAVE

Composição corporal, Estado nutricional, Insuficiência Cardíaca