EDITORIAL

Nuno Borges;
Resumo

Este é o primeiro número da Acta Portuguesa de Nutrição e, naturalmente, o seu primeiro editorial. É com grande satisfação que a equipa editorial que tenho a honra de coordenar assiste a este momento. Como todos os inícios, existe sempre uma história e um contexto prévios que o justificam: neste caso, a Acta Portuguesa de Nutrição pode considerar-se uma filha da Revista Nutrícias, a anterior publicação da Associação Portuguesa dos Nutricionistas. Sendo dela derivada, a Acta Portuguesa de Nutrição pretende todavia distinguir-se, trilhando o exigente caminho de uma revista científica com arbitragem por pares e almejando a indexação nas mais importantes bases de dados de revistas científicas. Neste aspeto, é de realçar que a Acta Portuguesa de Nutrição estará indexada na plataforma SciELO, permitindo assim uma mais ampla divulgação dos artigos que aqui se publicam. Não escondemos a nossa ambição de tornar esta revista na publicação científica de referência em Portugal, na área das Ciências da Nutrição. Mais ainda, está nos nossos horizontes a sua divulgação pelos colegas e investigadores de outros países, nomeadamente os que connosco partilham a língua Portuguesa mas também outros com os quais a Associação Portuguesa dos Nutricionistas tem laços privilegiados através da Aliança Ibero-Americana de Nutricionistas, AIBAN. Ao corpo editorial e aos revisores cabe a tarefa de conjugar este desejo de expansão com a exigência científica, da qual não abdicaremos. A todos agradecemos a renovada disponibilidade em continuar a colaborar com esta nova publicação.

Este número apresenta-nos os resumos das palestras e comunicações livres do XIV Congresso de Nutrição e Alimentação da Associação Portuguesa dos Nutricionistas. Tratou-se de mais um relevantíssimo evento na área da Nutrição em Portugal, pela sua dimensão e qualidade. A importância da alimentação na génese e tratamento das mais importantes doenças que atualmente afligem os Portugueses torna este Congresso numa das mais importantes reuniões científicas de saúde pública no nosso país. A Acta Portuguesa de Nutrição tem o privilégio de ser o veículo que deixa para a posteridade o produto do trabalho de cada um dos participantes.

Finalmente, deixamos a todos os leitores o convite para aqui submeterem o produto da sua investigação científica e, já agora, para estarem presentes no XV Congresso de Nutrição e Alimentação da Associação Portuguesa dos Nutricionistas, que terá lugar no Porto nos dias 26 e 27 de maio de 2016.

O PAPEL DAS AUTARQUIAS NO COMBATE À OBESIDADE INFANTIL

THE ROLE OF MUNICIPALITIES IN TACKLING CHILDHOOD OBESITY
Bárbara Camarinha; Fernanda Ribeiro; Pedro Graça;
Resumo

RESUMO

O combate à obesidade, pela gravidade que esta acarreta na qualidade de vida dos indivíduos e na economia dos países, é uma prioridade em praticamente todos os Estados-Membro da União Europeia. Em Portugal, o Plano Nacional de Saúde 2020 indica, como uma das quatro principais metas a atingir, o controlo da incidência e da prevalência da pré-obesidade e da obesidade infantil, que neste momento, se encontra acima dos 30%. Apesar de em alguns países, desde 2006, se notar uma desaceleração do crescimento da obesidade, ainda nenhum reportou decréscimos significativos, nas últimas três décadas. A natureza multifatorial dos determinantes da obesidade, nomeadamente os externos ao sistema de saúde, como os fatores económicos e as desigualdades sociais, não permite uma solução isolada para este problema.

As autarquias têm vindo, gradualmente, a assumir responsabilidades, competências legais e capacidade técnica, que fazem com que possam assumir um papel central no combate à obesidade infantil. Só a este nível é possível atuar sobre diversos determinantes da doença de forma integrada, com autonomia e capacidade executiva e adaptada às especificidades sociodemográficas e geográficas locais. Esta atuação requer um modelo de ação onde cooperem profissionais de diversas áreas como o ambiente, a ação social, a educação, o urbanismo, a juventude e desporto, as atividades económicas, a cultura, a polícia municipal, entre outros.

Neste documento, propõe-se um modelo de intervenção para o combate à obesidade infantil ao nível das autarquias com a integração de diferentes áreas, desempenhando o Nutricionista um papel central na sua coordenação.

PALAVRAS-CHAVE

Autarquias, Infância, Modelo de intervenção, Obesidade

DIMINUIÇÃO DO APETITE DE CAUSA NÃO ORGÂNICA NA PRIMEIRA INFÂNCIA

DECREASE OF APPETITE OF NONORGANIC ORIGIN IN TODDLERS
Inês Tomada; Rita Morais Ferreira; Carla Rêgo;
Resumo

RESUMO

O crescimento e desenvolvimento saudável das crianças são influenciados decisivamente pela alimentação. A aprendizagem progressiva de novos sabores e texturas, e os hábitos alimentares estabelecidos nos primeiros anos de vida, são determinantes para o comportamento alimentar no futuro. Após o 1.º ano de vida, na dependência da desaceleração de crescimento, é comum as crianças apresentarem grande variabilidade do apetite, ou mesmo a sua diminuição. Uma criança saudável, que aparentemente come pouco ou recusa alguns alimentos, é motivo de preocupação para os pais/cuidadores, levando-os a procurar soluções práticas junto dos profissionais de saúde. Neste contexto, com vista à reflexão sobre as dificuldades alimentares que ocorrem na infância e a partilha de experiência nesta área, são apresentados 4 casos clínicos de diminuição do apetite de causa não orgânica na primeira infância.

PALAVRAS-CHAVE

Apetite, Neofobia alimentar, Primeira infância, Recusa alimentar